Ministro do Bem Viver responde: ainda é possível?

Em 2007, o Equador ofereceu ao mundo uma iniciativa visionária, de deixar algumas das reservas de petróleo da Amazônia no solo em troca de uma compensação financeira da comunidade internacional. Alberto Acosta, o então Ministro do Petróleo do Equador, foi o principal arquiteto da proposta, projetada para salvar o Parque Nacional Yasuni, uma das regiões de maior biodiversidade do mundo.

A Maldição da Abundância revela o dilema ideológico que o Equador enfrentou: um Bem Viver sustentável ou “duras realidades econômicas”. Este dilema está no cerne dos debates sobre ‘desenvolvimento’, ‘sustentabilidade’ e ‘justiça climática’. Mas na pandemia de hoje, tornou-se cruelmente focado como uma escolha da espécie: viva bem ou morra.

Convidamos você assistir este documentário de 2019 e a se juntar ao nosso Fórum Bem Viver para entrar em um diálogo mundial com Alberto Acosta, Ewa Ewart (a cineasta) e especialistas-ativistas latino-americanos. O que podemos aprender com a experiência do Equador para cultivar um futuro Bem Viver?

Em tempos de pandemia, Rios de Encontro pergunta: podemos educar a nós mesmos e a nossos filhos em casa e em nossas comunidades para renovar nossas raízes cortadas e relação sagrada com a Terra, para viver bem, à tempo?

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Plantio bem viver na Semana Mundial de Ação Climática

No espetáculo Rio Voador (2019), Rios de Encontro antecipou a pandemia atual e a manipulação populista da insegurança existencial no mundo no fomento de ódio violento.

Durante o primeiro semestre, Rios de Encontro, o projeto comunitário eco-cultural e socioeducativo do bairro Cabelo Seco, realizou seis ‘Rodas de Solidariedade Intercontinental em Tempos de Pandemia’; participou numa ‘Roda das Américas Sobre Transformação através de Performance’ e numa reunião da Rede Latino-Americana de Teatro Comunitário; contribuiu ao primeiro simpósio virtual sobre ‘Desenvolvimentos no Teatro e Performance Africanos’ realizado pela Associação de Teatro Africano; e coordenou a Rede Brasileira de Arteducadores na gestão do 3º Fórum Bem Viver (virtual). A busca inteira, a distância, por uma metodologia ‘bem viver’ virtual capaz de gerar esperança para um futuro em alto risco, se concretizou na Semana Mundial de Ação Climática no sábado passado.

“Neste ano, o projeto vem incentivando trocas intercontinentais de perspectivas entre jovens lideranças sobre os impactos do Covid 19 nas comunidades mais vulneráveis”, disse Dan Baron, coordenador internacional do Rios de Encontro. “Em particular, conversamos sobre como sustentar arte-educadores que inspiram tantas reflexões e soluções criativas sobre a carência humana diante a vulnerabilidade econômica durante a pandemia.”

ABRA integra uma nova geração de lideranças culturais na busca do inédito para lidar com os novos desafios de distanciamento e isolamento sociais.

Rios de Encontro convocou uma primeira roda da Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA) e parceiros do projeto Silk Roads (Ruas de Seda) em Abril de 2020 para pensar sobre solidariedade em tempos de pandemia. “Começamos acendendo uma vela para lembrar todos que passaram ou perderam alguém durante o Pandemia Covid19. Cantamos e trocamos experiências de lockdown,” explica Dan Baron. “Nós, arte-educadores de Marabá, Juiz de Fora e Moeda (MG), Salvador (BA), São Luis (MA), Florianópolis (SC), Lima (Peru), Auckland (Nova Zelândia), Kampala (Uganda), Lille (França), Barcelona (Espanha), Taipei (Taiwan) e Hong Kong, descobrimos uma sede profunda em comum pelo abraço real, conversa íntima, e desejo de caminhar com calma e confiança. Após duas rodas, formamos um núcleo gestor para reunir mensalmente em busca de uma metodologia artística de Bem Viver, rumo ao Dia Mundial da Amazônia.

Camylla Alves interpreta Mariana, intoxicada e enlouquecida, tentando dar luz ao futuro, em Nascente em Chamas (2016).

