Caravana Bem Viver 2019 : solidariedade com Amazônia em chamas

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A comunidade abraça pipas que defendem Amazônia

Intensas queimadas na região criam um debate popular na Orla durante o Festival sobre a necessidade de fortalecer politicas de educação e preservação ambientais.

No sábado dia 10, o projeto eco-cultural e socioeducativo, Rios de Encontro do bairro Cabelo Seco, realizou seu 5º Festival da Pipa na Orla da comunidade, em defesa do Rio Tocantins e da Amazônia. Mais de 120 crianças e jovens participaram, com apoio de pais, professores e cientistas. Na mesma tarde, o Projeto antecipou o festival com uma dedicação à Amazônia na WeRadio Líder, citando as dezenas de mensagens internacionais recebidas, denunciando a ameaça atual aos ‘rios voadores’ das florestas que levam chuva ao mundo.

Antônio Soares, reconhecido com um grande criador de pipa na comunidade, prepara sua defesa do Rio Tocantins. Sua pipa foi escolhida para embelezar a turnê.

“O Festival da Pipa foi idealizado em 2015 para celebrar a ciência ribeirinha infantil e adolescente de Cabelo Seco e Marabá”, disse Dan Baron, coordenador eco-pedagógico do Rios de Encontro. “Cinco anos e mais de 4 milhões de visualizações no YouTube de nossos videos sobre os festivais de pipa depois, reconhecemos essa atividade como um dos mais importantes de nosso ano, em busca de um novo paradigma de educação pela sustentabilidade”.

Dois adolescentes cooperam na produção de uma pipa, se dedicando com concentração no ambiente comunitário da Casa dos Rios, sem supervisão ou notas disciplinares.

“A criação e sustento da pipa no céu, vai muito além de brincar”, disse Zequinha Souza, co-fundador de Rios de Encontro e morador. “Implicam cálculos matemáticos e físicos, cuidado com a engenharia e a dedicação estética, tanto na idealização, quanto na leitura de seu movimento, para navegar os ventos.”

A precisão cientifica combina com experiência formadora de auto-determinação num ambiente de respeito e cuidado coletivo.

“O Coletivo AfroRaiz também cresce com os processos de coordenação eco-pedagógica nos últimos 5 anos”, disse Manoela Souza, gestora do projeto, “criando um ambiente na Casa dos Rios de apoio, cooperação entre faixas etárias, gerações, gêneros, raças e classes sociais, autodeterminação e autonomia. Os jovens arteducadores realmente atuaram como um coletivo, entendendo cada fase, e admirando o resgate e beleza da comunidade, ameaçada pelo celular viciante, isolador e invasivo em cada mão.”

A Professora Doelde da escola Irmã Theodora volta para participar numa eco-pedagogia popular que encanta seus alunos.

A Universidade de Oxford da Inglaterra encomendou um vídeo bilíngue com Rerivaldo Mendes de Rabetas AudioVisual, em 2017, para internacionalizar o potencial acadêmico e formador da Pipa. “Reris gosta de documentar o processo”, comentou Dan Baron. “Além da beleza da pipa e das técnicas de navegar, a Casa dos Rios, as ruas e a Orla do bairro e suas casas, pulsam com cooperação, conversa, comunidade, aprendizado, e conhecimento popular.”

A Casa dos Rios lota com crianças e jovens buscando espaços de liberdade e comunidade, numa época de isolamento virtual.

Na entrevista com Rigler Aragão, Dan Baron relacionou o Festival da Pipa com a turnê europeia de um novo espetáculo, ‘Rio Voador’ que Rios de Encontro apresentará na Áustria, Alemanha, Polônia e Bélgica, durante dois meses, a partir do 05 de setembro, Dia de Amazônia. “É insuficiente denunciar o desmatamento na Amazônia do mês passado, que aumentou 278% em comparação com julho de 2018, por o governo que está acabando com a maior e mais antiga tecnologia no mundo, e seus guardiões indígenas, em nome de desenvolvimento.”

