Marabá pode tornar-se uma cidade sustentável do futuro

Liderança Mundurucu denuncia a violência contra a vida planetária da política energêtica da hidrelétrica atual.

Liderança Mundurucu denuncia a violência contra a vida planetária da política energêtica da hidrelétrica atual.

Dan Baron, da coordenação do projeto eco-pedagógico e socioeducativo Rios de Encontro, voltou nesta quinta feira depois de três dias em Brasília, onde participou num seminário sobre ‘Hidrelétricas na Amazônia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos’, promovido pela Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, Ministério Público Federal e pelas ONGs International Rivers, Greenpeace, Xingu Vivo e pela Aliança dos Rios da Pan-Amazônia, Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social e Frente por uma Nova Política Energética.

Dan Baron apresenta Rios de Criatividade ao Congresso, que valoriza a relação entre pedagogias criativas e cidades sustentáveis.

Dan Baron apresenta Rios de Criatividade no Congresso, que valoriza a relação entre pedagogias criativas e cidades sustentáveis.

“O seminário foi excelente”, disse Dan Baron, na sua volta à Marabá. “Aprendi muito com os depoimentos corajosos e lúcidos dos povos indígenas ribeirinhos dos Rios Madeira, Xingu, Tapajós, Teles Pires, Juruena e Tocantins. As mulheres indígenas, em particular do Povo Mundurucu que recentemente conseguiu parar a construção da hidrelétrica no Rio Tapajós, transpareceram com indignação calma, sabedoria ecológica e compromisso com a sustentabilidade comunitária e do planeta tanto a impotência e cumplicidade com ecocídio do gestor do IBAMA e do assessor especial da Gestão Socioambiental do Ministério de Minas e Energia, quanto à violação dos direitos humanos pelo Gerente, abuso de recursos públicos e descuido ambiental do Coordenador de Direitos Humans do banco BNDS. Todos ficaram incapazes de responder aos relatos de destruição ambiental, violação dos direitos humanos, e da epidemia de fome, doença, assalto, estrupo, morte de jovens e prostituição que promessas não cumpridas de emprego e condicionantes (construção de moradia de relocalização, sistema de saneamento básico, escola e hospital públicos).”

Brent Millikan, Diretor da ONG International Rivers que co-promoveu o Seminário, dimensiona a escala da ameaça à Amazônia durante os debates no Congresso.

Brent Millikan, Diretor da ONG International Rivers que co-promoveu o Seminário, dimensiona a escala da ameaça à Amazônia durante os debates no Congresso.

‘Depois das Inundações’, o documentário independente sobre a hidrelétrica Belo Monte, lançado na abertura do seminário, confirma este cenário trágico e será projetado no Festival Beleza Amazônica, na presença de cientistas mundiais sobre Amazônia. “Marabá tem o direito de saber os fatos e conhecer outras opções”, afirma Dan Baron, “para escolher o melhor futuro possível, baseada em informação e debate inteligente.”

Atriz Maria Paula apresenta lideranças do movimento Xingu Vivo e dos povos indígenas da região destruída pela hidrelétrica Belo Monte no final da apresentação do filme 'Depois das Inundações'.

Atriz Maria Paula apresenta lideranças do movimento Xingu Vivo e dos povos indígenas da região destruída pela hidrelétrica Belo Monte no final da apresentação do filme ‘Depois das Inundações’.

Dan Baron destacou a suprema importância da apresentação detalhada sobre a Lei 13.334 de 2016. “Os próprios expertos presentes ficaram assustados pelos detalhes da lei aprovada pelo governo ilegítimo atual a poucos meses. Num retorno à política da ditadura militar, substitua os princípios de cuidado ambiental e consulta previa dos povos ribeirinhos (em particular, povos originários e tradicionais) na Constituição brasileira com a implantação e operação do empreendimento, sem qualquer amarra, em nome da Suspensão de Segurança e desenvolvimento. Esta industrialização autoritária e catastrófica da Amazônia gera energia ineficiente, que nem alcança o povo (que ainda paga talão de luz mais caro no país), foi denunciada como roubo e irresponsabilidade criminais pelos deputados federais Arnaldo Jody de Belém e Nilto Tatto. A hidrelétrica pertence a um modelo esgotado, já descartado por países avançados no mundo. Os parceiros do Rios de Encontro já abraçaram opções energéticas (solar) que priorizam o sustento da vida da população de Marabá e do povo brasileiro.”

AfroMundi dramatiza temas como poluição do Rio Doce e questões de aquecimento global no espetáculo 'Nascente em Chamas' no Teatro Waldemar Henrique em Belém na semana passada.

