Rios de Encontro inspira lágrimas em Brasília e consciência Pan-Amazônico

Artista em residencia Cristina Ruiz Gutierrez de Peru esta apresentada a comunidade Cabelo Seco por Rafael Varão (coordenador da biblioteca comunitária Folhas da Vida) durante a entrega do calendário 2014

Artista em residencia Cristina Ruiz Gutierrez de Peru esta apresentada a comunidade Cabelo Seco por Rafael Varão (coordenador da biblioteca comunitária Folhas da Vida) durante a entrega do calendário 2014

O projeto Rios de Encontro voltou ontem às ruas da comunidade Cabelo Seco para distribuir seu calendário bilíngue que questiona profundamente o modelo de desenvolvimento causando desequilíbrio ecosocial no Brasil e no mundo inteiro, e afirma uma proposta cultural e educativa de ‘energias de vida’ sustentável. A artista peruana Cristina Gutiérrez Ruiz que já testemunhou no seu país a devastação ambiental que a derrocagem do Pedral do Lorenção iniciará, acompanhou o mutirão, conversando com famílias dos jovens e crianças que vão colaborar com ela nas oficinas da escola parceira Plinio Pinheiro e no Barracão de Cultura no bairro.

A artista peruana Cristina Ruiz demonstra como tocar a cachita numa roda pan-amazônica na Escola Plínio Pinheiro em Marabá.

A artista peruana Cristina Ruiz demonstra como tocar a cachita numa roda pan-amazônica na Escola Plínio Pinheiro em Marabá.

A residência artística com a dançarina da Amazônia peruana acontece logo após uma semana de apresentações pela Cia AfroMundi, mestre Zequinha, mestra Tonica e Dan Baron, e de participação em oficinas de formação na IV Mostra de Atenção Básica e Saúde Familiar em Brasília (12 e 16 de março). AfroMundi apresentou seu espetáculo ‘Raízes e Antenas’ para mais de 500 gestores e profissionais do país inteiro, tornando-se uma das atrações mais comentadas da Mostra. No final da segunda apresentação, a companhia recebeu convites para dançar em São Paulo, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro, e até na festa cultural da Copa do Mundo.

“Nossas dançarinas Camila Alves, Lorena Melissa e Carolayne Valente conseguiram encantar todos com sua mistura de dança afro-contemporânea, ballet clássico, dança experimental e com sua beleza amazônica”, comentou Dan. “Demonstraram a importância da dança e alfabetização cultural na saúde emocional, psicológica e física. Mas o público se arrepiou e até chorou quando testemunhou a dramatização da seca no final da obra. Entendeu que se descuidarmos dos rios e florestas amazônicas, a saúde do Pará, do país e do mundo acabará.”

Dan Baron, Camila Alves, mestre Zequinha e mestra Tonica concederam uma entrevista ao vivo no Programa Nacional da Amazônia na rádio. Camila e Zequinha tocaram Cabelo Seco e Alerta Amazônia do CD ‘Amazônia Nossa Terra’ e a Camila sensibilizou o Brasil sobre como o projeto tem mudado sua vida ao longo de seis anos. “Era uma menina danada, irresponsável, desinformada. Hoje, coordeno uma companhia de dança preocupada com o futuro do planeta. Ninguém na Mostra sabe o que esta acontecendo em Marabá! Nossa geração tem que usar a internet para se informar e comunicar, questionar tudo na escola e optar por uma vida saudável. Já mudei minha alimentação. A dança é uma linguagem perfeita para motivar, provocar, encantar e propor!.”

Cristina Ruiz participa numa roda imropovisada de percussao com Rabetas Videos e Latinhas de Quintal na Casinha de Cultura

Cristina Ruiz participa numa roda imropovisada de percussao com Rabetas Videos e Latinhas de Quintal na Casinha de Cultura

Depois de ajudar a oficina de alfabetização cultural de Dan Baron, Camila Alves realizou mais um passo histórico, tanto para ela, quanto para Cabelo Seco e Marabá. Ganhou um visto para entrar nos Estados Unidos da América para apresentar ‘Raízes e Antenas’, dar oficinas e trocar experiências sobre o legado de Chico Mendes, na Conferencia Mundial Chico Vive, em Washington. “Superou preconceitos contra jovens mulheres afroindígena de bairros pobres,“, disse Zequinha, “por que ela tem um projeto de vida. Isto é uma conquista para todos nós!”.

A peruana Cristina Ruiz se reconhece no projeto de Cabelo Seco. “Já dancei pela mesma causa no sul do Brasil e na Ásia, pesquisando e transformando os efeitos da violência organizada, social e ambiental, através da dança”.

Cristina partilha a historia sobre Maria Elena Moyano da Vila El Salvador em Lima, Peru numa roda pan-amazonica na Escola Plinio. Lideranca comunitaria e tutadora pelos direitos humanos de mulheres, Maria Elena foi assassinada pelo grupo Sendero Luminoso no 15 de fevereiro de 1992.

Cristina partilha a historia sobre Maria Elena Moyano da Vila El Salvador em Lima, Peru numa roda pan-amazonica na Escola Plinio. Lideranca comunitaria e tutadora pelos direitos humanos de mulheres, Maria Elena foi assassinada pelo grupo Sendero Luminoso no 15 de fevereiro de 1992.

Na primeira semana de sua residência, Cristina realizou duas oficinas de dança peruana na Escola Plinio Pinheiro em troca para danças paraenses, para celebrar a riqueza cultural da região Pan-Amazônica e provocar debate sobre sua exploração e invisibilidade, cinco laboratórios de dança afro-peruana com AfroMundi e uma oficina comunitária aberta em Cabelo Seco.

Depois de visitar o monumento e comunidade de Eldorado das Carajás no domingo, na próxima e última semana da residência, ela volta ao Plinio para entrar numa roda de experiências com professores (terça, 16h) e com alunos (quinta, 11h), e ministrar oficinas no Núcleo de Educação Infantil Deodoro de Mendonça (quarta as 9h30 e 16h), e iniciar uma pesquisa sobre o tema ‘memoria da fome’ com AfroMundi em antecipação de uma residência maior que criará um novo espetáculo Pan-Amazônico.

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