AfroRaiz relaxa na Orla depois de um dia concentrado de cuido pedagógico invisível.

“AfroRaiz está viajando para defender Amazônia. Mas também incentivará escolas, universidades, redes e ONGs colaborarem nas áreas de energia solar, plantas medicinais e hortas comunitárias, aqui na Amazônia. Já estamos praticando estes projetos alternativos como base de educação pela sustentabilidade, enraizada na cultura popular, vislumbrando uma ecologia de bem viver, para todos. Vamos levar pipas de sábado ao palco do Parlamento Europeu”.

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Raizes de Autonomia

Fábio Rógerio da SEMED escuta os jovens do Coletivo AfroRaiz refletem sobre o projeto piloto Raizes de Autonomia.

Nessa semana, o projeto eco-cultural e socioeducativo, Rios de Encontro do bairro Cabelo Seco, realizou uma avaliação do seu projeto eco-pedagógico ‘Raízes de Autonomia’ com Fábio Rogério, Diretor do Ensino Urbano da SEMED. O Festival de Verão nesse final da semana praticará os mesmos valores, e os resultados fazem parte da preparação para a Turnê Europeia que o projeto realizará em Setembro e Outubro deste ano para promover eco-pedagogia como uma base chave para defender Amazônia, no Brasil e no mundo.

Mano Souza, gestora cultural do projeto, explicou como o projeto piloto foi idealizado para cultivar autonomia nos jovens oficineiros, e raízes afro-amazônicas em quatro escolas parceiras, através de dois meses de oficinas de dança, percussão, flauta e vídeo e criação de hortas com plantas medicinais. “A roda foi sensacional”, afirmou Fábio Rogério, Diretor de Ensino na SEMED. “Os depoimentos do AfroRaiz tem autoridade e sensibilizam porque refletem uma década de experiência própria de como superar os desafios na educação e nas famílias excluídas. É evidente que Rios de Encontro oferece uma formação que cultiva escuta com respeito, protagonismo juvenil, integração das artes como métodos encantadores de aprendizado e ensino, e compromisso com direitos humanos. Vamos integrar essas práticas na formação de nossos professores”.

AfroRaiz e AfroConnect se apresentam juntos na escola Irmá Theodoro, Marabá.

A Ligia Amaral da Escola Irmã Teodora elogiou os 2 meses de oficinas que fortaleceram o Projeto Conexão Afro já existente na escola. Mas acabaram contagiando a escola inteira. “De repente, alunos abraçaram seus cabelos cacheados e suas raízes afro através da dança e percussão, capazes de explicar que macumba é um instrumento africano com séculos de civilização, e não algo ruim. Respeito pela diversidade e liberdade de ser, viraram cultura do patio. AfroRaiz tocou esses questões com cuidado nas oficinas no quadro e apresentações na praça. E formou um coletivo na escola, capaz de sustentar o projeto com autonomia.”

Camylla Alves de AfroMundi coordena uma oficina de dança afro na Escola Irmã Theodora.

As diretoras das Escolas Darcy Ribeiro, Basílio Miguel e Paulo Freire destacaram o significado pedagógico de jovens arte educadores capazes de empatizar com alunos desmotivados, deprimidos e até se mutilando. Reconhecerem o potencial das artes para lidar com questões sensíveis de raça e gênero, e motivar alunos estudarem ciência, geografia e história e saúde integral, através da horta medicinal.

Katrine Neves, Camylla Alves, Rerivaldo Mendes, Evany Valente, Emmily Neves e Elisa Dias de AfroRaiz completaram a roda com seis depoimentos bem pessoais e detalhados que valorizaram a auto-aceitação cultural, paciência na transformação de preconceitos culturais, e criação de pedagogias com crianças. Porém afirmaram a importância de espaços adequados na escola para criar estes ambientes de descolonização e vida sustentável.

