Marabá pode tornar-se uma cidade sustentável do futuro

Liderança Mundurucu denuncia a violência contra a vida planetária da política energêtica da hidrelétrica atual.

Liderança Mundurucu denuncia a violência contra a vida planetária da política energêtica da hidrelétrica atual.

Dan Baron, da coordenação do projeto eco-pedagógico e socioeducativo Rios de Encontro, voltou nesta quinta feira depois de três dias em Brasília, onde participou num seminário sobre ‘Hidrelétricas na Amazônia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos’, promovido pela Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, Ministério Público Federal e pelas ONGs International Rivers, Greenpeace, Xingu Vivo e pela Aliança dos Rios da Pan-Amazônia, Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social e Frente por uma Nova Política Energética.

Dan Baron apresenta Rios de Criatividade ao Congresso, que valoriza a relação entre pedagogias criativas e cidades sustentáveis.

Dan Baron apresenta Rios de Criatividade no Congresso, que valoriza a relação entre pedagogias criativas e cidades sustentáveis.

“O seminário foi excelente”, disse Dan Baron, na sua volta à Marabá. “Aprendi muito com os depoimentos corajosos e lúcidos dos povos indígenas ribeirinhos dos Rios Madeira, Xingu, Tapajós, Teles Pires, Juruena e Tocantins. As mulheres indígenas, em particular do Povo Mundurucu que recentemente conseguiu parar a construção da hidrelétrica no Rio Tapajós, transpareceram com indignação calma, sabedoria ecológica e compromisso com a sustentabilidade comunitária e do planeta tanto a impotência e cumplicidade com ecocídio do gestor do IBAMA e do assessor especial da Gestão Socioambiental do Ministério de Minas e Energia, quanto à violação dos direitos humanos pelo Gerente, abuso de recursos públicos e descuido ambiental do Coordenador de Direitos Humans do banco BNDS. Todos ficaram incapazes de responder aos relatos de destruição ambiental, violação dos direitos humanos, e da epidemia de fome, doença, assalto, estrupo, morte de jovens e prostituição que promessas não cumpridas de emprego e condicionantes (construção de moradia de relocalização, sistema de saneamento básico, escola e hospital públicos).”

Brent Millikan, Diretor da ONG International Rivers que co-promoveu o Seminário, dimensiona a escala da ameaça à Amazônia durante os debates no Congresso.

Brent Millikan, Diretor da ONG International Rivers que co-promoveu o Seminário, dimensiona a escala da ameaça à Amazônia durante os debates no Congresso.

‘Depois das Inundações’, o documentário independente sobre a hidrelétrica Belo Monte, lançado na abertura do seminário, confirma este cenário trágico e será projetado no Festival Beleza Amazônica, na presença de cientistas mundiais sobre Amazônia. “Marabá tem o direito de saber os fatos e conhecer outras opções”, afirma Dan Baron, “para escolher o melhor futuro possível, baseada em informação e debate inteligente.”

Atriz Maria Paula apresenta lideranças do movimento Xingu Vivo e dos povos indígenas da região destruída pela hidrelétrica Belo Monte no final da apresentação do filme 'Depois das Inundações'.

Atriz Maria Paula apresenta lideranças do movimento Xingu Vivo e dos povos indígenas da região destruída pela hidrelétrica Belo Monte no final da apresentação do filme ‘Depois das Inundações’.

Dan Baron destacou a suprema importância da apresentação detalhada sobre a Lei 13.334 de 2016. “Os próprios expertos presentes ficaram assustados pelos detalhes da lei aprovada pelo governo ilegítimo atual a poucos meses. Num retorno à política da ditadura militar, substitua os princípios de cuidado ambiental e consulta previa dos povos ribeirinhos (em particular, povos originários e tradicionais) na Constituição brasileira com a implantação e operação do empreendimento, sem qualquer amarra, em nome da Suspensão de Segurança e desenvolvimento. Esta industrialização autoritária e catastrófica da Amazônia gera energia ineficiente, que nem alcança o povo (que ainda paga talão de luz mais caro no país), foi denunciada como roubo e irresponsabilidade criminais pelos deputados federais Arnaldo Jody de Belém e Nilto Tatto. A hidrelétrica pertence a um modelo esgotado, já descartado por países avançados no mundo. Os parceiros do Rios de Encontro já abraçaram opções energéticas (solar) que priorizam o sustento da vida da população de Marabá e do povo brasileiro.”

AfroMundi dramatiza temas como poluição do Rio Doce e questões de aquecimento global no espetáculo 'Nascente em Chamas' no Teatro Waldemar Henrique em Belém na semana passada.

AfroMundi dramatiza temas como poluição do Rio Doce e questões de aquecimento global no espetáculo ‘Nascente em Chamas’ no Teatro Waldemar Henrique em Belém na semana passada.

No seminário, Dan Baron explicou como as artes, praticadas por jovens de bairros populares, podem fazer a diferença em comunicar estas opções sustentáveis, popularizando pesquisa científica e sensibilizando todos sobre escolhas da espécie humana. “O Seminário elogiou nossos jovens arte educadores e gestores do Rios de Encontro,” disse Dan, “por sua consciência ecológica, atitude de não aceitar patrocínio da Vale ou qualquer indústria ou político, implicados na destruição da Amazônia. Temos que lembrar que vivemos na Amazônia, o bioma que irriga e sustenta todos os ecossistemas do mundo.”

Cientista mundial Professor Lola explica à jovem video-maker e percussionista, Rerivaldo Mendes, como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo, para popularizar pesquisa e contribuir a debates inclusivos.

Cientista mundial Professor Lola explica à jovem video-maker e percussionista, Rerivaldo Mendes, como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo, para popularizar pesquisa e contribuir a debates inclusivos.

No final do Seminário no Congresso, Dan anunciou ao plenário lotado que, num encontro paralelo da Aliança Mundial pela Arte Educação sobre educação pela sustentabilidade acontecendo em Guangzhou na China, recebeu uma mensagem celebrando Cabelo Seco por seu cuidado exemplar. “A própria China já reconhece os impactos ambientais positivos da energia solar. O Brasil tem esta opção política e ética, e Marabá pode se tornar uma cidade do futuro exemplar. Vamos todos debater isso durante o Festival Beleza Amazônica, na semana que vem.”

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