Encerramos nosso Festival de Verão com passeio visionário

Rios de Encontro encerrou seu primeiro Festival de Verão ‘Energias de Vida’ com um passeio cultural de formação que levou 16 de seus gestores juvenis e 5 gestores adultos conhecerem as belezas da Floresta Nacional de Carajás e a verdadeira escala da mineração da Vale, na mina N4, próxima a Parauapebas. Coincidiu com a notícia que o projeto ganhou o prêmio nacional do Edital Fundo Fale Sem Medo, do Instituto Avon, que ajudará realizar partes de seu próximo semestre dedicado a Energias de Vida.

Os gestores do Rios de Encontro na entrada do Jardim Zoobotânico.

Os gestores do Rios de Encontro na entrada do Jardim Zoobotânico.

Acampamento lua cheia lançou Cine Coruja na Praia Tucunaré e integrou os coordenadores dos micro-projetos antes de iniciar os cursos de verão.

Acampamento lua cheia lançou Cine Coruja na Praia Tucunaré e integrou os coordenadores dos micro-projetos antes de iniciar os cursos de verão.

O festival iniciou com o primeiro Festival de Pipa que celebrou a inteligência plástica e conhecimento eólico dos jovens de Cabelo Seco. Logo em seguida, entre dia 07 de julho até o dia 03 de agosto, foram realizadas 120 horas de formação nos cursos de dança, rádio comunitária, inglês, francês, literatura afroamazônica e composição musical digital e 02 laboratórios de sopros e de violão, envolvendo um total de 60 participantes.

Lais Oliveira Barbosa (14 anos) busca a musicalidade de francês no curso que ela coordena.

Lais Oliveira Barbosa (14 anos) busca a musicalidade de francês no curso que ela coordena.

“Como sempre,” explicou Manoela Souza, gestora dos cursos de verão, “priorizamos nas inscrições a intimidade e a qualidade, não números e quantidade, como princípio de formação participativa e criativa, para cultivar autoconfiança e liderança comunitária. Sentimos orgulhosos que três jovens arte-educadoras de 14 a 18 anos, Camila, Evany e Laís, coordenaram seus primeiros cursos, na nossa Universidade Comunitária dos Rios (UCR). Inventaram suas próprias metodologias, com nosso acompanhamento pedagógico.”

Camila Alves (18 anos) coordena um curso de dança pela vida que oferece ballet clássico, dança contemporânea, afro-contemporânea e consciência corporal.

Camila Alves (18 anos) coordena um curso de dança pela vida que oferece ballet clássico, dança contemporânea, afro-contemporânea e consciência corporal.

O curso de dança de dez oficinas gerou novos integrantes para a companhia AfroMundi.

Camila Alves realiza um curso de dança de dez oficinas que gerou novos integrantes para sua companhia AfroMundi.

Evany Valente (15 anos) coordena a primeira de seis oficinas de sopros.

Evany Valente (15 anos) coordena a primeira de seis oficinas de sopros.

Jovens atuando como gestores e produtores culturais é uma das marcas do projeto Rios de Encontro que já comprovaram que jovens da periferia tem muito para contribuir a uma educação responsável e transformadora. Colaboradora, Professora Gabriela Silva, da escola O Globo adorou sua experiência como educadora da Literatura Afroamazônica. “Foi emocionante partilhando minha paixão com jovens tão abertos e inteligentes! Aprendi tanto dialogando com eles em sua roda.”

curso de literatura amazónica coordenado pela professora Gabriela Silva.

curso de literatura amazónica coordenado pela professora Gabriela Silva.

O curso de inglês criativo coordenado pelo Dan Baron integrou teatro, canto, alfabetização visual e massagem durante oito oficinas.

O curso de inglês criativo coordenado pelo Dan Baron integrou teatro, canto, alfabetização visual e massagem durante oito oficinas.

Os cursos encerraram com uma festa cultural comunitária na Pracinha de Cabelo Seco que compartilhou um pouco dos resultados de cada curso e laboratório, e no final da semana passada, o projeto celebrou um semestre inovador com um passeio produzido coletivamente pelos jovens coordenadores dos nove micro-projetos do Rios de Encontro. “Conhecemos a diversidade riquíssima das espécies do Jardim Zoobotânico,”, disse Dan Baron, coordenador pedagógico do projeto, “e todos ficaram fascinados pelas cavernas e trilhas da Floresta Nacional. As cachoeiras, em particular, encantaram os jovens, e todos nos ficamos marcados pela obra da Vale, na mina N4. Um milhão de toneladas por dia, criando uma cratera inimaginável! O discurso na Vale sobre cuidado ambiental no Jardim e nas trilhas logo se esvaziou.”

Antonio Soares dos Rabetos Videos estuda a obra N4 da Vale.

Antonio Soares dos Rabetos Videos estuda a obra N4 da Vale.

Percussionista Eliza das Neves, Latinhas de Quintal, fotografa a obra da Vale para compartilhar "a verdade escondida" nas suas redes sociais.

Percussionista Eliza das Neves, Latinhas de Quintal, fotografa a obra da Vale para compartilhar “a verdade escondida” nas suas redes sociais.

“Nós voltamos de nosso passeio com uma tranquilidade bem mais confiante sobre a nossa própria diversidade no projeto,”, refletiu Dan, “fruto da convivência com a natureza e das rodas divertidas de teatro e música improvisados. E logo descobrimos que havíamos ganhado nosso décimo prêmio nacional, Fale Sem Medo, do Instituto Avon (Elas – Fundo do Investimento Social, com apoio institucional da ONU Mulheres Brasil e estratégico da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República). Na roda final, os jovens falaram sem medo mesmo! Se posicionaram lucidamente contra a devastação da Vale e buscaram formas de comunicação e organização e recursos adequadas para lidar com o crescimento e diversidade do projeto. Quem teria imaginado tanta lucidez, coragem e responsabilidade seis anos atrás?”.

Os gestores do Rios de Encontro se retratam numa caverna na Floresta Nacional de Carajás.

Os gestores do Rios de Encontro se retratam numa caverna na Floresta Nacional de Carajás.

No final de agosto, Rios de Encontro abre seu segundo semestre com a bicicletada ‘Energias da Vida’, que destacará energia solar, direitos humanos de jovens mulheres, arte educação e saúde alimentar, a partir de residências interculturais, cursos e o terceiro festival de Beleza Amazônica. Mais informações estão disponíveis com a gestora cultural Manoela Souza, (94) 9192 0171.

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