Manoela Souza convidou as diretoras e a SEMED participarem no 5º Festival de Pipa, neste sábado. “Usamos a criação da pipa tanto como método de desenvolver matemática e física, quanto para valorizar e defender a beleza da Amazônia. Marabá é bem vinda participar nessa eco-pedagogia popular!”

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Gerações em Marabá movimentam o bem viver

O Coletivo AfroRaiz apresenta online às ativistas dos 20 países reunidos na cidade de Wroclaw, Polônia.

Nessa semana, o projeto eco-cultural e socioeducativo, Rios de Encontro do bairro Cabelo Seco contribuiu a eventos inéditos na cidade de Marabá, impactando muito além de sua base comunitária, e transparecendo um destino esperançoso possível para a Amazônia.

Na segunda, quatro jovens artistas do Coletivo AfroRaiz abriram a cerimônia de inauguração das 4 usinas de energia solar do Projeto SINFRA: Gestão com Eficiência Energética, no Campus 2 da Unifesspa. Após a performance Afro-Amazônica, o co-fundador do Rios de Encontro, Dan Baron, informou: “Hoje ativistas de 20 países no mundo, atuando com milhões de jovens do movimento secundarista ‘Sextas pelo Futuro’, estão acompanhando essa inauguração. O mundo está olhando para Marabá hoje, palco em cima do maior depósito de ferro do mundo, no estado com o maior aquífero de água potável, no planeta.”

O Coletivo AfroRaiz abre a Cerimônia de Inauguração com dança-percussão de raiz amazônica.

“Lembro da aula inaugural do Reitor Maurílio Monteiro, quando destacou que Unifesspa não poderia ser comparada com índices de universidades em São Paulo, Cambridge ou New York, não só porque ao longo de séculos faltava um projeto político-pedagógico comprometido com os povos da Amazônia, mas porque Amazônia tem outros saberes, responsabilidades ambientais e potenciais enraizados em sua biodiversidade única no planeta.”

“Em 2017”, continua Dan, “perguntei para o Reitor quanto foi a conta de luz da Unifesspa. Quando respondeu 2 milhões de reais, perguntei porque uma universidade amazônica não tinha nenhuma placa solar, e não era liderança em energias renováveis? Hoje, Unifesspa tornou-se liderança pedagógica mundial. Está gerando esperança para gerações onde o maior bioma no mundo que leva chuva à todos os outros, pode ter um futuro sustentável. Unifesspa virou protetora da maior e mais antiga tecnologia no planeta, a Amazônia!”

O governo assista pescadores e eleitos do município de Novo Repartimento transformando o auditório em palco coletivo! O projeto do DNIT foi reprovado quase unanimemente.

Na noite, Rios de Encontro participou na Audiência Pública no Centro de Convenções sobre o projeto Rio Navegável no Rio Tocantins. “Foi uma aula extraordinária em governança, cidadania e futuros sustentáveis”, reflete Dan Baron. “A empresa contratada e o DNIT apresentaram o Projeto e o relatório sobre seu impacto ambiental. Depois, eles viraram a audiência de pescadores da comunidade Tauiry e do município Novo Repartimento, das comunidades tradicionais, de estudantes do Direito da Terra, de lideranças do Movimento Contra as Barragens e Movimento da Soberania em Mineração, e de cientistas da Unifesspa. As realidades devastadas e ciências amazônicas sensibilizaram os visitantes. Ficamos em debate até 1h30 da madrugada, na falha tectônica entre dois grande projetos opostos, de lucro e de vida.”

Lideranças de 20 países no mundo assistam a apresentação Amazônica em Wroclaw, Polônia.

