Programação do Festival de Verão: faca sua inscrição já!

Os cursos do Festival de Verão ‘Energias de Vida’, contam com contribuições de arte educadoras Dan Baron, Manoela Souza, Zequinha Souza, Camila Alves e Evany Valente do Rios de Encontro, profissionais colaboradores de Marabá Andre Souza, Gabriela Silva e Kenny Araujo.

Cursos e Eventos do Festival de Verão (panfleto)

Festival da Pipa (panfleto)

Qualquer pessoa interessado pode escrever para riosdeencontro@gmail.com ou ligar para Manoela Souza, (94) 9192 0171.

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Rios de Encontro recebe prêmio nacional e abre inscrições para cursos de verão

O projeto sociocultural Rios de Encontro celebre hoje um prêmio nacional da Brazil Foundation para realizar seu novo projeto ‘Gira-Sol: Gestão de Energias Vitais’. O único projeto cultural a ser premiado do Pará e um dos 33 projetos premiados de 784 proponentes, Gira-Sol será lançado no Festival de Verão que abre inscrições para seus cursos no dia 23 de junho.

Em Belém, onde os coordenadores do projeto estão finalizando planos com parceiros na Universidade Federal do Pará e com redes internacionais para realizar uma série de consultas públicas no segundo semestre, arte educadores Dan Baron e Manoela Souza concederam uma entrevista com o JCT para explicar o motivo e oportunidades do Festival. “Este prêmio afirma o reconhecimento nacional e internacional de Rios de Encontro como um projeto de qualidade artístico-educativa e de Cabelo Seco como uma Universidade Comunitária dos Rios”, afirma Dan Baron.

Depois de seis anos de atuação cultural, Camila Alves oferece cursos de dança no festival de verão.

Depois de seis anos de atuação cultural, Camila Alves oferece cursos de dança no festival de verão.

“Escolhemos o tema ‘Energias de Vida’ para responder a três desafios eco-sociais no coração da vida de nossa comunidade e do mundo atual: gerações cada vez mais exaustas pela vida de consumo de TV e pela falta de sono causada pelo uso noturno do celular; obesidade e passividade causadas pelos vícios de fast food, refrigerante e ansiedade sobre aumento de violência; e o que nossos jovens e mestres chamam ‘a mentira verde’, a cultura totalitária da Vale e seus políticos, promovendo a hidroelétrica de Marabá através de festa popular, propaganda em cada jornal, e ameaça a deixar quem que questiona fora do mercado. O Festival de Verão quer oferecer dança comunitária, saúde alimentar e energia solar como alternativas vitais, e convida governantes e mineradoras a escutar o povo e defender seu ‘projeto verde em rodas abertas.”

Dan Baron elogiou a coragem do Ministro de Energias no Chile pela sua decisão na semana passada de vetar a construção de uma hidroelétrica em Pagadoria, para proteger a beleza da região, a sustentabilidade do meio ambiente, e a vida dos povos ribeirinhos. “Mesmo que o edital da derrocagem do Pedral do Lourenção foi anulado por motivos técnicos, políticos ou econômicos, abriu uma espaço para o povo consultar os cientistas e insistir que os políticos tomem decisões responsáveis para seus netos”.

E depois de seis anos de formação artística com as Latinhas de Quintal, arte educadora popular Evany Valente oferece cursos de sopros e percussão.

E depois de seis anos de formação artística com as Latinhas de Quintal, arte educadora popular Evany Valente oferece cursos de sopros e percussão.

Numa conversa extensa com o Grupo de Estudos em Alternativas Energéticas na UFPA-Belém, os gestores do Rios de Encontro ficaram assustados já que nem cientistas com referências continentais foram consultados antes de iniciar as obras de Belo Monte e ou anunciar licitações para construir a Hidroelétrica no Tocantins.

“Tudo que oferecemos no festival”, complementa Manoela, “vai casar formação social, cuidado ambiental e o que todos nós queremos: alegria de bem estar! Seja um mini curso de inglês, literatura, radio-jornalismo, composição musical ou artes visuais, ou uma oficina de dança, sopros, violão, percussão ou horta medicinal, as três energias que vão gerar um verão que planta vida e coragem de questionar e se posicionar!”

