Semana de Energia Solar esquenta todas a gerações em Marabá! 


Encerramos uma semana de três encontros públicos, dois encontros internacionais virtuais e quatorze oficinas, todos dedicados a promoção de debate e sensibilização sobre energia solar, com o primeiro curso de formação para jovens agentes Gira-Sol e sua grande bicicletada escolar ‘Sou Amazônia!’.

Encontro aberto a Marabá debate porque e como implantar uma primeira placa solar em Cabelo Seco antes do final do ano.

Encontro aberto a Marabá debate porque e como implantar uma primeira placa solar em Cabelo Seco antes do final do ano.

A chegada na cidade do professor Luis Blasques do Instituto Federal do Para (IFPA) no dia 27 possibilitou dois dias de debates informados sobre o que é energia solar e como ela pode ser implantada na prática em Cabelo Seco e Marabá. Nos encontros comunitário e municipal, realizados em Cabelo Seco, e numa mesa redonda no programa Barra Pesada, o pesquisador universitário do Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativos Energéticas (GEDAE) lamentou o atraso do Brasil na área de energia solar. “Se governos brasileiros 15 ou 20 anos atrás tivessem iniciado a construção de uma industria solar, com o clima do Pará, já teríamos a tecnologia necessária para ser um líder mundial de energia limpa e barata, que não danifica o meio ambiente.”

Num encontro especial para os jovens coordenadores do Rios de Encontro, um aluno do Judith Gomes Leitão perguntou porque nenhum candidato a presidência ou ao governo estadual mencionou a questão de energia ou apresentou um projeto para o meio ambiente nos seus discursos eleitorais. Dr Luis Blasques observou: “todos pensam em soluções imediatistas que respondem as necessidades econômicas do Brasil, sem considerar as implicações ambientais ou sociais. E nesse momento, pela falta de antecipação, a energia hidroelétrica parece a mais barata. Mas no ponto de vista das conseqüências socio-ambientais, o Brasil vai pagar muito caro para uma energia que somente as mineradoras vão acessar.”

Convencidos e preocupados sobre a futura da saúde de seus filhos e netos, arriscada pela hidrelétrica, antigas moradoras de Cabelo Seco ofereceram os tetos de suas casas para iniciar um primeiro experimento ainda nesse ano, para estudar a possibilidade de construir uma rede pilota de placas solares. O debate foi filmado pela RBA e transmitido no Barra Pesada no dia 28, ampliando a divulgação da proposta alternativa.

Numa mesa redonda na rádio SBT no dia 28, Dan Baron, coordenador geral do Rios de Encontro citou as reuniões em Cabelo Seco onde os moradores declaram que ninguém foi consultado sobre a construção da hidroelétrica ou da hidrovia que profundamente vão alterar a qualidade da sua vida e a vida da região. Dan relacionou esta violação dos direitos constitucionais, humanos e ambientais de todos com o atual assassinato dos nascentes pelos governantes e mineradoras. “Como apelar a jovens assumir responsabilidade social e denunciar violência crescente quando aqueles com poder atuam sem responsabilidade socioambiental e estão assassinando a ética?”

A roda aberta a Marabá na mesma noite congregou quarenta professores, estudantes, integrantes de movimentos sociais, artistas, sindicalistas e jovens. Desmentiram o discurso ambiental da Vale e denunciaram seu monopólio absoluto sobre a vida política, cultural e econômica da região. Igual com os jovens na reunião da manha, o encontro identificou a falta de informação sobre energia solar e de debate nas escolas, a ‘cultura popular de derrotismo’ e baixa auto-estima como as causas principais do silêncio atual de Marabá.

Carol Sousa (13 anos) das Latinhas de Quintal ajuda coordenar uma das 10 oficinas de 'Mais Cultura na Escola' no Jose Mendona Vergolino durante a Semana de Energia Solar.

Carol Sousa (13 anos) das Latinhas de Quintal ajuda coordenar uma das 10 oficinas de ‘Mais Cultura na Escola’ no Jose Mendonça Vergolino durante a Semana de Energia Solar.

Paralelamente, durante os dias, Rios de Encontro realizou 10 oficinas de dança, canto e teatro em colaboração com a escola EMEF Jose Mendonça Vergolino, sensibilizando mais de 240 alunos sobre a beleza amazônica na sua vida cotidiana. “Como eles vão valorizar e defender a Amazônia”, questiona arte-educadora Manoela Souza, “quando eles nem se reconhecem como parte de sua beleza e riqueza? Nossas pedagogias artísticas conseguiram comunicar com todas as faixas etárias, despertando o cuidado pelo meio ambiente e de cada ser como parte dele, e cultivando participação coletiva”.

Energias de vida de Matheus Sa e Manoela Souza transformam um aluno timido numa oficina de canto e dança na escola Muniipal.

Energias de vida de Matheus Sa, Jessica Ertel e Manoela Souza transformam um aluno timido numa oficina de canto e dança na escola Muniipal.

Rios de Encontro e o Municipal estão integrando o projeto ‘Mais Cultura na Escola’ do Ministério de Cultura e o de ‘Escola Sustentável’ do Ministério de Educação para re-enraizar as artes de ensino e aprendizado nas artes populares das comunidades em maior risco da violência de desenvolvimento cego imposto. Na quinta a noite, a oficina de ‘Inglês Criativa’ celebrou a energia criativa de jovens arte-educadores e a poesia ‘Voar’ do compositor Zequinha Sousa, e no domingo a tarde, jovens de Cabelo Seco e universitários aprenderam com pesquisadora em residência, Jessica Ertel de New York, como construir um simples forno solar no curso piloto de Energia Solar, sendo realizado em Cabelo Seco.

“No dia 22 de outubro,” anunciou Dan Baron, “esperamos que todos estes parceiros e seus amigos vão participar na bicicletada ‘Sou Amazonia’, celebrando as Energias da Vida e enviando uma mensagem clara aos governantes e mineradoras, do pais e do mundo. Com mais de 400 participantes, vamos aproximar as comunidades da Velha Marabá e as escolas, para fomentar o debate e garantir que onde tudo começou não virará onde tudo acabou. Todos são bem vindos!”

Mais informações sobre estes projetos e sobre a bicicletada do dia 22 de outubro, são disponíveis de Manoela Souza do Rios de Encontro: 99192 0171.

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