Na quarta feira, AfroRaiz apresentou sua auto-pesquisa artística as 20 lideranças estrangeiras, reunidas em Polônia, por skype. “Dez anos atrás, nem sabíamos que Marabá fazia parte de Amazônia”, disse Katrine Neves para iniciar o diálogo virtual. “A grande maioria passa fome, tem medo de se manifestar, não acredita na política. Como vão proteger Amazônia?”. O seminário virtual encerrou com projetos solidários propostos pelo futuro.

Em seguida, Cia de Dança AfroMundi, no Coletivo AfroRaiz, coordenou uma micro-oficina de 10 minutos para as 20 lideranças reunidas em Wroclaw.

Katrine Neves relata a situação socioambiental em Marabá, traduzida para uma platéia de lideranças de projetos de 20 países no mundo.

Na quinta-feira, Evany Valente, integrante do Rios de Encontro desde 2009, realizou o seminário ‘Defesa da Amazônia para o Projeto Bem Viver’, junto com seu grupo na Turma de 2019 da História. Na mesma noite, estudantes das Empresas Junior de Engenharia Elétrica e Civil da Unifesspa assinaram um contrato com a gestora Manoela Souza de Rios de Encontro para ativar a micro usina comunitária que abastecerá a Universidade Comunitária dos Rios em Cabelo Seco.

A turma 2019 de História se retrata com Professor Darlan depois do seminário coletivo sobre a Defesa da Amazônia pelo Bem Viver.

“Tenho esperança”, disse Manoela. “Nossas universidades pública e comunitária tem um projeto amazônico na prática.”

Estudantes das empresas júnio de Engenharia Elétrica e Civil assisnam contratos com Manoela Souza na Casa dos Rios.

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Rios de Encontro abre inscrições em Inglês Dialógica pela Vida

O projeto mundial ‘Brave Kids’ vem para Marabá na quarta feira.

O projeto eco-cultural e socioeducativo, Rios de Encontro, enraizado na comunidade Cabelo Seco, convida Marabá participar na sua primeira oficina global virtual, bilíngue, de percussão-dança pela sustentabilidade, no dia 3 de julho as 9h30 na Casa dos Rios, em Cabelo Seco. A oficina lança seu 2º Curso de Inglês Dialógico pela Vida (terças e quintas às 9h-11h), 08 oficinas para qualificar uma turma de 30 participantes acima de 17 anos entender e participar em debates internacionais sobre as questões mais urgentes de nossa época.

Elisa conversa com Agnieszka, coordenadora de Brave Kids, em Wroclaw, no mês passado.

Em resposta à noticia internacional sobre o Projeto proposto Via Navegável do Rio Tocantins: Dragagem e Derrocamento, vinte projetos de ‘Brave Kids’ (Jovens Corajosos) de 20 países no mundo, se organizarem em Wroclow, Polônia, para acompanhar a ‘Audiência Pública’ agendada para dia 01 de julho, no Centro de Convenções em Marabá, e realizar uma oficina virtual com o Coletivo AfroRaiz de arte eco-educadores, aberta à população de Marabá e a região.

Alunas explicam a greve mundial ‘Sextas pelo Futuro’ em Barcelona, no mês passado, no encontro internacional ‘Concertando o Futuro’ que incluiu Elisa Neves e Dan Baron de Rios de Encontro.

“Participei na Reunião Preparatória sobre o Derrocamento do Pedral de Lourenção, na segunda passada”, disse Dan Baron, coordenador de Rios de Encontro, “Foi uma aula sobre desenvolvimento e cidadania. Numa sala apertada na Prefeitura de Marabá, assisti apresentações pelo DNIT sobre o Projeto Via Navegável do Rio Tocantins, e seus impactos ambientais. A autoridade científica do Conselho Municipal do Meio Ambiente e da Professora Cristiane Viera e sua equipe da Unifesspa foi exemplar, e transpareceu o Rio Navegável como primeira fatia do mega-projeto ‘Verticalização do Aço’, do Governador do Pará, a Vale e o Governo da China.”

Elisa Neves ministra uma oficina com a coordenação de Brave Kids em Wroclaw, Polõnia, no mês passado.