“Paralelamente”, encerra Dan, “vamos lançar nosso primeiro festival de pipa e programação do Cine Coruja na rua, da nossa biblioteca e nossa bicicletadas, tudo coordenado por jovens. Jovens em Marabá são inteligentíssimos, mas muitos sao condenados a morrer cedo – de uma violência que vem de políticas devastadoras, ou lentamente, de uma vida de sonhos impostos que consomem responsabilidade social, família e comunidade. Porque o mundo ‘desenvolvido’ quer largar consumismo e substituir hidroelétricas com energia eólica e solar? O festival lançará um semestre de debate e práticas sobre propostas alternativas.”

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Cabelo Seco ganha seu primeiro Festival de Verão no dia 07 de junho.

O novo outdoor anuncia o Festival de Energias de Vida, na parede da 'Galeria do Povo' em Cabelo Seco.

O novo outdoor anuncia o Festival de Energias de Vida, na parede da ‘Galeria do Povo’ em Cabelo Seco.

Rios de Encontro anunciará no dia 07 de junho, aniversário de Cabelo Seco, as datas dos mini-cursos e ações comunitárias do primeiro Festival de Verão: Energias de Vida, como presente para o bairro matriz de Marabá. Cientes sobre a importância da Praia Tucunaré na cultura da comunidade e do descanso, a coordenação juvenil e adulta criou esta iniciativa para garantir estimulação cultural e social durante verão, em particular para jovens e crianças. O festival acontecerá entre dia 30 de junho e dia 02 de agosto, e estará aberto a cidade inteira.

“Três anos atras, este festival ainda era um sonho em construção,” explica Dan Baron coordenador do Rios de Encontro. “Desde do inicio do projeto, priorizamos a formação de jovens como artistas e arte educadores comunitários que respeitam a inteligência e desafios de sua comunidade. Hoje, seis anos depois, temos jovens educadoras de Cabelo Seco, preparadas para compartilhar conhecimentos e paixões, que dividem os mesmos valores e visão de uma comunidade independente e sustentável.”

Artista e arte educadora Evany Valente (15 anos) ensina mestre Zequinha numa aula de sax. Ambos vão oferecer cursos no Festival de Verão.

Artista e arte educadora Evany Valente (15 anos) ensina mestre Zequinha numa aula de sax. Ambos vão oferecer cursos no Festival de Verão.

“Isso é um sonho realizado”, disse Zequinha Souza, mestre da cultura popular e diretor musical do projeto. “Nossos jovens e pais tem que ter mais opções de que praia, festa e novela. Mas ainda mais significativo, temos jovens hoje que entendem as necessidades da comunidade e reconhecem a comunidade como gente, por que são daqui. Isto so foi possível por que preocupamos com um projeto de formação, não de números. E agora, quando descanso, sei que tem uma nova geração capaz de sustentar nossa rica cultura popular.”

A decisão de oferecer o festival de verão na data do aniversário de Cabelo Seco foi pensada com cuidado. “Queremos oferecer um presente duradoura a nossa comunidade,” disse Manoela Souza, gestora do projeto, “e também definir as dimensões sociais e formadoras da Cultura. É bom celebrar, mas o que sobra depois de mais uma festa? Nosso Festival de Verão muda esta lógica. Vamos chamar nossos artistas para valorizar raízes, coragem de questionar e inovar, capacidade estética. Os governantes aqui não vão entender isso enquanto pensam que a cultura é uma ferramenta política e econômica ao sevicio deles.”

O Festival de Verão oferecerá mini-cursos intensivos de formação em artes visuais, música, dança, inglês, literatura, composição musical digital, radio comunitária-profissional, e redação (para ENEM). Estes são complementados por rodas de historia viva e cultura viva comunitária e oficinas sobre questões profundas relacionadas ao futuro de Cabelo Seco, saúde, energia solar, segurança comunitária e educação sem paredes. O festival incluíra mostras de filmes infantis, juvenis e adultos, um festival de pipa, uma bicicletada pela preservação do Pedral de Laurenção, e finaliza com um curso de formação (09-11 de agosto), ‘Arte Educação para cultivar Escolas e Comunidades Sustentáveis’, para professores, gestores e artistas.