Paralelamente, após quatro meses de diálogo, no dia 12 de agosto, Dan Baron finalizou planos para realizar uma conversa mundial virtual com Dra Fernanda Liberali da PUC-São Paulo, Dra Ursula Carrascal da Associação Minaq Ecodanzada em Lima, e Dr Dan Friedman do East Side Institute em New York, sobre Amazônia Bem Viver em 15 de agosto. “Queríamos inventar uma metodologia participativa e criativa na plataforma Zoom, e evitar uma mesa autoritária”, disse Dan. “Canto coletivo não funciona no Zoom. Apostamos no ritual e na dança visuais.”

Rios de Encontro dramatiza no final do Nascente em Chamas o uso do celular como ferramenta de intervenção ecosocial.

“Os organizadores em New York confiaram em nossa proposta. Já haviam assistido os espetáculos ‘Raízes e Antenas’, ‘Deixa Nosso Rio Passar’ e ‘Lágrimas Secas’ em 2014 e 2015,” disse Dan. “No 15 de Agosto, então, eu e Manoela Souza, nossa gestora cultural, apresentamos Rios de Encontro como exemplo do projeto Bem Viver. Mostramos nosso vídeo documentário e o solo de dança contemporânea ‘Nascente em Chamas’ da Camylla Alves, coordenadora da Cia AfroMundi. Uma platéia de 120 pessoas de 20 países vivenciaram o potencial transformador da dança para curar e unir comunidades sequeladas, na busca de saúde integral e justiça social e climática.”

Performing the World (Happenings): Good Living for Sustainable Futures.

No mesmo dia 15, na 3ª Roda Intercontinental de Solidariedade, Max Sechaud, diretor teatral franco-vietnamês, Eric Ng, ativista teatral do Movimento Umbrela de Hong Kong, e Nanxi Liu, chinesa, gestora de teatro comunitário em Hong Kong, Karol Cunha do Cursinho Popular Geraldo José e Dirceu Ten Caten, Deputado Estadual, ambos de Marabá, trocaram relatos sobre a situação extrema para os povos de seus países. “A nova Lei de Segurança Nacional, imposta em Hong Kong pelo governo da China, já está criminalizando e calando os estudantes, trabalhadores e artistas que mobilizaram em 2019 dois milhões de cidadãos ocuparem as ruas para questionar a violação de direitos humanos”, explicou Nanxi (30 anos). 

“Desacreditamos na atual política institucional”, complementou Eric Ng (35 anos), “e nas declarações de apoio do Trump para nosso movimento pela democracia. É teatro político. Para camuflar sua destruição da democracia no mundo.” “Hoje, declaramos solidariedade com Amazônia, os pulmões e saliva do mundo,” disse Max (30 anos). “Mas como atuar, para fortalecer e não prejudicar os povos em cada continente no mundo? Estamos tão interconectados!”

“Aprendi muito com essas rodas com lideranças de minha geração”, disse Dirceu Tem Catem (30 anos). “O Governo da China aproveitou da tragédia da pandemia. O governo federal aqui também está aproveitando da pandemia para acelerar os grandes projetos da mineração e desmatamento, financiado pelo mesmo governo Chinês.” A Karol focalizou sobre os impactos do vírus na saúde e educação popular, e em particular, das mulheres nas comunidades em Marabá. “Fiquei inspirada para ouvir como meninas, mães e avôs estavam todas nas ruas, criando um projeto popular. Quero conectar projetos de educação popular na defesa de nossos rios e florestas!”

Rios de Encontro presencia Cabelo Seco no debate mundial sobre teatro da diaspora africana.

“O simpósio em julho sobre Teatro Africano no Mundo destacou a descolonização da identidade negra”, disse Dan Baron, ”e a longa caminhada para definir as identidades inter-continentais dos afro-descendentes na diáspora. Me inspirou refletir muito sobre nosso projeto em Cabelo Seco. Demorou 10 anos para transformar o preconceito de ‘macumba’ contra o tambor e a dança afro. Fiquei impressionado pela ideia dos ‘presentes africanos para o mundo’, viveiros, portos, cidades, música, dança, faculdades de cultura africana. Tudo que foi construído com amor pelos escravizados. Muda da perspectiva de vítima à generosidade afro e fundamenta o significado do movimento mundial atual de Vidas Pretas Importam.”

Rios de Encontro incentiva a Rede Latino-Americana marcar Dia Mundial da Amazônia.