“Após nossa viagem para Europa em Maio e publicações pela ONU sobre o colapso climático atual e como pode acabar com direitos humanos e a democracia no mundo, perguntei o DNIT porque pesquisa geológica independente da Unifesspa sobre viabilidade ambiental do Projeto, e pesquisa hidrológica sobre os impactos continental e mundial de mexer com a infra-estrutura do Pedral de Lourenção especificamente e da Amazônia em geral, foram ausentes.”

O Coletivo AfroRaiz abre o Simpósio sobre Avaliação na UNIFESSPA, 19 de junho, como parte de sua atuação na Universidade Comunitária dos Rios.

“Afirmei que o mundo está olhando para Pará nesse momento”, explicou Dan, “por causa do significado ambiental global de cada decisão tomada aqui. Perguntei porque o Pará não estava investindo em se tornar liderança em produção de energia solar, para cuidar da sustentabilidade da vida digna, regional e mundial?”

Katrine Neves de AfroRaiz ministra uma oficina com alunos e estudantes de Marabá, que dialogarão com projetos de 20 países sobre colapso climático, na Casa dos Rios.

“Não sabia que paralelamente, nosso parceiro Brave Kids em Polônia estava organizando um diálogo em inglês, aberto â Marabá, entre nossos jovens arte educadores e jovens lideranças no mundo! Igual com eles, seria inteligente que Marabá participe na Audiência Pública sobre o Rio Navegável, para se transformar de audiência não informada e cúmplice, em audiência pro-ativa e cidadã, ator do cuidado da sustentabilidade da vida de seus filhos e netos!”.

A Universidade Comunitária dos Rios abre inscrições para seu 2º Curso de Verão de Inglês Dialógico pela Vida para uma turma de 30 integrantes, ministrado por Dan Baron e Manoela Souza, nessa segunda feira, dia 01 de julho. O Curso pretende qualificar participantes em conversação, leitura e escrita em inglês, e participar em debates sobre seu futuro numa Marabá sustentável.

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2ª Carta de Elisa : Amazônia alcança Alemanha

Nessa segunda carta, Elisa Dias conta sua experiência na Alemanha em sua viagem de formação como gestora e produtora internacional com Dan Baron, na gestão da turnê europeia que vai acontecer em setembro-outubro de 2019.

Elisa e a turma de Cologne encerram uma ofiicna de ritmos afro-indigenas com placas preparadas pelos atos Sextas pelo Futuro.

Amigos e Amigas.

Minha experiência em Bélgica foi algo extraordinário pelos tantos aprendizados em poucos dias. Agora mais acostumada com a rotina de encontrar uma nova equipe ou organização duas vezes por dia, minha experiência na Alemanha me tirou da zona de conforto, e valorizar a liberdade de vivenciar o inesperado!

Chegando no país de Alemanha depois de uma hora e meia de viagem, eu e Dan fomos recebidos na super-moderna estação do trem da cidade medieval de Cologne, por Antônia Gogelsgang, gestora internacional responsável pela organização de todas as turnês do projeto KinderKulturaKaravane (Caravana Cultura Infantil), na União Europeia. Na cozinha do velho apartamento dela, cheio de tambores, bonecos, fotos e pinturas, descobrimos que a Antônia era Brasileira afroindígena de uma família humilde do interior de Pernambuco. Formada em Estudos Latino-Americanos e Ciências Políticas, já com uma história de vida em Moçambique, e fluente em Português, Alemão, Inglês e Espanhol! Antônia nos serviu com um prato de moqueca de camarão com arroz, enquanto que nos preparou para nosso primeiro dia! Em seguida, encontrei os jovens com quem dividia o apartamento, um percussionista e uma psicóloga.

Elisa dialoga sobre a vulnerabilidade de Amazônia com o Vice Prefeito de Cologne.

