Idealizamos ‘pororoca de solidariedade’ para preservar Pedral do Lourenção

Erik Dijkstra e Simone Fortes do Coletivo Abayome celebram uma noite de dança-percussão afro com artistas de AfroMundi, AfroMundi Mirim, Tambores da Liberdade, Rabetas Vídeos, Folhas da Vida e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará.

Erik Dijkstra e Simone Fortes do Coletivo Abayome celebram uma noite de dança-percussão afro com artistas de AfroMundi, AfroMundi Mirim, Tambores da Liberdade, Rabetas Vídeos, Folhas da Vida e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará.

O projeto eco-cultural e socioeducativo, Rios de Encontro, realizou em Cabelo Seco nesse final da semana uma segunda reunião de gestores nacionais da Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA), com a participação da coordenação de Cultura da Proex-Unifesspa, numa vivência no Pedral do Lourenção, para idealizar o Festival Beleza Amazônica que vai acontecer em novembro de 2016. Na sua quinta edição, o Festival possa contar com a participação simultânea de mais de 40 países.

Artistas de AfroMundi, Tambores de Liberdade, Folhas da Vida e Rabetas Vídeos apresentam raízes de Cabelo Seco na pracinha.

Artistas de AfroMundi, Tambores de Liberdade, Folhas da Vida e Rabetas Vídeos apresentam raízes de Cabelo Seco na pracinha.

O encontro da coordenação nacional da ABRA começou na noite do dia 27 de julho com a festa de encerramento de uma semana de formação em dança-percussão afro-raiz para os jovens coordenadores da Cia AfroMundi, Tambores da Liberdade, biblioteca Folhas da Vida e Rabetas Vídeo Coletivo, e gestoras da Unifesspa. Mais de 150 moradores, artistas, gestores e colaboradores assistirem os 20 integrantes das oficinas apresentarem coreografias de Guiné Bissau e danças afro-brasileiras que culminaram em uma ciranda aberta de dança afro. “Moradores da comunidade que nunca haviam dançado Afro-Raiz se integraram nas quintas gerações presentes na roda”, sorriu Camylla Alves, coordenadora da AfroMundi, que se integrou também nos ritmos de percussão. “Com a residência, realizamos oito anos de sonho. Resgatamos as raizes de todos nós, sem palestra, sem exclusão de ninguém. Foi uma noite histórica!”.

Daniela da Silva, geógrafa universitária, jovem liderança do movimento Xingu Vivo para Sempre, deslocada pela invasão da hidrelétrica Belo Monte, participa na entrevista coletiva sobre a visão e objetivos do V Festival Beleza Amazônica.

Daniela da Silva, geógrafa universitária, jovem liderança do movimento Xingu Vivo para Sempre, deslocada pela invasão da hidrelétrica Belo Monte, participa na entrevista coletiva sobre a visão e objetivos do V Festival Beleza Amazônica.

Para Daniela Silva (22 anos) do movimento Xingu Vivo Para Sempre, que recepcionou os jovens coordenadores de Rios de Encontro em Altamira em maio, a festa de Afro-Raiz foi exemplar. “Sou jovem negra liderança, lutando para preservar o Rio Xingu. Cheguei para alertar Marabá ficar ligada sobre as falsas promessas das mineradoras e governantes. Fiquei emocionada ver crianças de AfroMundi Mirim dançando com tanta autoconfiança e afirmação de sua identidade, na praça! Rios de Encontro já inspirou nosso movimento. Agora, junto com ABRA, vai contagiar o mundo com seu Festival Beleza Amazônica nas redes sociais. Foi uma honra para mim ser convidada para idealizá-lo.”

Ulisses Pompeu conta a história do Pedral de Lourenção a gestores do Rios de Encontro, ABRA e Unifesspa numa 'roda fluvial' no Rio Tocantins.

Ulisses Pompeu conta a história do Pedral de Lourenção a gestores do Rios de Encontro, ABRA e Unifesspa numa ‘roda fluvial’ no Rio Tocantins.

