Rios de Encontro cria parceria com nordeste para fortalecer Energias de Vida

Entre dias 11-15 de abril, o projeto socioeducativo Rios de Encontro realizou um curso de cinco dias de formação artístico-cultural com jovens de oito povos indígenas de quatro estados do nordeste, como parte de uma colaboração com o Pontão de Cultura Thydewá em Ilhéus, Bahia. O curso é o primeiro passo de uma colaboração de um ano viabilizada pela Organização de Ciências, Educação e Cultura das Nações Unidas (UNESCO) em colaboração com o Ministério de Cultura, que pode incluir uma troca cultural entre jovens artistas e lideranças de Cabelo Seco e de aldeias indígenas nordestinas, em busca de energias de vida.

Dan Baron, coordenador do projeto Rios de Encontro voltou do encontro internacional Chico Vive Washington e logo se dirigiu para a ‘oca sagrada’ na sede de Thydewá para contribuir a colaboração. “Fiquei profundamente inspirado pelo novo contato com a beleza, consciência ecológica e carinho comunitário da cultura indígena”, disse Dan na sua volta a Cabelo Seco, “e encantado pelo compromisso dos jovens com a preservação das energias da Mae Terra através da dança, energia solar e o cultivo de sementes agroecológicas tradicionais, a partir de sua identidade cultural”.

A colaboração surgiu durante o Fórum Social Temático realizado em Porto Alegre em janeiro de 2013 quando o Presidente de Thydewá, Sebastian Gerlic, vivenciou uma oficina de alfabetização cultural ministrada por Dan Baron que forma gestores, educadores e jovens para criar projetos sustentáveis. “O Pontão de Cultura Thydewá já sabia sobre nossa proposta através dos monumentos de Eldorado dos Carajás e dos Outros 500 Anos (no Monte Pascoal no sul de Bahia, 2001). Mas esta colaboração revelou como formar jovens como lideranças comunitárias, o princípio chave de Rios de Encontro.”

Jovens indígenas estudam o calendário Rios de Encontro para entender os desafios e propostas alternativas na Amazônia.

Jovens indígenas estudam o calendário Rios de Encontro para entender os desafios e propostas alternativas na Amazônia.

Os jovens indígenas, escolhidos a dedo por sua capacidade comunicativa e compromisso social transformaram o calendário do projeto Rios de Encontro em um recurso pedagógico, estudando sua mistura de foto-narrativa, poesia e textos como livro dialógico e para conhecer os desafios e propostas da Amazônia, no sudeste do Pará. “Mas o processo foi uma escuta e uma troca nos dois lados”, afirmou Dan. “Aprendi muito sobre o poder inclusivo, cicatrizador e socioeducativo da roda dançante, o Toré, e fiquei profundamente comovido pela solidariedade dos indígenas”.

Povos indígenas se solidarizem com Renan de Souza e os jovens de Marabá.

Povos indígenas se solidarizem com Renan de Souza e os jovens de Maraba.

O dia depois de sua chegada, Dan recebeu noticias sobre o assassinato do jovem Renan Costa de Souza de Cabelo Seco que o abalou. “Logo após de contar as circunstancias da morte de Renan e como jovens em Marabá e na Amazônia são doze vezes mais vulneráveis a serem assassinados do que qualquer outra região do país, os indígenas se ajoelharam e pediram a Mae Terra enviar energias de vida para fortalecer a família de Renan. O Toré que seguiu foi de indignação. Entendem na pele como cortando laços, seja pela exclusão, expulsão ou pela sedução (no caso de Minha Casa, Minha Vida), cria condições férteis para violência.”

O primeiro encontro encerrou com um retrato de solidariedade nordestina para os jovens de Marabá. “Esta chacina de jovens, seja pela arma de fogo ou pela arma virtual na internet, só vai parar quando nossos jovens, escolas e políticos entendem a sua causa,“, disse Cacique Joel Braz Pataxó da Aldeia Barra Velha em Monte Pascoal. “Políticas que desrespeitam e acabam com nossos rios e florestas, cultivam desrespeito e morte. Não queremos sofrer ecocídio, a destruição do meio ambiente. Queremos cultivar a vida. Estuda este calendário, Marabá, e se liga, antes de ser tarde de mais!”.

Rios de Encontro volta a Ilhéus em julho com jovens de Cabelo Seco para fortalecer liderança afro-indígena. O projeto sediará debate sobre ‘energias de vida’ na sua programação Dia de Mae Terra, entre 3-10 de maio.

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