“A roda da Rede Latino-Americana de Teatro Comunitária manifestou a resiliência desse continente!”, disse Dan, co-fundador da Rede em 2009. “Nossos parceiros que já visitaram Cabelo Seco, Vichama Teatro (Peru), Nuestra Gente (Colômbia) e Pombas Urbanas (São Paulo), destacaram a luta para resgatar espaço público (teatros, ruas e pracinhas), como uma prioridade urgente para defender a democracia participativa e valorizar a ‘cultura viva comunitária’ para cicatrizar as sequelas da pandemia e repressão populista atuais. A roda juntou artistas e gestores culturais de 12 países que se solidarizaram com Amazônia e se comprometeram em discutir a mineração invisível de nossos sonhos e desejos, pelas Redes Sociais.”

O primeiro Fórum Bem Viver virtual lembra de todos que perderam sua vida e suas famílias, durante a pandemia.

As Rodas Intercontinentais decidiram realizar um 3º Fórum Bem Viver, virtual e contínuo, começando no Dia Mundial da Amazônia, em 05 de Setembro até o final da semana do Dia Mundial de Ação Climática, 03 de Outubro, em solidariedade com Amazônia.

“Mas falarei como Nanxi”, disse a Chinesa, logo após realizar uma ação cultural para defender jovens estudantes detidos num presídio de tortura do Governo Chinês, em Hong Kong. “É impossível representar um país de 1,6 bilhões, muito menos um continente. Mas parei de comer boi em solidariedade com Amazônia, que pode inspirar milhões.”

Eric concorda. “Não posso representar Ásia. Quero criar rodas íntimas de confiança, que evitam o politicamente correto, e criam relações, projetos e redes éticas”. Max concorda. “Vamos usar rodas virtuais para criar um movimento mundial para tirar os vírus econômicos, políticos e sanitários de nossas vidas. Mas não quero viver num mundo mascarado, sem abraço, beijo, conversa espontânea com desconhecidos, o ‘novo normal’. Quero chegar em Marabá como artista, educador e liderança de minha vida, para ajudar criar uma cultura de cuidado internacional.”

50 participantes do 3º Fórum Bem Viver plantam sementes como uma ação bem viver durante a Semana Mundial de Ação Climática.

O Núcleo Gestor do Fórum Bem Viver intensificou suas reuniões virtuais em casa de 15 em 15 dias, integrando todos os experimentos. “Nessa pandemia”, disse Manoela Souza, “a casa voltou a ser o centro da vida segura. No Dia Mundial da Amazônia, ouvimos sobre o maior aprendizado, em casa. Na Semana de Ação Climática, além de acender uma vela na tela, cada um dos 50 convidados de Brasil, Argentina, Equador, Peru, Canadá, EUA, Nova Zelândia, Austrália, Hong Kong, Taiwan, França, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Israel, Uganda e África do Sul plantaram uma semente, na tela, em casa. E depois de rodas paralelas sobre Educação, Cura, Política e Solidariedade, experimentamos com um abraço íntimo-mundial, em casa! Muitos se emocionaram!” 

O Fórum Bem Viver virtual encerra com um abraço íntimo-mundial, em casa.

Dan Baron complementa. “Essa performance virtual inspirou cada participante integrar cuidado pela familia, comunidade, cidade, rio, floresta, campo e mundo, a partir de ações reais. Assim, no virtual, transformamos a pandemia de uma alerta cruel em um retiro de formação. Virou uma vivência marcante em como entender o mundo bem viver, e como retomar e reinventar nossas raízes indígenas cortadas ou adormecidas.”

Publicado em Advogando, AfroMundi, AfroRaiz, Fórum Bem Viver, Publicações | Deixe um comentário

Festival de Verão 2020 em tempos de pandemia

Jovens de Cabelo Seco curtem o pôr do sol na Orla de Cabelo Seco, no início da pandemia.

Rios de Encontro lança seus novos ‘Cartazes em Tempo de Pandemia’ alertando jovens de Cabelo Seco de não relaxarem, após a liberação das praias, do comércio, dos bares e dos restaurantes. “O descuido no nível federal”, disse Manoela Souza, coordenadora da formação cultural dos jovens, “exige que cada familia e comunidade assumem responsabilidade para informar-se e cuidar de si, mesmo. Crianças e jovens transmitem o vírus, sem perceber. E ele mata!”

