Rios de Encontro leva Amazônia a Teia Nacional de Diversidade Cultural‏ e lembra de Maria Silva e Ze Claudio

Folhas da Vida e Rabetos Videos representam Cabelo Seco na celebração da vida de Maria Silva e Ze Claudio Ribeiro no aniversario do assassinato do casal.

Folhas da Vida e Rabetos Videos representam Cabelo Seco na celebração da vida de Maria Silva e Ze Claudio Ribeiro no aniversario do assassinato do casal.

Nosso projeto socioeducativo Rios de Encontro realizou uma serie de ações culturais na semana passada com uma contribuição na conferencia sobre ‘Leitura e Cultura Popular’ durante a Teia Nacional de Diversidade Cultural em Natal e na ‘Caminhada pela Vida’ em Nova Ipixúna para lembrar o projeto extratavista da eco-pedagoga e arte educadora popular, Maria da Silva, assassinada com seu esposo, Ze Claudio Ribeiro no dia 24 de maio de 2011.

Depois de acompanhar gestores do Ministério de Cultura na Abertura da Teia onde a Ministra Marta Suplicy afirmou a cultura comunitária como base da democracia e direitos humanos, Dan Baron, Coordenador do projeto Rios de Encontro, realizou uma oficina para a Conferencia Livre sobre Cultura e Educação Popular, antes de pular para participar como convidado na conferencia sobre Leitura e Cultura Popular. “Minha oficina afirmou educação popular pela diversidade cultural”, disse o arte educador de Cabelo Seco, “como base de direitos humanos e democracia comunitária. Em menos de uma hora, participantes do país inteiro cantaram, dançaram, fizeram teatro e artes visuais, para vivenciar uma nova proposta de educação integral, enraizada na cultura popular. Impulsionou dois dias de debate!”.

Na conferencia sobre bibliotecas comunitárias, Dan compartilhou a evolução nos últimos três anos do projeto ‘Folhas da Vida’ do projeto Rios de Encontro, enraizado em Cabelo Seco desde 2008. “Ficou evidente porque foi convidado pela Biblioteca Nacional”, explicou Dan. “O pais inteiro tem um desafio imenso sobre analfabetismo funcional, particularmente na região Norte. Mas nosso projeto esta inovando cada vez mais para superar estes desafios, garantindo a integração das crianças e dos jovens na leitura a partir das artes e a coordenação juvenil”.

Bibliotecários comunitários discutem novas propostas na conferencia sobre leitura e cultura popular.

Bibliotecários comunitários discutem novas propostas na conferencia sobre leitura e cultura popular.

“Porem, também alertei a conferencia sobre as ameaças acontecendo no sudeste do Pará com a acelerada comercialização do Rio Tocantins,”, disse Dan, “no somente ao meio ambiente, mas a independência da reflexão e do imaginário, por causa do particiono da Vale e outras mineradoras nas áreas de cultura e educação. Como falei no seminário Pacto pela Leitura em Marabá na semana anterior, é muito perigoso deixar a Vale comprar estas faculdades humanas para sanar sua imagem como a empresa mais violentadora no mundo dos direitos humanos de seus trabalhadores e do meio ambiente”.

Mais uma vez, Dan Baron percebeu que no pais inteiro, não somente em Marabá, há uma falta de debate e de consulta sobre os danos que vão acontecer na próxima década com a comercialização da Amazônia. “Por constituição, os prefeitos da região tem uma obrigação legal e responsabilidade social para apresentar e discutir em público a evidencia cientifica, para que o Brasil possa tomar uma decisão informada”.

Os povos indígenas fizeram protestos culturais na Teia, alertando os 5000 participantes e o mundo sobre sua leitura dos rios e das florestas. O projeto Rios de Encontro foi aplaudido fortemente pela coragem de seus jovens gestores e adultos.

No final de semana passada, Manoela Souza, Dan Baron e Zequinha Souza acompanharam seis jovens dos micro projetos ‘Rabetas Videos’ e ‘Folhas da Vida’ para acompanhar a caminhada ‘As Florestas Choram’, para marcar os terceiro aniversario do assassinato de Maria da Silva (da Pedagogia do Campo, UFPA) e Ze Claudio Ribeiro. “Oferecemos os seis jovens coordenadores afro-indigenos de Cabelo Seco como sementes do futuro”, disse Manoela, gestora cultural do Rios de Encontro. “Demonstram que há uma nova geração que esta bem comprometida com o futuro dos rios Tocantins e Itacaiúnas. Sabem como ler os rios e os ventos, sabem ler o futuro. Mas nem os políticos de Marabá nem de Brasilia estão escutando eles”.

Mano Souza apresenta Erivaldo, Antonio, Alanis, Brendon, Brian, Igor e Rafael de Cabelo Seco, 12 vezes mais vulneráveis a ser assassinado de que jovens em qualquer outro região de Brasil,  como 'sementes do futuro'

Mano Souza apresenta Erivaldo, Antonio, Alanis, Brendon, Brian, Igor e Rafael de Cabelo Seco, 12 vezes mais vulneráveis a serem assassinados de que jovens em qualquer outra região do Brasil, como ‘sementes do futuro’

Os jovens foram profundamente sensibilizados pelo acampamento na floresta e pela convivência com mais de 250 participantes de projetos e movimentos sociais dedicados a uma Amazonia sustentável. “Nosso Mestre Zequinha tocou ‘Matagal’ no meio da floresta, na casa de Maria e Ze Claudio,”, sorriu Brendon Alves, “e nos sustentou durante a caminhada. Nunca imaginávamos que teríamos tanta força para caminhar oito quilômetros, embaixo do sol e na lama, mas descobrimos nossa coragem, caminhando. Agora, queremos escrever nossa própria música e criar videos, para sensibilizar e alertar nossa geração. Não quero morrer assassinado, e nem quero morrer por causa da destruição de nossos rios.”

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