“Realizamos um curso de formação para 120 professores e gestores em 2009 em parceira com o GAM”, explica Dan Baron, “e dado as demandas do projeto em Cabelo Seco e nossa agenda nacional e internacional, foi impossível encontrar um espaço para todos que não poderiam participar ou queriam aprofundar. Mas beneficiará da convivência em Cabelo Seco e oferece uma oportunidade de compartilhar com Marabá os avanços no mundo. Hoje em dia, a UNESCO e outras redes fortalecem diversidade, comunidade e direitos humanos como base de democracia participativa, alfabetização intercultural e responsabilidade juvenil. Estas serão os princípios do curso e do festival de verão ‘Energias de Vida’.”

Detalhes sobre cada curso do Festival de Verão: Energia de Vida são disponíveis de Mano Souza (riosdeencontro@gmail.com e fone: 91 8842 0521), a partir do dia 18 de junho. Inscrições abrem no dia 23 de junho.

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Cine Coruja estreia ’12 Anos de Escravidão’ em Cabelo Seco

Hoje, sábado, dia 31 de maio, em Cabelo Seco, Velha Marabá, nosso cinema comunitário Cine Coruja estreia o premiado filme ’12 Anos de Escravidão’.

Nosso Cine Coruja estrela o filme '12 Anos de Escravidão' amanha no Barracão de Cultura no cinema comunitário de Cabelo Seco.

Nosso Cine Coruja estreia o filme ’12 Anos de Escravidão’ no Barracão de Cultura no cinema comunitário de Cabelo Seco.

“Somos orgulhosos a ser o primeiro cinema na região para apresentar este filme de altas relevância social e qualidade artística”, afirma Evany Valente, jovem coordenadora do Cine Coruja. “Queremos promover reflexão sobre as sequelas vivas da escravidão no Brasil, particularmente o medo de se manifestar nas regiões Norte e Nordeste, e aqui, na Amazônia. Tou louca para assistir ele. Vai lotar!”.

“Na região amazônica, o preço de silêncio é caríssima”, reflete Zequinha Souza, mestre de cultura popular no projeto. “Nos que sofremos genocídios, chacinas, invasões econômicas e a Guerra de Araguaia, sempre precisávamos de se esconder para sobreviver. Carregamos memórias vivas não resolvidas na pele que nos calam e nos tornar cúmplices com projetos contra nossa inteligência, vontade e própria vida, e que prejudica a vida do mundo. Este filme explica porque”.

A noite comece as 19h30 com uma curta, o video Bicicletada pelas Arvores e pelos Rios, de Rabetas Vídeos e encerra com um sorteio cultural e chuva de reflexão!

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Rios de Encontro leva Amazônia a Teia Nacional de Diversidade Cultural‏ e lembra de Maria Silva e Ze Claudio

Folhas da Vida e Rabetos Videos representam Cabelo Seco na celebração da vida de Maria Silva e Ze Claudio Ribeiro no aniversario do assassinato do casal.

Folhas da Vida e Rabetos Videos representam Cabelo Seco na celebração da vida de Maria Silva e Ze Claudio Ribeiro no aniversario do assassinato do casal.

Nosso projeto socioeducativo Rios de Encontro realizou uma serie de ações culturais na semana passada com uma contribuição na conferencia sobre ‘Leitura e Cultura Popular’ durante a Teia Nacional de Diversidade Cultural em Natal e na ‘Caminhada pela Vida’ em Nova Ipixúna para lembrar o projeto extratavista da eco-pedagoga e arte educadora popular, Maria da Silva, assassinada com seu esposo, Ze Claudio Ribeiro no dia 24 de maio de 2011.