Bianca (da Cia AfroMundi) e Jefferson criam uma pipa juntos no Festival da Pipa de 2019.

O Festival da Pipa, uma das ações comunitárias anuais mais populares, será transformada em uma mostra de fotos voadoras, colocar no ar perspectivas críticas, celebrativas e visionárias. As fotos estarão expostas na Casa dos Rios, juntos com Cine Coruja, quando Rios de Encontro volta à rua.

Quem quer participar, entre em contato pelo whatsapp 91 98847 8021.

Publicado em AfroMundi, Casa dos Rios, Festival da Pipa, Festival de Verão, Rabetas Videos, Universidade Comunitaria dos Rios | Deixe um comentário

Rios de Encontro inspira África e Ásia e encontra Bem Viver

AfroRaiz antecipa e dramatiza a pandemia no ‘Rio Voador’ para teatro educadores na África.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural, socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, participou no final de semana passado em três ‘Lives’ (encontros virtuais) sobre Advogacia de Arte Educação em Tempos de Pandemia, realizado pela Associação Internacional de Teatro Infantil e Juvenil (Assistej) da África do Sul; Solidariedade Artística com Crianças e Jovens Indianos Impactados pela Pandemia, realizado pela Frente Ásia Sul Contra Fascismo (SASAF); e As Crises Sanitária, Ambiental e Política Enfrentadas pelo Povo Brasileiro, co-realizado pela Deputada do Parlamento Europeu, Julie Ward, com a Associação pela Liberdade dos Trabalhadores/as.

Na Live da Assistej-África do Sul, mais de 240 teatro educadores da África assistiram fragmentos do espetáculo Rio Voador do projeto Rios de Encontro para entender o poder dos jovens atores e oficineiros do Coletivo AfroRaiz usarem dança e percussão afro-brasileiras como linguagens para sensibilizar profissionais nas areas de educação, cultura, saúde, segurança e politicos eleitos.

“Nós arte-educadores na mesa da África do Sul e Zambia ficaremos impressionados pela continuidade de resgate cultural e formação artísticas de jovens na Amazônia”, disse Dr David Andrew, Chef do Departamento de Belas Artes, Universidade de Witwatersrand, “como base de sua autoconfiança, liderança comunitária e advogacia socioeducativa. Mas ficaram inspirados de como o projeto se conectou com saúde, segurança e economia comunitárias, a partir de colaborações com médicos, policiais e empresários.”

“Já tem respeito pelos influentes brasileiros mundiais, o pedagogo Paulo Freire e o teatrólogo, Agosto Boal” disse Dan Baron, coordenador internacional do Rios de Encontro. “Mas impactou muito a capacidade do projeto se transformar em um paradigma de bem viver comunitário, no contexto da pandemia e desconfiança na politica, que exigem propostas populares alternativas.”

“Nas Lives com lideranças pluripartidárias da Inglaterra e com jovens artistas da Ásia do Sul”, continuou Dan Baron, “ouvi análises bem avançadas sobre o atual modelo de desenvolvimento econômico em falência, e uma diversidade de projetos com valores e pedagogias parecidos com o nosso. Me inspirou ouvir tantos jovens cantando e recitando poemas sobre como superar a ‘ditadura de medo e de desconfiança’ através das praticas comunitárias de energia solar e feiras orgânicas. O lado positivo do Covid 19 é quanto ele acelerou a troca virtual de conhecimentos e projetos, em particular, por jovens já alfabetizados com as novas ferramentas digitais.”

Julie Ward declara solidariedade com Amazônia na Line da SASAF.

Julie Ward (MEP) vocalizou sua preocupação: “Somos solidários com o povo brasileiro, e em particular, com a Amazônia que visitei em 2017, como artista em residência no Rios de Encontro. O mundo sabe que Brasil já está sofrendo as consequências trágicas das múltiplas crises que vem de um aparteid social e corrupção sistêmica. Mas queremos saber como atuar e colaborar para proteger uma Amazônia segura, o bem viver que o mundo está buscando.”