Na próxima manhã, após um ensaio no porão do antigo prédio, encontramos o vice prefeito, do Partido Verde, bem engajado na luta pela defesa da natureza. Estava com dor de garganta e resolvi em só tocar para não machucar minha voz, mas após prestigiar uma pequena amostra de um grupo de crianças e adolescentes de El Salvador, eu me descobri cantando e tocando com força a primeira apresentação do meu solo para o fórum internacional em Barcelona! Fui tão espontânea, e muito bem recebida. Mas percebi minha capacidade de superar o medo em adoecer a minha voz.

A curta introdução do Dan e meu solo ganharam uma conversa particular com o vice prefeito que ficou impressionado com uma jovem mulher que, com pouca idade e sem saber que Marabá era parte de Amazônia ou que tinha sangue africano e indígena nas suas veias, resgatou suas raízes e tornou-se defensora da Amazônia, pulmão do mundo. Se apaixonou com Rios de Encontro!

Elisa explica o calendário de Rios de Encontro ao pedagogo Bernd da cidade de Aachen.

Num almoço com professores de uma das escolas na região onde íamos apresentar, contei a história de uma criança buscando ventos para empinar sua pipa em tempos de seca. Como uma das coordenadoras de nosso festival da pipa, contei a história sobre a participação de meu filho Pietro e consegui sensibilizar e acalmar os professores experientes, preocupados com a capacidade de crianças entenderem porque Amazônia estava secando. Perceberem quanto as crianças na plateia soprando em solidariedade com a criança no palco, seriam os atores principais de fazer voar a pipa em nosso espetáculo. Cada pergunta gerou ideias ao levar nosso coletivo. Foi cansativo para mim por conta da tradução e tanta concentração, mas a conversar foi de tanta qualidade que me deixou ansiosa para montar o espetáculo com nosso coletivo AfroRaiz.

Elisa toca com um jovem de El Salvador no palco da Casa de Juventude.

A noite, assistimos o espetáculo comunitário de El Salvador, apresentado numa Casa de Juventude em Colongne. No palco, trocaram uma cena sobre desafios de explicar a bandeira nacional pelos dramas de sua experiência de viagem, uma história sobre sua identidade cultural. O teatro popular me encantou, e me provocou refletir sobre meu próprio solo, tão ensaiado e preso no medo de errar ou me machucar. Depois de prestigiar o espetáculo de El Salvador, animado, interativo com o público infantil, com personagens lúdicas e afetivas, fui chamada por Ulla, a mulher sabia e responsável pela nossa turnê na Alemanha, para apresentar uma previa de nosso espetáculo. Para não roubar a cena do grupo de El Salvador, convidei um menino do grupo para tocar comigo no palco e improvisei uma micro-oficina de palmas e ritmos, interagindo no palco com ele e brincando com a plateia. Meu solo apareceu, mas numa forma desconhecida por mim! Agradeci o público e convidei todo o elenco de El Salvador agradecer junto comigo.

Elisa reune com os gestores de uma escola em Cologne como parte da formação dela como gestora internacional. Dan cuidou das posições da tradutora e das gestoras para garantir que Elisa não foi excluída ou inviabilizada por acidente.

Naquela Casa de Juventude, uma gestora da casa nos contou que ali mesmo mulheres foram mantidas presas, fazendo trabalho escravo, ganhando pouco por muito esforço. Na saída, entendi um pequeno monumento na parede, entitulado ESCRAVIDÃO NUNCA MAIS.

O monumento sobre trabalho escravo feminino que sensibilizou Elisa.

No próximo dia, na madrugada, fomos para o aeroporto. Em Lisboa, tinha direito de colocar duas malas no porão, mas nessa viagem para Polônia, só uma foi permitida. Meu djembe profundamente embalado, ficou no porão, e ainda acordando, esquecemos minhas garrafas de higiene acima de 100ml na minha mala de mão. A regra foi rigidamente aplicada e perdi todas as garrafas.

