Festival da pipa 2016 se transforma em ação criativa mundial

Uma das oficinas de criação coordenada de Alanes Soares da biblioteca Folhas da Vida que integram cooperação, respeito pelo outro, troca de histórias e criação de comunidade, no Festival de Pipa 2016.

Uma das oficinas de criação coordenada de Alanes Soares da biblioteca Folhas da Vida que integram cooperação, respeito pelo outro, troca de histórias e criação de comunidade, no Festival de Pipa 2016.

A biblioteca Folhas da Vida, do Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo, enraizado na comunidade Cabelo Seco, realizou seu terceiro Festival da Pipa, no sábado passado, dia 06 de agosto. A participação de mais de 60 crianças e adolescentes do bairro, coincidiu com a notícia de que suas duas últimas edições estão recebendo mais de 40.000 visitações por semana no seu canal do YouTube, e já ultrapassam 460.000 leitores.

Rerivaldo de Rabetas Vídeo Coletivo filma o processo.

Rerivaldo de Rabetas Vídeo Coletivo filma o processo.

“Este festival foi completamente diferente do que em 2014 e 2015”, disse Alanes Soares, coordenadora da biblioteca Folhas da Vida e uma das rodas de criação. “No primeiro ano, tivemos mais participação de adolescentes, levando pipas até uma balsa no Rio Tocantins para o proteger e comunicar ao mundo ‘deixa nosso rio passar’. No segundo ano, ficamos surpresos com o grande número de crianças, participantes da Escola AfroMundi de Dança, da biblioteca e do Cine Coruja, com jovens cuidando delas e as ajudando a fabricar e empinar pipas. Neste ano, as crianças se dividiram, meninas curtindo mais o processo de criação em grupo, e meninos se dedicando à empinar suas pipas no céu da Orla.”

Roseane coordena sua primeira roda de criação

Roseane coordena sua primeira roda de criação

Manoela Souza, coordenadora do festival junto com os jovens coordenadores do projeto, destaca as qualidades que unem as edições. “Todos os anos, anotamos concentração, cuidado com o outro, apoio solidário e, sobretudo, a vontade de dedicar horas, fabricando esta tecnologia antiga, na beleza às margens do Tocantins. Este ano, os jovens da comunidade em maior risco realmente deram uma força imensa, coordenando a produção de talas artesanais e orientando crianças, com a maior calma e paciência. Realmente, é um processo juvenil auto-gestionado, que afirma a cultural ribeirinha da comunidade.”

Crianças na Orla do Rio Tocantins admiram um sensibilidade ambiental intuitiva no Festival da Pipa 2016 que será ampliada em ação mundial em novembro de 2016.

Crianças na Orla do Rio Tocantins admiram um sensibilidade ambiental intuitiva no Festival da Pipa 2016 que será ampliada em ação mundial em novembro de 2016.

“Temos que pensar porque nossos dois vídeos do festival da pipa no YouTube tem tanta popularidade”, reflete Dan Baron, coordenador pedagógico do projeto. “Percebemos que um festival na beira de um rio amazônico demonstra uma beleza e capacidade infantis de ler e escrever sonhos de liberdade nos ventos e no céu, uma alfabetização ecológica intuitiva. Mas observando desde as crianças mais novas até os jovens mais espertos fabricando pipas, percebemos além do aprendizado de autonomia e cooperação, o processo de criar comunidade. Existe o extraordinário conjunto do olhar concentrado, da mão e da mente em sincronia, para realizar uma ideia nova, do zero, em um sonho existencial.”

Uma Orla de amizade, brincadeira e beleza, sem invasão industrial (ainda!) que mudará tudo.

Uma Orla de amizade, brincadeira e beleza, sem invasão industrial (ainda!) que mudará tudo.

“Cada escola pode realizar seu festival da pipa, junto com a comunidade”, propõe Dan. “Em contraste com o consumo do já feito no celular ou no vídeogame, isolado e em silêncio, com as pipas cada criança está criando e co-criando um ambiente pedagógico, e produzindo um brinquedo, se admirando e admirando outros, em grupo, desenvolvendo alfabetizações física, matemática, plástica, motora, estética, social e até emocional, na sua primeira infância. Enraizado na cultura popular, a criação da pipa na briza e no sol, é uma complexa pedagogia rica, que manifesta e cultiva sensibilidade ecológica amadurecida para se transformar em consciência socioambiental. Vamos ampliar isso como ação criativa aqui e em 40 paises no nosso encontro mundial, Rios de Criatividade’, em novembro de 2016, para preservar os Pedrais do Lourenção e os ventos das chuvas que levam o rio invisível no céu amazônico, ao mundo.”

Finalmente, Camilo solta sua pipa. Filho do Rio Tocantins, ele sabe como ler o vento e a água. Ele não vai deixar o rio morrer.

Finalmente, Camilo solta sua pipa. Filho do Rio Tocantins, ele sabe como ler o vento e a água. Ele não vai deixar o rio morrer.

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