Dan Baron responde. “Nessas Lives, percebi que já acabou a confiança na democracia institucional de representativos, no mundo. Mas já está em construção redes inter-regionais de comunidades de democracia envolvente, cada comunidade bem enraizada em uma formação ecosocial que procura se livrar das histórias e sequelas tóxicas do projeto colonial, se nutrindo do movimento Vidas Pretas Importam, para criar um mundo onde toda vida importa. Já estamos traduzindo e organizando nossos vídeos e calendários como recursos pedagógicos para cursos de formação colaborativa em Bem Viver, que ofereceremos na segunda semestre.”

Manoela Souza, coordenadora da formação artística e gestão cultural no Projeto conclua. “A pandemia está provocando o mundo criar uma cultura de solidariedade e trocas internacional, na prática. Rios de Encontro disponibilizará contatos de parceiros para outros redes de projetos afim de criar colaborações inter-regionais sustentáveis.”

Publicado em Advogando, AfroRaiz, Fórum Bem Viver | Deixe um comentário

Rios de Encontro vivencia esperança na tragédia da pandemia

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, concluiu no sábado passado um mês de ações virtuais, iniciando uma nova década de gestão pós Covid 19. No mesmo período, seu primeiro projeto ‘As Castanheiras Lembram’ foi contemplado pelo edital Preamar da Secretaria da Cultura do Pará.

O monumento ‘As Castanheiras de Eldorado dos Carajás (1999) será reinterpretado em uma crônica audiovisual sobre o futuro.

No dia 27 de Maio, o Projeto abriu o fórum internacional sobre Arte Comunitária em Tempos Difíceis, sediado pela Universidade Chinesa de Hong Kong, onde estreiou seu vídeo ‘Rio Voador’. “Apresentei a evolução do Coletivo AfroRaiz”, disse Dan Baron, coordenador internacional do Projeto. “Destaquei o colapso climático, provocado pelo atual modelo devastador de desenvolvimento, como causa do Covid 19. Aprendi muito dos diversos projetos de pedagogias artísticas de cuidado, já respondendo à pandemia.”

Uma criança sensibiliza refugiados desesperados no ‘Rio Voador’ (Arte em Tempos Difíceis).

No dia 30 de Maio, Dan Baron abriu o webinar ‘Arte Educação pela Sustentabilidade’ sediado pela Aliança Mundial pela Arte Educação e a UNESCO, para experts de 46 países. “Rios de Encontro foi escolhido pela sua continuidade de experimentação educacional ao longo de 11 anos, liderada por jovens de Cabelo Seco. Focalizei sobre a ameaça à direitos humanos pelos aplicativos da vigilância eletrônica, usados em nome de segurança nacional.”

Após lançar no YouTube o vídeo do espetáculo ‘Rio Voador’, no Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho), Rios de Encontro realizou duas rodas virtuais sobre ‘Arteducação no Limiar’.

Manoela Souza conta a história sobre o Jardim Bem Viver na roda de Arteducação no Limiar

“Essas ações são nossa adaptação à realidade da pandemia”, disse Manoela Souza, coordenadora pedagógica do projeto, suspenso em Cabelo Seco desde dia 03 de março. “Nosso espetáculo ‘Rio Voador’ antecipou em 2019 um mundo refugiado em casa (‘lockdown’), por causa de uma crise respiratória. Mas nunca imaginamos o tamanho da tragédia do genocídio acontecendo hoje no Brasil, consequência de tanta negligência criminosa presidencial.”

“A quarentena é proteção contra as crises ecológica, econômica e politica. Mas também, é um retiro de formação, em cuidado, saúde integral e consciência ecológica. Agora, a carga psicoemocional de tanta indignação e sofrimento em quarentena está explodindo nos protestos socioculturais tão necessários, contra o racismo e neo-fascismo. Todas as feridas coloniais que nosso projeto vem transformando nos últimos 10 anos estão transparecidas. ‘Rio Voador’ está sendo baixado do YouTube por jovens e professores no mundo inteiro. O mundo vai sair do trauma da pandemia com muitos novos recursos para interpretar uma fúria de reivindicação”.

Rede ABRA escuta a Gabriela Machado toca o pandeiro na presença de arteducadores da Uganda, Canada, Hong Kong, Peru e França (Arteducação no Limiar)

As rodas virtuais ‘Arteducação no Limiar’ nos dias 05 e 13 de Junho, reunirem arte educadoras da França, Espana, Vietnã, Hong Kong, Uganda, Nova Zelândia, Canadá, Peru e Brasil (Pará, Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). “Junto com a Rede ABRA (Rede Brasileira de Arteducadores), transformamos o formato meio mecânico da atual live (uma mesa de três autoridades e um mediador), em uma roda experimental”, explicou Dan Baron que a coordenou.

