Celebramos Maria da Silva e Dia da África com teatro e dança na praça!

Rios de Encontrou dedicou o final da semana passada à apresentação de dois espetáculos estrelados na sua turnê recente nos EUA. A partilha dos frutos de seis meses de pesquisa e criação coletiva para sua própria comunidade de Cabelo Seco coincidiu com a celebração da vida da grande arte educadora, Maria Silva, assassinada no dia 24 de maio de 2011, e do Dia da África, continente berço do bairro afro-descendente matriz da cidade de Marabá.

Sensibilizada pela Mãe Terra, Camylla Alves implora Rafael Varão e os jovens permanecer na sua comunidade de Cabelo Seco, no espetáculo 'Deixa o Nosso Rio Passar!'.

Sensibilizada pela Mãe Terra, Camylla Alves implora Rafael Varão e aos jovens permanecerem na sua comunidade de Cabelo Seco, no espetáculo ‘Deixa o Nosso Rio Passar!’.

No espetáculo ‘Deixa o Nosso Rio Passar!’, danças paraensas apresentadas pela ‘Compania AfroMundi’ e micro-projeto ‘Ruas Dançantes’ e impulsionadas pelas percussionistas das Latinhas de Quintal, motivam a Mãe Terra acreditar no poder dos jovens artistas de Cabelo Seco criarem uma intervenção de raiz para salvar o Rio Tocantins da sedução do Boto que oferece água, luz, ar condicionado e casas para todos. No palco, sensibilizada num ensaio de ballet, a Camylla Alves descobre o poder da dança afro-contemporânea para escutar a Mãe Terra e motivar outros jovens repensar sua decisão de mudar para moradas novas e permanecerem no seu bairro histórico para defender a beleza e a vida da Amazônia.

“Em realidade, começamos nossa autopesquisa”, explica Camylla, “através das músicas do mestre Zequinha, quando iniciamos o projeto Rios de Encontro em 2008. Assim, começamos a resgatar nossas raízes e a nos reinventar. Mas fomos inspirados pelas mulheres e homens de nossa Amazônia, Maria Silva, Zé Claudio e Chico Mendes, para transformar projetos de morte como a hidrelétrica, em projetos de vida, como energia solar!”.

“Na cena final”, explica Rafael Varão, co-coordenador do micro-projeto Folhas da Vida que cultiva bibliotecas familiares, “todos nós largamos nossa comunidade ancestral, enganados pelo ladrão de sonhos, acreditando que o melhor está disponível lá fora. Foi tão difícil atuar aquela cena quando a gente sai com a mala. Sentimos tanta emoção, em particular frente à nossa própria comunidade que está vivendo a pressão de sair todo dia!”

A cena culmina com os 12 jovens cantando a música ‘Pare o trem, por favor, eu quero descer’, escrita por Zequinha em 2014, e tocando o agogô, símbolo no espetáculo da devastação das grandes florestas de Castanhanheiras mas também da capacidade de ouvir a Mãe Natureza e da opção de cuidar dela, virando as costas ao imediatismo, corrupção e ‘ganância dos gigantes’.

“Nossa praçinha lotou”, emocionou Zequinha, “com moradores, adultos, jovens e crianças, professores e empresários da cidade e até com artistas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo pesquisando a guerilha do Araguaia. Graças à coragem de nossos jovens, fruto de sete anos de determinação para não serem derrubados pelo cinismo e ciúmes da minoria, é possível acreditar nas alternativas de energia solar. Diante da ameaça de secas, que aparece no espetáculo, espero que nosso povo possa acordar a tempo.”

João Paulo Souza, Lorena Melissa e Camylla Alves da Cia AfroMundi apresenta 'Lágrimas Secas' na feirinha da Praça Duque de Caxias.

João Paulo Souza, Lorena Melissa e Camylla Alves da Cia AfroMundi apresentam ‘Lágrimas Secas’ na feirinha da Praça Duque de Caxias.

A Cia AfroMundi acordou cedo no domingo para reapresentar seu novo terceiro espetáculo ‘Lágrimas Secas’ na nova Feira de Artesanato da praça Duque de Caxias, na Velha Marabá.

“Esta obra amazônico-contemporânea motivou diversos públicos em New York em abril a perguntar, o que podemos fazer?”, comentou Dan Baron, membro da coordenação do projeto Rios de Encontro. “Duvidei que uma platéia de famílias e crianças iam assistir uma obra tão séria num domingo. Ela dramatiza o Rio Tocantins pegando fogo, o imaginário contemporâneo juvenil da região, uma alerta a favor de energia solar. Mas a platéia ficou fascinada e depois conversou com os jovens. Parabenizamos a SEMAC pela iniciativa da faira e pelo espaço de debate a partir da cultura.”

Nájila Rachid Marina da SEMAC recebe o calendário 2015 do Rios de Encontro da Cia AfroMundi.

Nájila Rachid Marina da SEMAC recebe o calendário 2015 Rios de Encontro da Cia AfroMundi.

A Nágila Rachid Marina, Secretária da Ação Comunitária, Trabalho e Cidadania encerrou a apresentação de ‘Lágrimas Secas’ elogiando Rios de Encontro. “Acompanho cada matéria sobre este projeto e parabenizo estes jovens que não só levam nossa cultura paraensa para outras regiões e países, mas têm uma consciência ecológica avançada e corajosa. Nosso espaço é sempre aberto à vocês!.”

Rios de Encontro entra agora num intervalo de pesquisa e reflexão e volta em julho com o Festival de Verão de sua Universidade Comunitária dos Rios.

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