Junto com coordenadores de cultura da Proex-Unifesspa, Pontão de Cultura baiano, Thydewa, Fotoativa e Humanas Tradução de Belém, e arte educadores da Organização Multirão da Meninada de Minas Gerais, da Economia Solidária de Santa Catarina e da TV Ovo Comunitária do Rio Grande do Sul, Daniela participou numa vivência no Pedral do Lourenção no Rio Tocantins. Os 12 gestores experimentaram com ‘esculturas humanas’, filmadas com drone pela equipe do jornalista Ulisses Pompeu, para imaginar possíveis intervenções com todos os participantes em novembro.

Gestores do Rios de Encontro, ABRA e a Unifesspa escrevem com seus corpos sua 'colaboração pela vida' no Pedral do Lourenção.

Gestores do Rios de Encontro, ABRA e a Unifesspa escrevem com seus corpos sua ‘colaboração pela vida’ no Pedral do Lourenção.

“Visitando a beleza do Pedral do Lourenção me tocou profundamente”, explicou Gabriela Machado de Juiz de Fora, Minas Gerais, numa entrevista na Rádio Itacaiúnas no sábado com Daniela. “O Rio Paraibuna que perpassa Juiz de Fora recebeu Marmelos, a primeira hidrelétrica na América do Sul, em 1889. Hoje o rio é envenenado, morto, sem peixe. É uma tecnologia pré-histórica que países informados com direitos humanos já substituíram com energias limpas e inteligentes. Alistamos projetos de futuros sustentáveis para interagirem em novembro com comunidades e escolas, em Marabá, para transformar a cidade em um fórum de debate, através das artes.”

Gestores e gestoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia e Pará estudam a proposta artístico-pedagógica do Festival Beleza Amazônica 2016.

Gestores e gestoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia e Pará estudam a proposta artístico-pedagógica do Festival Beleza Amazônica 2016.

ABRA dedicou três dias inteiros, idealizando uma proposta para o Festival Beleza Amazônica 2016 que contempla todas os projetos inovadores de Rios de Encontro e idéias das rodas realizadas em Marabá, e integra centenas de ‘projetos pela vida’ do mundo, recebidos por streaming. Estarão presentes também projetos de economia colaborativa, reciclagem de lixo e energia solar (Santa Catarina), escolas sem provas e paredes (Minas Gerais), celulares verdes (Bahia), estudos linguísticos através de filme e canto, e urbanismo ambiental (Pará), TV comunitária e formação infantil (Rio Grande do Sul), bibliotecas na praça (Minas Gerais e Ceará), junto com histórias da vida virtuais de centenas de outros ‘projetos pela vida’ dos países nórdicos, asiáticos, latinos, africanos e europeus. Assim, ABRA espera que as comunidades de Marabá possam se vivenciar como ‘um município inteligente’.

Uma roda de sonhos no nosso Barracão de Cuktura.

Uma roda de sonhos no nosso Barracão de Cuktura.

“Além desta convivência”, explica Dan Baron, coordenador da articulação internacional, “milhares de comunidades, redes, e movimentos no mundo vão realizar ações fluviais que estarão postadas no YouTube e Facebook, para gerar uma pororoca de solidariedade com o Pedral do Lourenção, que defendem o Rio Tocantins e a Amazônia inteira. Vamos receber dentre os principais mestres indígenas, cientistas ambientais, economistas, pedagogos, cineastas, artistas, jornalistas e gestores de micro-crédito e moeda comunitária do mundo para compartilhar seus conhecimentos. Amazônia não pode tornar-se uma fábrica de morte, um deserto de lixo, um exportador de pragas e doenças. Juntos, vamos desmentir a crença que estas grandes obras são inevitáveis e mostrar que o futuro é aberto.”

A Rede Brasileira de Arteducadores escreve uma mandala 'círculo de proteção' no Pedral do Lourenção.

A Rede Brasileira de Arteducadores escreve uma mandala ‘círculo de proteção’ no Pedral do Lourenção.

O encontro da ABRA encerrou com unidade sobre a marca do festival em novembro. “O Festival Beleza Pan-Amazônica 2016 terá as crianças na frente, coordenadas por jovens”, disse Daniela. “Vamos deixar o futuro cantar e encantar!”

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