Depois de acompanhar gestores do Ministério de Cultura na Abertura da Teia onde a Ministra Marta Suplicy afirmou a cultura comunitária como base da democracia e direitos humanos, Dan Baron, Coordenador do projeto Rios de Encontro, realizou uma oficina para a Conferencia Livre sobre Cultura e Educação Popular, antes de pular para participar como convidado na conferencia sobre Leitura e Cultura Popular. “Minha oficina afirmou educação popular pela diversidade cultural”, disse o arte educador de Cabelo Seco, “como base de direitos humanos e democracia comunitária. Em menos de uma hora, participantes do país inteiro cantaram, dançaram, fizeram teatro e artes visuais, para vivenciar uma nova proposta de educação integral, enraizada na cultura popular. Impulsionou dois dias de debate!”.

Na conferencia sobre bibliotecas comunitárias, Dan compartilhou a evolução nos últimos três anos do projeto ‘Folhas da Vida’ do projeto Rios de Encontro, enraizado em Cabelo Seco desde 2008. “Ficou evidente porque foi convidado pela Biblioteca Nacional”, explicou Dan. “O pais inteiro tem um desafio imenso sobre analfabetismo funcional, particularmente na região Norte. Mas nosso projeto esta inovando cada vez mais para superar estes desafios, garantindo a integração das crianças e dos jovens na leitura a partir das artes e a coordenação juvenil”.

Bibliotecários comunitários discutem novas propostas na conferencia sobre leitura e cultura popular.

Bibliotecários comunitários discutem novas propostas na conferencia sobre leitura e cultura popular.

“Porem, também alertei a conferencia sobre as ameaças acontecendo no sudeste do Pará com a acelerada comercialização do Rio Tocantins,”, disse Dan, “no somente ao meio ambiente, mas a independência da reflexão e do imaginário, por causa do particiono da Vale e outras mineradoras nas áreas de cultura e educação. Como falei no seminário Pacto pela Leitura em Marabá na semana anterior, é muito perigoso deixar a Vale comprar estas faculdades humanas para sanar sua imagem como a empresa mais violentadora no mundo dos direitos humanos de seus trabalhadores e do meio ambiente”.

Mais uma vez, Dan Baron percebeu que no pais inteiro, não somente em Marabá, há uma falta de debate e de consulta sobre os danos que vão acontecer na próxima década com a comercialização da Amazônia. “Por constituição, os prefeitos da região tem uma obrigação legal e responsabilidade social para apresentar e discutir em público a evidencia cientifica, para que o Brasil possa tomar uma decisão informada”.

Os povos indígenas fizeram protestos culturais na Teia, alertando os 5000 participantes e o mundo sobre sua leitura dos rios e das florestas. O projeto Rios de Encontro foi aplaudido fortemente pela coragem de seus jovens gestores e adultos.

No final de semana passada, Manoela Souza, Dan Baron e Zequinha Souza acompanharam seis jovens dos micro projetos ‘Rabetas Videos’ e ‘Folhas da Vida’ para acompanhar a caminhada ‘As Florestas Choram’, para marcar os terceiro aniversario do assassinato de Maria da Silva (da Pedagogia do Campo, UFPA) e Ze Claudio Ribeiro. “Oferecemos os seis jovens coordenadores afro-indigenos de Cabelo Seco como sementes do futuro”, disse Manoela, gestora cultural do Rios de Encontro. “Demonstram que há uma nova geração que esta bem comprometida com o futuro dos rios Tocantins e Itacaiúnas. Sabem como ler os rios e os ventos, sabem ler o futuro. Mas nem os políticos de Marabá nem de Brasilia estão escutando eles”.

Mano Souza apresenta Erivaldo, Antonio, Alanis, Brendon, Brian, Igor e Rafael de Cabelo Seco, 12 vezes mais vulneráveis a ser assassinado de que jovens em qualquer outro região de Brasil,  como 'sementes do futuro'

Mano Souza apresenta Erivaldo, Antonio, Alanis, Brendon, Brian, Igor e Rafael de Cabelo Seco, 12 vezes mais vulneráveis a serem assassinados de que jovens em qualquer outra região do Brasil, como ‘sementes do futuro’