“Cada pessoa acendeu uma vela em casa para lembrar daqueles que já faleceram na pandemia, e solidarizar-se com os vulneráveis”, disse Gabriela Machado de Minas Gerais. “Depois, cada pessoa cantou uma música de raiz e contou um aprendizado criativo durante a pandemia.”

Dan Baron conta a história do celular transformado em avião na rode virtual (Arteducacao no Limiar)

A professora Gabriela continuou. “Um provérbio Asiático valorizou a criança. Uma piada Africana valorizou o abraço. Um ritual Maori celebrou a Mãe Terra. A transformação de instrumentos musicais destruídos pelo fascismo em vasos de plantas medicinais, de jardim bem viver invadido em mudas de imunidade, de celular viciador em avião para que um idoso isolado pudesse conhecer o Mar Atlântico no Brasil, da morte de esperança de uma professora em carta poética ao prefeito, do conto infantil em poema critico da negligencia governmental, da crise materna de ensino em casa em poema de amor. A diversidade da roda marcou todos! A reunião virtual virou um espaço íntimo e coletivo.”

Dan Baron enxerga faíscas de esperança apesar do genocídio que o mundo está passando. “A pesar de que a maioria das famílias está presa em casa lotada, passando fome, depressão, medo do futuro, e até aumento da violência doméstica, nossas rodas revelaram a solidariedade íntima dos vizinhos, debates sobre bem viver entre gerações, e apoio pela busca de igualdade racial e justiça social na rua”.

O choro de uma criança sensbiliza refugiados prestes a matar sua inocência generosa (Rio Voador)

Dan Baron encerra: “O mundo pré Covid 19 era insustentável. Brasil, e Amazônia em particular, ainda vão sofrer tanto, por falta de liderança baseada na ciência e compromisso com a vida. Mas a pandemia já revelou a potência humanizadora do celular e as mídias sociais, e alertou a espécie humana toda que precisa mudar tudo para sobreviver. Uma pedagogia cruel, de vida e morte, para iluminar as causas do escuridão do ódio e terror do fascismo que nós ameaça.”

Publicado em Advogando, AfroRaiz, Casa dos Rios, Fórum Bem Viver, Rabetas Videos, Universidade Comunitaria dos Rios | Deixe um comentário

Assiste o espetáculo amazônico ‘Rio Voador’ em casa!

(dir-esq) Emmily Aragão, Katrine Neves, Evany Valente e Elisa Neves, Rerivaldo Mendes e Camylla Alves participam no projeto da UNESCO por sua obra Rio Voador.

Rios de Encontro lançou seu vídeo do espetáculo ‘Rio Voador’ no Dia Mundial do Meio Ambiente, na Sexta Feira passada, 05 de Junho.

Fruto de 10 anos de pesquisa artística e um ano de criação coletiva, entre 03 de setembro e 15 de dezembro de 2019, o espetáculo alertou mais de 16,000 crianças, jovens e adultos na Alemanha, Austria, Bélgica, Holanda, Polônia e Amazônia sobre a pandemia atual, e o papel protagonista de crianças, adolescentes e jovens para liderar intervenções corajosas e inovadoras. Assiste e deixa seu comentário em baixo ou no nosso canal Rios de Encontro, no YouTube:

Infelizmente, agora o Brasil vai passar por uma tragédia incalculável, evitável e com seqüelas autoritárias. Mas também, já está vivenciando energias de indignação e intervenção criativas, inspiradas pelo assassinato do George Floyd, também antecipado no espetáculo.

Se cuide com e abrace as energias de transformação no espetáculo!

Publicado em Advogando, AfroMundi, AfroRaiz, Casa dos Rios, Gira-Sol, Universidade Comunitaria dos Rios | Deixe um comentário

Quarentena já: jovens precisam liderar distanciamento social

Manoela cola o minidoor na frente da Casa dos Rios, incentivando jovens de Cabelo Seco assumirem sua liderança.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo, enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008, está em quarentena. Mesmo que dezenas de crianças e adolescentes vem perguntado aos coordenadores desde o início de Março quando o Cine Coruja, a biblioteca Folhas da Vida, os cursos de Rabetas AudioVisual e Cia de Dança AfroMundo iam reiniciar, o projeto não data. “Quando o vírus passar”, disse o primeiro cartaz de 2020.

