O pororoca cultural de solidariedade mundial surge em Cabelo Seco

Reunião de arteducadores no departamento de teatro na Universidade Tecnológica de Auckland para pesquisar e cicatrizar passados e criar futuros de Nova Zelândia.

Rios de Encontro, o instituto eco-cultural e socioeducativo enraizado em Cabelo Seco desde 2008, voltou na segunda passada de três semanas de palestras, oficinas e colaborações iniciais em Austrália e Nova Zelândia. Seu atual projeto internacional, Rios de Criatividade, dá continuidade em Cabelo Seco com a visita de Dr Tom Willems da Academia de Teatro e Dança na Universidade das Artes de Amsterdã, no dia 4 de junho, para realizar uma residência de arte educação que impulsionará ainda mais a onda de solidariedade mundial com Amazônia, em defesa dos Pedrais do Lourenção.

AfroRaiz apresenta na primeira residência do Rios de Criatividade.

Rios de Encontro encerrou a primeira residência cultural com Lukas Reuss da Berlim, Alemanha, no final de abril, realizando apresentações ‘Berlim-Marabá: em busca de futuros sustentáveis’, apoiadas pelo jovem Coletivo AfroRaiz. Em seguida, Dan Baron e Manoela Souza, gestores de Rios de Encontro, viajarem para Austrália, para formar 51 pesquisadores de Mestrado em Economia Cultural e 06 pesquisadores de pós doutorado em Estudos de Performance, na Universidade Monash.

Dança da Vida com estudantes de Economia Cultural na Universidade de Monash, Australia.

“Melbourne é considerada a cidade mais avançada em bem viver no mundo”, disse Manoela Souza, “e tem uma qualidade de vida excepcional. Mas esta vida ‘branca’ falta de comunidade, e custou a destruição dos rios e da Grande Barreira de Coral, maior biodiversidade de corais no mundo, gerando secas, ciclones e medo de prejudicar conforto. Porém, colaboramos com arte educadores corajosos na Universidade de Monash e com lideranças aboríginas, cujos projetos alternativos reconhecem a importância mundial da Amazônia.”

Artistas aborigines Elaine e Angelina, com Stuart Grant da Universidade de Monash, com Mano Souza.

Em Nova Zelândia, retomaram colaborações com três universidades parceiras e a Escola Pública Puya, Maori, iniciadas durante o festival O Rio Fala 2016, em Auckland. Reencontraram os Maori, o povo indígena mais avançado no mundo, conhecido por sua dança milenar, a Haka, que protege a ética da vida.

Victor da AUT mostra o mapa da comunidade nas cravadas narrativas de madeira numa marai (casa da cultura) do povo Maori.jpg

Os jovens do Coletivo AfroRaiz do Rios de Encontro foram convidados para visitar os dois países em 2018, para fortalecer pontes culturais e educativas entre o continente pacífico e Amazônia. Nesta semana, os jovens estão preparando uma programação de oficinas, rodas e uma bicicletada, em pareceria com a Rede Brasileira de Arteducação (ABRA) e Unifesspa, aberta a Marabá, para afirmar o Dia Mundial do Meio Ambiente, dia 5 de junho. Victor da AUT (Universidade Tecnológica de Auckland) mostra o mapa da comunidade nas narrativas cravadas em madeira numa ‘marai’ (casa da cultura) do povo Maori.[/caption]

“Lembraram do espetáculo ‘Nascente em Chamas’ de Camylla Alves de AfroMundi, em 2016” disse Dan Baron, “e recepcionaram o hino de Cabelo Seco cantado por Manoela com lágrimas solidárias. Seu Rio Omaru também está morrendo, mas seus jovens estão o cicatrizando, a partir de seu orgulho indígena. As identidades Maori, Samoa e Pacífica são abraçadas pelos cidadãos com aparência mais européia!

Mano celebra as narrativas Maori nas estatuas e paredes da ‘Marai’ que tem uma simbologia milenar e contemporânea.

Fomos integrados com rituais e línguas resgatadas, mas bem contemporâneas, que enraízam a vida de bem viver em leis e direitos ambientais, protegidos pela biossegurança mais rigorosa no mundo. Nova Zelândia nunca teria permitido a votação da Medida Provisória 759/16 de anteontem que acabou com a regularização da Amazônia Legal. Em nossas oficinas, crianças, jovens, comunidades e universidades se comprometeram em participar em nossa ‘pororoca solidária cultural’ em defesa da Amazônia e Brasil.”

Educador Maori, Tamati, coordenador do Festival ‘O Rio Fala’ explica o projeto da Escola Puya que embeleza esgotos com lendas indígenas na educação ecológica.

“Tom Willems é um arte educador mundial”, disse Elisa Neves (20), percussionista do Coletivo desde as Latinhas de Quintal em 2008, “que vai ajudar impulsionar nossa pororoca de solidariedade, rumo ao Fórum de Bem Viver que vamos realizar em julho. Ele vai vivenciar tudo! Os efeitos da violação dos direitos de professores em Marabá, do massacre de lideranças, indígenas e trabalhadores no Pará, e das leis corruptas no Brasil, para alertar redes de mais de 40 países no mundo. Se nossos depoimentos artísticos ressonarem na voz dele, o mundo terá mais interesse de clamar na defesa de nosso Rio Tocantins!”.

Dan Baron e Mano Souza se despedem do grupo Environment Protection Authority (EPA) em Melbourne depois de uma troca de oficinas.

Os jovens do Coletivo AfroRaiz do Rios de Encontro foram convidados para visitar os dois países em 2018, para fortalecer pontes culturais e educativas entre o continente pacífico e Amazônia. Nesta semana, os jovens estão preparando uma programação de oficinas, rodas e uma bicicletada, em pareceria com a Rede Brasileira de Arteducação (ABRA) e Unifesspa, aberta a Marabá, para afirmar Dia Mundial do Meio Ambiente, dia 5 de junho.

Qualquer pessoa que queira colaborar na criação da Pororoca Cultural Solidária pode visitar o site http://www.riosdecriatividade.com.

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