Elisa e Dan se retratam ao lado das Metas do Milènio da ONU, como colaboradores, não como casal!

Mas no avião, uma aeromoça brasileira que nos atendeu, percebeu que eu falava português e logo perguntou se o Dan e eu éramos casados. Fiquei sem graça e ao mesmo tempo chateada pela forma das pessoas pensar sobre nós mulheres brasileiras viajando para outro país. Mas logo falei sobre o projeto amazônico e o porquê estava na Europa, e ela se interessou, até que me passou seu email e número de telefone, para avisá-la sobre a programação da turnê. Olhei para ela, presa na minha percepção e indignação, e a re-enxerguei, aberta ao inesperado, solidária com um projeto socioambiental.

Fiquei muito grata por essa minha formação, ansiosa para compartilhar tudo com os meus companheiros do coletivo AfroRaiz.

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1ª Carta de Elisa : Amazônia alcança Bruxelles

Elisa Dias e Dan Baron viajaram para Bélgica, Alemanha, Polônia e Espanha nas ultimas duas semanas para gestionar a turnê europeia do novo espetáculo ‘Rios Voadores’ do projeto Rios de Encontro, a ser apresentado pelo Coletivo AfroRaiz em setembro-outubro, 2019. Aqui, Elisa reflete sobre aspectos de sua viagem que a tocaram, na primeira de 03 cartas, para compartilhar sua experiência com as redes de amigos e amigas.

Elisa e ativistas de Sextas pelo Futuro se retratam em Bruxelles.

Meus amigas e amigos!

Quando eu estava saindo de Marabá, eu percebi que estava entrando em uma nova fase de minha vida, na qual sempre lutei para chegar, não só de conhecimento, graças o meus esforço e formação no projeto Rios de Encontro, de querer ser um pessoa bem informada, mas como artista e arte educadora e comunitária afro-indígena, capaz de defender Amazônia!

Elisa logo escolheu essa placa por sua irreverência e coragem!

Já de Belém até Bruxelas aconteceram muitas cenas inesperadas! Um uberista japonês-brasileiro nos levou ao aeroporto, e explicou porque vende Bitcom, acreditando que com a venda dessas moedas, não só melhoraria sua renda no Brasil, mas sobreviveria o colapso do dólar americano e a indústria bancária! Uma aula inesperada no banco atrás, meu djembe na mão, minha raiz protegida! Mas revelou quanto não sabia sobre o futuro.

Ao entrar no avião de Belém pará Lisboa, senti que estava com uma grande responsabilidade, indo para fora do Brasil, parte de um projeto bem maior, que vem defendendo a vida do povo amazônico durante décadas! Chegando em Lisboa, claro o clima mudou, desde a temperatura até o fuso horário. Mas logo chegamos em Bruxelles, comecei a perceber o quão é complexa viajar no planeta Terra! Nossas malas ficaram em Lisboa por não ter tempo do avião as transferir ao avião à Bruxelles, e percebi quanto eu confiava na autoridade no ‘primeiro mundo’!

Elisa Dias coordena a batucada coletiva de mobilização e motivação no movimento Levante Popular, que aumenta cada vez mais sua liderança.

Em Bruxelas eu fiquei encantada com a quantidade de árvores, pois a Bélgica é um país ‘avançado’ e imaginava que seria avançado só em tecnologia. Mas há um cuidado com o ser humano, com uma boa alimentação, com os refugiados e imigrantes, e com parques como direito humano de cada cidadã.

Monumento público na Praça do Parque Ambiorix que afirma masculinidade sensível.

No parque de Praça Ambiorix em Bruxelas tem uma estátua bastante desafiadora para quem não usa a imaginação para interpretar o significado de arte. Retrata um homem montado no cavalo, seguindo seus movimentos, não em posição militar, mas em atitude de respeito, conhecimento, sensibilidade trabalhadora. Que estátua carinhosa!