Os jovens foram profundamente sensibilizados pelo acampamento na floresta e pela convivência com mais de 250 participantes de projetos e movimentos sociais dedicados a uma Amazonia sustentável. “Nosso Mestre Zequinha tocou ‘Matagal’ no meio da floresta, na casa de Maria e Ze Claudio,”, sorriu Brendon Alves, “e nos sustentou durante a caminhada. Nunca imaginávamos que teríamos tanta força para caminhar oito quilômetros, embaixo do sol e na lama, mas descobrimos nossa coragem, caminhando. Agora, queremos escrever nossa própria música e criar videos, para sensibilizar e alertar nossa geração. Não quero morrer assassinado, e nem quero morrer por causa da destruição de nossos rios.”

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Rios de Encontro realiza ‘1 Semana de Viva a Mãe Natureza!’ para celebrar Dia das Mães

Acabamos de realizar um fim de semana de Corda Bamba, Cine Coruja, Bicicletada e Biblioteca para finalizar a 1 Semana de Viva a Mãe Natureza, dedicada as Mães de Cabelo Seco e de Marabá. Parte da celebração de Energias de Vida, a semana contou com colaborações de artistas do Rio de Janeiro e da Barcelona, os artistas da rua, Mara Bamba e Boby Mola.

Bobi e Mara toca o digeridoo na escola Judith Gomes Leitão para celebrar a diversidade cultural.

Bobi e Mara toca o digeridoo na escola Judith Gomes Leitão para celebrar a diversidade cultural.

Depois de rodas gestoras, a semana começou na quarta feira passada quando o projeto levou os artistas da rua a escola parceira Judith Gomes Leitão para realizar quatro oficinas sobre ‘energias da vida’. Mais de 500 alunos ouviram a história a da vida da Mara e do Bobi, que iniciou-se com sua decisão de deixar uma digna vida profissional para aprender com o mundo. Depois de dois anos de viagem de carvalho e bicicleta, encerrarem sua caminhada com uma viagem de três meses no Rio Araguaia. A partir de vivências com comunidades que cuidam de sementes tradicionais e com catadores e recicaladores de lixo, o casal optou em criar uma balsa de materiais reciclados, parando para dialogar com povos indígenas e ribeirinhas, e compartilhar sua visão eco-pedagógica com escolas e projetos comunitários.

Mara realiza entrevistas na plateia sobre a construção da usina hidroelétrica de Marabá que vai acabar com o Rio Tocantins.

Mara realiza entrevistas na plateia sobre a construção da usina hidroelétrica de Marabá que vai acabar com o Rio Tocantins.

“Ficamos impressionados que ninguém tem uma noção sobre os impactos socio-ambientais que a derrocagem do Pedral de Laurencao e a construção das reprises vão causar”, disse Mara, formada em Desenho Industrial no Rio de Janeiro. “Mas quando contamos nossa historia, mostrando fotos da diversidade de plantas, pássaros, animais e culturas que os Rios Araguaia e Tocantins acolhem, percebemos o amor pela natureza e conhecimento dela que os jovens de Marabá tem. Ninguém quer perder isso”.

O Bobi toca músicas populares diversas no violino classico, derrubando preconceitos.

O Bobi toca músicas populares diversas no violino classico, derrubando preconceitos.

“Nos diálogos com os alunos”, afirma Bobi, formado em Física na Universidade de Barcelona. “nos disseram que nenhuma família foi consultada sobre a construção da hidroelétrica. Ninguém sabe sobre os efeitos catastróficos acontecendo em Altamira, a prostituição infantil e aumento de violência que vem com a invasão da cidade por milhares de trabalhadores, para construir estas obras imensas. Mostramos como integramos energia solar na nossa balsa como uma forma de energia alternativa e nos perguntaram porque o governo esta investindo em projetos tão destrutivos.”.

“No inicio de cada oficina”, conta Dan Baron, coordenador do Rios de Encontro, que levou o casal a escola, “o Bobi tocou o primeiro sopro no mundo, o ‘digeridoo’ dos povos tradicionais da Australia, e depois encantou todos com seu violino. A Mara demonstrou a arte da corda bamba no final. Ambos celebraram a importância de estudo, destacando paciência, vontade e prática como o segredo de realizar qualquer sonho. Mas afirmou a suprema importância de questionar e abraçar valores de cuidado ambiental e amor pela Mae Terra para garantir um planeta sustentável”.

