Rios de Encontro vira referência mundial de educação ecológica nos EUA

Cia 'Deixe o Nosso Rio Passar' 2015 (Rafael Varão, Sandoval Maia, Lorena Melissa, Pablo Souza, João Paulo Souza, Carolayne Valente, Matheus Sá, Dan Baron, Zequinha Sousa, Mano Souza, Rerivaldo Mendes, Évany Valente, Carol Souza)

Cia ‘Deixe o Nosso Rio Passar’ 2015 (Rafael Varão, Sandoval Maia, Lorena Melissa, Pablo Souza, João Paulo Souza, Carolayne Valente, Matheus Sá, Dan Baron, Zequinha Sousa, Mano Souza, Rerivaldo Mendes, Évany Valente, Carol Souza)

Os 15 artistas, artes educadores e gestores amazônicos do projeto eco-cultural Rios de Encontro voltaram dos Estados Unidos nessa semana. Sua maratona artística e pedagógica de 22 apresentações do espetáculo Deixa o Nosso Rio Passar! e 42 oficinas e rodas em 18 dias alcançaram direitamente 09,800 jovens, crianças e adultos em escolas e centros culturais nos estados de Connecticut, New York e New Jersey. Dedicaram seus primeiros dias de volta compartilhando suas experiências com suas famílias em Cabelo Seco e idealizando um calendário de partilha com suas escolas e colaboradores parceiros em Marabá. Começa com uma apresentação no Pátio Shopping na quarta-feira, dia 13 de Maio, as 18h, em colaboração com a Casa de Cultura.

Carol Souza, Évany Valente e Eliza Neves evocam Amazônia numa apresentação escolar.
Carol Souza, Évany Valente e Eliza Neves evocam Amazônia numa apresentação escolar.

“Realizamos um trabalho de qualidade artística excelente”, disse Zequinha Sousa, diretor musical do projeto Rios de Encontro desde o primeiro ‘quintal de cultura’ em fevereiro de 2008. “Nosso espetáculo de dança, percussão e teatro ultrapassou as expectativas de todos envolvidos, os parceiros norte-americanos, jovens e adultos de nosso projeto, e nossas plateias. Fomos o primeiro projeto que ganhou o prêmio mundial de Creative Connections que vem de um bairro popular, e que se posicionou. Conseguimos sensibilizar uma rede influente de cultura e educação, do país mais poderoso no mundo sobre a necessidade de preservar Amazônia e, em particular, substituir a proposta da hidrelétrica no Rio Tocantins aqui em Marabá com energia solar. E aprendemos muito sobre nossa riqueza e comportamento como ser ambaixador de nossa propria convivência.”

Camila Alves, Carolayne Valente e Lorena Melissa apresentam Carimbó.
Camila Alves, Carolayne Valente e Lorena Melissa apresentam Carimbó.

“Apresentamos e realizamos oficinas em escolas públicas e particulares”, explica Elisa Neves, mãe solteira de 18 anos, percussionista no Rios de Encontro desde a primeira noite do projeto em 2008, e co-coordenadora do micro-projeto Roupas ao Vento da Fundação Elas que usa as artes para transformar violência contra meninas, jovens e mulheres, em relações de respeito. “Aprendemos como adaptar nossas artes para platéias infantis, juvenis e adultas, de diversas classes sociais. Percebemos que crianças tem a maior coragem para perguntar e ficamos impressionados com a profundidade de suas perguntas sobre a irresponsibilidade ambiental e os origens da ganância e corrupção aqui no Pará e no Brasil. Cada platéia ficou preocupada e perguntou no final como puderia ajudar a defender a Amazônia. Desenvolvemos nossas respostas numa roda ao vivo, depois de cada apresentação. Explicamos que Amazônia está dentro de cada cidadão no mundo e que a melhor solidariedade é cuidar da Mãe Natureza em casa, integrando projetos sobre o meio ambiente como base da educação formal. Aprendi muito! Muito mesmo, sobre mim e com os projetos escolares lá.”

Matheus Sá e Carolayne Valente apresentam Quadrilha no espetáculo.
Matheus Sá e Carolayne Valente apresentam Quadrilha no espetáculo.

“Amei encontrar jovens já produzindo vídeos sobre Amazônia,”, disse Évany Valente, 16 anos, musicista com As Latinhas de Quintal desde o início do projeto e co-coordenadora do projeto Gira-Sol que está experimentando com energia solar nos micro-projetos Rádio Arraia, Cia AfroMundi, Rabetas Vídeos e Biblioteca Folhas da Vida. “Mas fiquei impressionada que adolescentes de 14 a 16 anos de idade estão já eliminando alimentos venenosos de sua vida cotidiana e escrevendo cartas de intervenção as multinacionais Coca Cola e Pepsico, insistindo sobre transparência na produção de seus produtos e os relacionando com o desmatamento de nossas florestas. Levei um susto que o mais rico estado nos EUA tem tanta pobreza e desigualdade, mas fiquei maravilhada pelo seu avanço da educação e dos compomisso ambientais. Tocamos no Museo da Criança completamente abastecido pela energia solar!”

Lorena Melissa, Camila Alves e João Paulo Souza apresentam 'Lágrimas Secas' na escola PolyPrep em New York, durante o torné.
Lorena Melissa, Camila Alves e João Paulo Souza apresentam ‘Lágrimas Secas’ na escola PolyPrep em New York, durante o torné.

João Paulo Souza, 17 anos, dançarino recentemente integrado na Cia AfroMundi e convidado para aumentar a força da dança num espetáculo que pudesse comunicar com um minímo de palavras, voltou impressionado com a autoconfiança das crianças. “Um dentre os centenas de momentos que me marcaram, foi um encontro surpresa com Kimberley, uma menina cega de cinco aninhos. Depois da apresentação, sua professora guiou ela tocar todos nossos instrumentos de percussão amazônica, e ela ficou encantada com o Agogó, feito com o oriço da castanha, o símbolo poético principal de nosso espetáculo. Quando ela o tocou, todos nos choramos. Ela ganhou um depois de nossa apresentação. Foi assim que nos ficamos sensibilizados, numa troca humana que aprofundou minha interpretação e colaboração no palco e nas oficinas, e ajudou superar o cançaso de nossa maratona!”

Cada integrante do grupo passou duas semanas hospedado numa família solidária de um aluno do Centro de Estudos Globais na escola pública Brien McMahon High School, Connecticut. Recebeu uma generosidade de carinho, apoio social e integração em cada dimensão familiar inesperados.

“A maioria de nós nunca tinha viajado,” observou Rerivaldo Mendes, 19 anos, coordenador do micro-projeto premiado Rabetas Videos. “O amor de cada família nos segurou quando experimentamos novas comidas e costumes. Emprestou roupas de frio e ampliou nossa experiencia de vida. Eu e Pablo tivemos sorte, hospedados em uma família libanesa com um pai que fala português. Mas as outras famílias, de Costa Rico, Peru, Equador, Guatamala, El Salvador, Colombia e Mexico falavam espanol, a lingúa principal das grandes cidades. Quando nosso pessoal enfrentou dificuldades de comunicação, pegaram Google Tradutor e pronto, improvisaram. Fomos bem preparados pelo projeto com um processo de formação em inglês, filmes sobre a realidade escondida de jovens da América Latina lutando para entrar e sobreviver nos EUA. A convivência foi nossa grande professora.”

 

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