Outras estátuas me chamaram atenção. A jovem Belgica, uma mulher quase caindo, sem equilíbrio formal, balançando entre dança e paixão! Que país se retrata assim?

Elisa dialoga com eco-ativistas da Escola Europeia no escritório de Centro de Jornalismo Infantil próximo ao Parlamento Europeu.

Uma roda no escritório de Centro de Jornalismo Infantil com três segundaristas da Escola Europeia mudou completamente minha percepção de mim mesma! Numa sala cheia de placas caseiras sobre Greve Contra Colapso Climático, Gaia e Miguel explicaram em português como cobrem o movimento escolar Sextas Pelo Futuro, traduzindo minhas histórias sobre ativismo cultura para cuidar da Amazônia em inglês e francas pra sua colega, Nora.

Não tiraram seus olhos de meus, enquanto expliquei a situação grave sobre a ameaça àos nossos direitos humanos e à segurança social e climatica no país. Percebi que quase nada chega sobre América Latina e Amazônia à Europa! E esses filhos de deputados europeus e ONGs mundiais, a próxima geração de lideranças, estão famintos pra qualquer informação sobre Amazônia, qualquer esperança de diálogo e ação internacional! Sai de lá determinada pra levar Sextas pelo Futuro à Marabá!

Elisa se retrata diante uma escultura que valoriza o movimento continua de língua, memória, cultura e idéias, uma coluna que estrutura os temas nos 6 andares da Casa da História Europeia.

Em seguida, visitamos a Casa de História Europeia, onde tem as histórias contadas com objetos, panfletos, artes, clips, vídeos, máscaras de gás, cartazes, poesia e citações, para contar a história de lutas entre conquistadores e libertadores, até a guerra fria entre duas visões militarizadas sobre o futuro. Nunca imaginava Fascismo e Stalinismo como movimentos tão parecidos, de tanta repressão e genocídio industrializados!

Percebi a continuidade entre cada história, uma ligada à outra, na busca de ideais. Naquela grande exibição permanente de 6 andares, fez perceber que ainda tenho que ler muito e me desafiar enquanto futura caloura de história, para adquirir uma consciência histórica.

Elisa aprecia um o dialogo ecossocial entre energia limpa e industria sustentável próximo ao Parlamento Europeu.

Uma frase do Primeiro Ministro inglês Winston Churchill que comandou a luta contra Hitler, me indignou: “temos de virar as costas à violência da guerra e mergulhar na abençoada oblivião da amnésia, olhando ao futuro.”

Uma frase oposta de Simone Weil, sobrevivente de um campo de concentração, me inspirou: “sem memória, não tem como aprender com nosso passado, para não o repetir no futuro; sem memória, não tenho esperança.”

Elisa documenta a beleza natural nos parques de Bruxelles.

A cena que mais me atraiu foi uma státuas de uma mulher que não segue o padrão que a sociedade exige, inspirando e mostrando a luta do movimento feminista, vestida de uma roupa super colorida, orgulhosa de sua pele negra. Aí, me encontrei, nunca desistindo do que desejo agora, não deixando para amanhã o que posso fazer hoje, aproveitando da vida, de olho visionário consciente de tudo que já aconteceu.

Elisa estuda a escultura lúdica de Jean-Michel Folon no Museu Folon.

Encerramos nossa visita à Bruxelles com uma visita à Museu Folon, no meio de um parque de florestas e lagos, uma casa cheia das ilustrações, esculturas e instalações de um grande artista Bélgica que defendia todas as liberdades e o direito de sonhar e criar! Através da arte bem lúdica, engajada mas poética, pegou símbolos bem conhecidos mas os colocou em situações ou contextos inesperados. A gente vivência o direito de interpretar, se indignar, e se libertar, criando nossa própria consciência crítica e a confiança de transformar. Adorei!

Elisa Dias
Rios de Encontro
04.06.19

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