A Mara demonstra as qualidades de paciência, vontade e prática na corda bamba, metáfora para a realização de sonhos.

A Mara demonstra as qualidades de paciência, vontade e prática na corda bamba, metáfora para a realização de sonhos.

Uma oficina de Corda Bamba para crianças e mães iniciou a celebração da Mãe Natureza na Pracinha do Cabelo Seco na sexta-feira, antes da projeção do filme ‘Valente’ na noite, na parede das casas do PAC. No sábado, 60 jovens realizaram a Bicicletada pela Mãe Natureza, saindo do Cabelo Seco rumo a nova parceira, escola Jonathan Pontes Athias. “Temos muito respeito para Rios de Encontro,” disse Diretora Sheila Luiza. “Apreciou nossas danças antes de apresentar músicas das Latinhas de Quintal e a arte dos visitantes. Nossos alunos gostaram muito. Rios de Encontro inspirou esperança e responsabilidade. Vamos marcar mais colaborações!”.

Viviane Suares do micro-projeto Biblioteca Folhas da Vida entrega livros a diretora Sheila Luiza no ato de celebrar a escola Jonathan Pontes Athias como parceira do Rios de Encontro.

Viviane Suares do micro-projeto Biblioteca Folhas da Vida entrega livros a diretora Sheila Luiza no ato de celebrar a escola Jonathan Pontes Athias como parceira do Rios de Encontro.

O dia encerrou com uma oficina de Cartas de Amor na Biblioteca Folhas da Vida para as mães do Cabelo Seco. No Dia das Mães, Rios de Encontro despediu do casal, recebendo a balsa internacional como doação eco-pedagógica para o micro-projeto Rabetas Videos.

Bicicletada pela Mãe Natureza encerra com seu retrato ritual na 'galeria-do-povo'  que celebra a ultima samaumeira no Rio Itacaiunas, arvore ameacada pelo descuido ambiental atual dos governantes.jpg Bicicletada pela Mãe Natureza encerra com seu retrato ritual na ‘galeria-do-povo’ que celebra a última Samaumeira no Rio Itacaiúnas, arvore ameaçada pelo descuido ambiental atual dos governantes./caption]

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Cabelo Seco transforma tragédia em sementes de esperança

Uma semana depois dos assassinatos do Renan Costa de Sousa e do Douglas da Silva de Xavier no dia 13 de abril, o projeto sociocultural Rios de Encontro já estava realizando três novos passos inesperados, transformando tragédia em uma plataforma de esperança e determinação. Um mês depois, os jovens em maior risco estão assumindo a liderança de uma nova fase do projeto.

Rabetos Vídeos concluem sua primeira semana de aulas de violão com mestre Zequinha.

Rabetos Vídeos concluem sua primeira semana de aulas de violão com mestre Zequinha.

A entrada na roda de Violões da Vida do mestre Zequinha do micro-projeto mais novo, Rabetas Vídeos, e da percussionista Elisa Neves do micro-projeto fundador e mais conhecido, as Latinhas de Quintal, integra alguns dos jovens considerados mais em risco e mais vulneráveis no bairro, incluindo o irmão do Douglas. Mas estes jovens já tem um ano no projeto Rios de Encontro, estão filmando e editando seus próprios primeiros vídeos e fazem parte da coordenação da Bicicletada da Vida. “Somos um coletivo comprometido”, afirma Brendon, “conscientes sobre as causas da violência aqui e no pais – a exclusão, a pobreza, e a violação de nossos rios e florestas. Violência gera violência. Sabemos o que temos que mudar.”.

Elisa das Latinhas de Quintal troca percussão para violão com mestre Zequinha. Ela pretende montar um curso de verão.

Elisa das Latinhas de Quintal troca percussão para violão com mestre Zequinha. Ela pretende montar um curso de verão.