As 06 ‘Gretas de Amazônia’ alertam sobre as consequências de meixam com bilhões de anos de biodiversidade evoluída na roda de conversa com 15 jovens na Europa.

“Desde a finalização da elaboração dos poucos novos projetos em fevereiro”, disse Dan Baron, co-fundador e coordenador eco-pedagógico do projeto, “vimos se dedicando a sensibilização da comunidade na orla e nas esquinas, sobre a relação entre a exploração predatória dos rios, oceanos, florestas e terras do mundo, o colapso climático dos ecosistemas, e a pandemia Covid-19.

No Municipal, os jovens atores de AfroRaiz alertam crianças sobre o perigo de água enveneda pela mineração de Amazônia.

Durante a enchente recente, uma manifestação explícita do desequilíbrio ecológico que trouxe incêndios, inundações e tempestades de gafanhotos na África nos últimos meses, não paramos de explicar para os jovens e crianças de Cabelo Seco como cada um e uma pode salvar a vida da comunidade toda.”

O Coletivo AfroRaiz recebe o reconhecimento por sua alerta sobre as consequências de exploração predatória na peça ‘Rio Voador’, por 800 alunos na Escola Européia em Bruxelas.

“Ainda não caiu a ficha para a maioria aqui”, explica Manoela Souza, co-fundadora e gestora eco-cultural do projeto, “que mesmo sem sintomas, jovens e crianças podem transmitir o vírus, em particular na concentração das barracas montadas para cuidar das famílias desabrigadas pela enchente. O Covid-19 está sensibilizando cada família no mundo que todos nós, incluindo as especies não humanas, somos interdependentes. Mas contrária à ‘senso comum’ que declara que a sociedade deve cuidar de cada individuo, o vírus vem mostrando que o indivíduo impacta sobre a sociedade inteira. Covid-19 começou com apenas uma pessoa. Cada um e uma de nós pode salvar a vida de milhares de pessoas!”

Jovens brincam e conversam durante a enchente recente, como parte do prazer cultural ribeirinha, tem de se distanciarem.

Desde 15 de janeiro quando Rios de Encontro concluiu dois anos de preparação para finalizar sua primeira década de formação juvenil para reinventar Cabelo Seco através da defesa artística e cultural da Amazônia, os fundadores do Rios de Encontro vem reinventando o projeto.

AfroRaiz dramatiza os efeitos inesperados do colapso climático no meio de uma apresentação, no Rio Voador.

“Priorizamos o SISU e a base profissional de cada uma e um de nossas lideranças juvenis”, explica Manoela Souza, “para que pudessem estudar ou colaborar com outros projetos, abrindo suas asas como jovens adultos, sentindo sua grande capacidade artística, educativa, cultural e social, e preparação para determinar sua própria vida.”

AfroRaiz apresentam familias de Cabelo Seco, refugiadas na loucura, em suas casas, como consequencia de colapso climático, em Rio Voador.

“Abrimos e continuamos abrindo portas,”, complemente Dan Baron, “e os convidamos colaborarem como profissionais remunerados. Vislumbramos um futuro quando podessem voltar como coordenadores salariados do Projeto. Mas nunca imaginávamos que a grande, dolorosa formação mundial desse vírus, tornasse a vulnerabilidade de cada comunidade com sustento e saúde precários, como ambiente perfeito para matar.”

(dir-esq) Emmily Aragão, Katrine Neves, Evany Valente e Elisa Neves, Rerivaldo Mendes e Camylla Alves participam no projeto da UNESCO por sua obra Rio Voador.

“Qualquer liderança que alega que este vírus é apenas uma gripe leve e passageira está prejudicando a vida de centenas de milhões de pessoas. Nossos jovens artistas adultos do Coletivo AfroRaiz tornaram-se uma referência como cada jovem pode se tornar liderança do controle e do corte da transmissão do Covid-19. Se distancia, lava as mãos após cada contato com alguém ou algo circulando, e fica em casa. Estes atos de cuidado são atos de amor. Em solidariedade com o futuro.”

