Camylla leva cuidado ambiental ao palco nacional de dança contemporânea em Belém

'Raizes e Antenas' afirma a escuta a Mãe Terra como caminho único para sobreviver as múltiplas violências sociais e ecológicas da época atual.

‘Raizes e Antenas’ afirma a escuta a Mãe Terra como caminho único para sobreviver as múltiplas violências sociais e ecológicas da época atual.

No dia 08 de agosto, no Teatro Universitário Cláudio Barradas em Belém, Camylla Alves, dançarina da Cia AfroMundi do Projeto Rios de Encontro de Cabelo Seco, apresentou ‘Raízes e Antenas II’. O espetáculo apresentado na programação do IV Encontro Contemporâneo de Dança, foi a primeira experiência da Camylla num palco profissional e confirmou o significado nacional de sua pesquisa sobre a cultura afrodescendente e de sua qualidade artística.

Pesquisa incluiu as artes visuais para entender e presenciar memória ancestral e visceral.

Pesquisa incluiu as artes visuais para entender e presenciar memória ancestral e visceral.

A partir de sua formação em ballet clássico , Camylla vem experimentando na busca de uma linguagem capaz de narrar a busca de sua história, interrompida por séculos de violência.

A partir de sua formação em ballet clássico, Camylla vem experimentando na busca de uma linguagem capaz de narrar a busca de sua história, interrompida por séculos de violência.

‘Raízes e Antenas’ é fruta de dois anos de pesquisa que a Camylla Alves vem desenvolvendo sobre sua identidade afrocontemporânea, em parceria com colaboradores locais e internacionais. “A Camylla pesquisa como narrativas históricas se refugiam nos silêncios da pele e nos gestos do cotidiano”, explica Dan Baron, coordenador do projeto Rios de Encontro, que a acompanhou em Belém. “Sua apresentação afirma a escuta a Mae Terra como caminho único para sobreviver as múltiplas violências sociais e ecológicas da época atual e criar comunidades sustentáveis. A plateia profissional e da área se impressionou com a seriedade e profundidade de sua obra artística.”

Pesquisa incluiu a obra 'Sagração da Primavera' da Pina Bausch, homenageada e reinterpretada no espetáculo.

Pesquisa incluiu a obra Sagração da Primavera da Pina Bausch, homenageada e reinterpretada no espetáculo.

Camylla Alves fundou Cia AfroMundi: Pés no Chão em 2012, como projeto de pesquisa na bolsa que ela ganhou do projeto Rios de Encontro. Ganhando um premio em 2012 do Ministério da Cultura, Camylla convidou dançarinos e dança-educadores de Belém, Nigéria, Peru, Nova Zelandia e Rio de Janeiro para ampliar as estrategias de pesquisa e de linguagens de dança, da jovem companhia. Atuando como dançarina e dança educadora comunitária, Camila evoluiu ‘Raízes e Antenas’ em colaboração com artista plástico celta, Dan Baron, e em parceria com Lorena Melissa, Israel Neto e Carolayne Valente nas ruas de sua comunidade Cabelo Seco e nos palcos comunitarios de Joinville e Florianópolis. A obra ‘Raízes e Antenas’ foi estreada pelos quatro jovens dançarinos no Festival Beleza Amazônica em Marabá em 2013 e como um solo de 48 minutos, pela própria Camila, no palco do encontro ‘Chico Vive’, em Washington, EUA, em abril de 2014.

A crise socioecológica vem da loucura do consumismo.

A crise socioecológica vem da loucura do consumismo.

“Intitulei o solo que apresentei aqui em Belém, Raízes e Antenas II”, explica Camylla, “por que é um novo espetáculo, não uma edição do primeiro. Implicou nova pesquisa, uma nova narrativa e uma interpretação mais profunda, que realizei com Dan durante o verão. Sinto-me super realizada, claro, apresentando na capital, com iluminação sofisticada e em condições profissionais, depois de tantas horas de preparação toda semana. Mas sinto-me orgulhosa a representar todos nos de Rios de Encontro, de Cabelo Seco e da Marabá! Sei que ‘Raízes e Antenas II’ mostrou nossa inteligência e capacidade artística e vai abrir caminhos para outros!”.

A dançarina vem sofrendo três violências na narrativa da obra: sexual, emocional e ecológica. Mas a dança oferece múltiplas interpretações e a obra oferece a cada comunidade espaço para se identificar.

A dançarina vem sofrendo três violências na narrativa da obra: sexual, emocional e ecológica. Mas a dança oferece múltiplas interpretações e a obra oferece a cada comunidade espaço para se identificar.

“Cia AfroMundi de Marabá hoje virou uma referencia regional”, celebrou Waldete Brito, diretora de sua Companhia Experimental de Dança e da Escola de Dança na UFPA. “Ninguém esperava um trabalho tão serio, coerente e avançado.”. Camylla e Manoela Souza, a gestora cultural da apresentação em Belém, participaram no curso de dança contemporânea durante o final da semana, oferecido pela dançarina Luciana Caetano, de Goiás, que também elogiou a apresentação.

Sera que a beleza da sabedoria afro-amazônida é capaz de inspirar mudança de sonho?

Sera que a beleza da sabedoria afro-amazônida é capaz de inspirar mudança de sonho?

Camylla volta com novos aprendizados para integrar nas suas oficinas para a Escola Deodoro Mendonça e a comunidade Cabelo Seco.

[fotos: manoel pantoja]

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