Elisa já tem seis anos no projeto, coordenou a recepção de uma a bicicletada ao seu ‘novo’ bairro Liberdade no ano passado, e esta aprendendo violão como preparação para ministrar seu primeiro curso piloto de percussão em maio. “Quero ser uma percussionista profissional, e já me sinto qualificada para compartilhar tudo que aprendi.” Elisa se integra com outros jovens professoras Evany Valente (violão e sopros) e Camila Alves (dança) da Universidade Comunitária dos Rios para oferecer cursos para o primeiro Programa de Verão em julho.

Rafael Varão (coordenador da biblioteca Folhas da Vida) e Matheus Sá (Latinhas de Quintal) estudem o primeiro boneco do novo jornal comunitário Nem Um Pingo que vão  lançar na semana depois do Dia das Mães.

Rafael Varão (coordenador da biblioteca Folhas da Vida) e Matheus Sá (Latinhas de Quintal) estudem o primeiro boneco do novo jornal comunitário Nem Um Pingo que vão lançar na semana depois do Dia das Mães.

Iniciou na última semana também a idealização do jornal comunitário Nem um Pingo, por jovens coordenadores Rafael Varrão e Matheus Sá. O projeto surgiu em 2012 como uma iniciativa da Carolayne Valente das Latinhas de Quintal e da Cia AfroMundi. “Queremos continuar com entrevistas explosivas,” explica Matheus, “que tocam questões sensíveis que ninguém quer mencionar. Nenhuma liderança aqui falou sobre as mortes de Renan e Doglinho. Desaparecem no silêncio de sofrimento e medo. O jornal vai falar.” Rafael continua: “O jornal vai também alertar a comunidade sobre o projeto violento da Vale. Ninguém aqui foi consultado sobre a construção da hidroelétrica. Temos direitos na constituição. Cade?”

Latinhas de Quintal cantam Amazonia Nossa Terra na Feira de Sementes Tradicionais.

Latinhas de Quintal cantam Amazonia Nossa Terra na Feira de Sementes Tradicionais.

Domingo passado, todas as jovens coordenadores da Universidade Comunitária dos Rios participaram na primeira Feira de Sementes Tradicionais, convidados pela UNIFESSPA que quer aproximar saberes e culturas populares com conhecimento acadêmico. Foram o único projeto urbano e juvenil convidado. As Latinhas de Quintal e AfroMundi apresentaram obras agora bem maduras, e a biblioteca Folhas de Vida apresentou um poema e uma letra dedicados ao projeto da Maria da Silva, colaboradora do projeto e eco-pedagoga da UFPA, assassinada em maio de 2011.

Viviane do projeto Biblioteca Folhas da Vida le o poema Vento Norte na Feira de Sementes Tradicionais.

Viviane do projeto Biblioteca Folhas da Vida le o poema Vento Norte na Feira de Sementes Tradicionais.

“Os jovens do projeto ficaram impressionados com o fato que Brasil é o maior consumidor de agro-tóxicos no mundo e foram elogiados como sementes ecológicos exemplares,”, disse Dan Baron, coordenador do projeto, “e tem uma ética que poucos percebem, por causa do preconceito que os cercam. Dividem tudo, amam e cuidam da natureza, e atras de seu silêncio e aparente timidez, tem a coragem de inovar e ensinar. Sábado passado, entrevistaram jovens de Barcelona e Rio de Janeiro que passaram três meses no Rio Araguaia, numa balsa de materiais reciclados. Ontem, editaram seu primeiro vídeo. Hoje, estão discutindo como transformar a balsa doada em uma ilha de edição e vídeoteca, Os Rabetos Vídeos tem ética e a coragem de se questionar e questionar o mundo que os violentou.”

Rios de Encontro crescem na Feira de Sementes Tradicionais

Enquanto as jovens lideranças preparam seus cursos de verão, Dan Baron foi para Brasilia para compartilhar a proposta de protagonismo juvenil num seminário nacional da Confederação dos Trabalhadores Agrícolas. Recebi convites do Distrito Federal, Rondônia, Maranhão e Acre para realizar cursos de formação sobre estas pedagogias que cultivam ousadia ética.

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