Publicado em Advogando, AfroMundi, AfroRaiz, Casa dos Rios, Cine Coruja, Rabetas Videos, Universidade Comunitaria dos Rios | Deixe um comentário

Rios de Encontro launches its 2020 Calendar!

Rios de Encontro launched its 2020 Calendar last weekend, celebrating the beginning of the second decade of its eco-cultural paradigm project in the Afro-Indigenous community of Cabelo Seco, Marabá city, in the Brazilian Amazon.

Please contact Dan Baron or Mano Souza if you’d like more details in English!

Dan can be reached via danbaronmst@hotmail.com

Publicado em Advogando, AfroMundi, AfroRaiz, Casa dos Rios, Cine Coruja, Fórum Bem Viver, Festival Beleza Amazonica, Festival da Pipa, Folhas da Vida, Gira-Sol, Publicações, Rabetas Videos, Sallus, Universidade Comunitaria dos Rios | Deixe um comentário

Rios de Encontro lança ‘folhinha comunitária’ para a nova década

A folhinha comunitária 2020, a ser lançada na semana que vem em Cabelo Seco.

Desde do início de 2020, Rios de Encontro vem se dedicando a nova década, apoiando as performance educadoras de AfroRaiz navegarem na fase do SISU pós ENEM e escolherem sua faculdade preferida, dialogando com cada uma na finalização de sua Perspectiva escrita sobre 2019, editando o vídeo sobre Rio Voador, e concluindo relatórios, para limpar horizontes e reinventar o Projeto.

AfroRaiz prepara para o processo de reflexão escrita, o micro-projeto Perspectivas, que vai gerar o livro coletivo ‘Perspectivas’ em 2020.

Os principais objetivos do Rios de Encontro já estão brotando nesses processos profundos de reflexão coletiva e pessoal, e na finalização do CD ‘Deixa o Rio Passar’ do mestre Zequinha de Cabelo Seco.

A nova década do Projeto será lançada pela celebração da obra do músico, compositor e poeta, Zequinha de Sousa, co-fundador do Rios de Encontro em 2008.

As prioridades pela nova década já estão claras: apoiar cada jovem adulta de AfroRaiz vivenciar outros projetos de formação, colaboração artística cultural e sustento da vida, para aumentar a motivação e confiança de cada uma, como gestora de uma cultura transformadora; aprofundar e ampliar a sustentabilidade do Rios de Encontro nessa conjuntura de austeridade cruel; publicar as narrativas pedagógicas, poesias e crônicas geradas pela primeira década do projeto; aprofundar a ação-pesquisa cultural em educação, saúde, segurança e economias integrais em busca da performance bem viver; e fortalecer e criar laços nacionais e internacionais através de residências comunitárias artístico-pedagógicas como metodologia para realizar estes objetivos, tanto em Cabelo Seco, quanto em Matadeiro, Florianópolis, em Santa Catarina.

AfroRaiz com sua coordenadora, Manoela, se retrata, celebrando sua diversidade, unificada pelos princípios de roda, cuidado, acordos e performance coletiva.

Na transição atual, AfroRaiz estará contrato e promovido enquanto indivíduos e Coletivo, como colaboradoras, artistas e performance educadoras profissionais. Convites já estão chegando de comunidades na região e cada continente no mundo.

Mais informação: Manoela (91 98847 8021) e Dan (91 98842 0521)

Publicado em Advogando, AfroMundi, AfroRaiz, Casa dos Rios, Cine Coruja, Fórum Bem Viver, Festival Beleza Amazonica, Festival da Pipa, Festival de Verão, Folhas da Vida, Gira-Sol, Rabetas Videos, Residências, Sallus, Universidade Comunitaria dos Rios | Deixe um comentário

AfroRaiz encerra 2019 com brinde à segunda década!

O Coletivo AfroRaiz brinda a nova década do projeto numa roda e almoço de encerramento do 2019.

Camylla Alves, Emmily Aragão, Katrine Neves, Evany Valente, Rerivaldo Mendes e Elisa Dias, integrantes do Coletivo AfroRaiz, recebem um quadro sobre o 8º Festival Beleza Amazônica na Casa dos Rios, para comemorar sua contribuição àos primeiros 11 anos do Rios de Encontro.

Publicado em Advogando, AfroMundi, AfroRaiz, Casa dos Rios, Clipping | Deixe um comentário