AfroMundi dramatiza temas como poluição do Rio Doce e questões de aquecimento global no espetáculo ‘Nascente em Chamas’ no Teatro Waldemar Henrique em Belém na semana passada.

No seminário, Dan Baron explicou como as artes, praticadas por jovens de bairros populares, podem fazer a diferença em comunicar estas opções sustentáveis, popularizando pesquisa científica e sensibilizando todos sobre escolhas da espécie humana. “O Seminário elogiou nossos jovens arte educadores e gestores do Rios de Encontro,” disse Dan, “por sua consciência ecológica, atitude de não aceitar patrocínio da Vale ou qualquer indústria ou político, implicados na destruição da Amazônia. Temos que lembrar que vivemos na Amazônia, o bioma que irriga e sustenta todos os ecossistemas do mundo.”

Cientista mundial Professor Lola explica à jovem video-maker e percussionista, Rerivaldo Mendes, como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo, para popularizar pesquisa e contribuir a debates inclusivos.

Cientista mundial Professor Lola explica à jovem video-maker e percussionista, Rerivaldo Mendes, como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo, para popularizar pesquisa e contribuir a debates inclusivos.

No final do Seminário no Congresso, Dan anunciou ao plenário lotado que, num encontro paralelo da Aliança Mundial pela Arte Educação sobre educação pela sustentabilidade acontecendo em Guangzhou na China, recebeu uma mensagem celebrando Cabelo Seco por seu cuidado exemplar. “A própria China já reconhece os impactos ambientais positivos da energia solar. O Brasil tem esta opção política e ética, e Marabá pode se tornar uma cidade do futuro exemplar. Vamos todos debater isso durante o Festival Beleza Amazônica, na semana que vem.”

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Jovens se transformam em formadores do futuro, em Marajó

Alanes Soares, Elisa Neves e Rerivaldo Mendes tocam tambores da liberdade no novo espetáculo 'Margens Vitais' na noite cultural da Olimpíada de Ciência na Floresta.

Alanes Soares, Elisa Neves e Rerivaldo Mendes tocam tambores da liberdade no novo espetáculo ‘Margens Vitais’ na noite cultural da Olimpíada de Ciência na Floresta.

O projeto eco-cultural e socioeducativo Rios de Encontro, enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008, voltou ontem após 10 dias em Marajó, realizando a primeira etapa de colaboração com professores, alunos e gestores culturais dos Estados Unidos e uma escola ribeirinha na margem do Rio Anapú, sediado pelo Museu Emílio Goeldi na sua estação científica em Caxiuanã. No meio dos rios e das florestas ameaçadas, os cinco jovens e dois adultos arte educadores participaram numa troca de conhecimentos na oitava ‘Olimpíada das Ciências na Floresta’, com tema Linhas Vitais: Águas, Ecologia e Cultura. A viagem culminou com uma segunda apresentação de três espetáculos de dança-teatro, no Teatro Experimental Waldemar Henrique em Belém, no dia 30 de novembro, premiados pelo prêmio Novos Talentos da Funarte-MinC.

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Camylla Alves, Lorena Melissa, Alanes Soares, Elisa Neves e Rerivaldo Mendes se juntaram com gestores do Rios de Encontro, Dan Baron e Manoela Souza, para realizar um curso de formação para 35 professores de 12 escolas ribeirinhas de Portel e Melgaço em Marajó. Paralelamente, realizaram quatro oficinas de dança afro-contemporânea e percussão de raiz para 25 alunos da escola EEEF São Sebastião, e 8 alunos e 5 professores de ciência, tecnologia, engenharia e matemática da escola Fairchild Wheeler, e gestores do Museu Marítimo e de Creative Connections, de Connecticut nos Estados Unidos. As oficinas criaram a base de um novo espetáculo ‘Amazônia Nos Irriga’, apresentado numa noite cultural no dia 27 de novembro, a ser desenvolvido em Connecticut, na segunda etapa da colaboração, em abril de 2017.

Cientista mundial Professor Lola explica ã Rerivaldo Mendes como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo.

Cientista mundial Professor Lola explica ã Rerivaldo Mendes como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo.

Rerivaldo Mendes (21 anos), coordenador do Rabetas Vídeos Coletivo, foi selecionado para documentar a colaboração entre jovens da Amazônia e dos EUA, saindo com Dan Baron logo após uma apresentação no Dia da Consciência Negra. “Fiquei encantado com a beleza de nossa Amazônia, viajando por dois dias nos rios de Guamá e Anapú para chegar à Estação Científica em Caxiuanã. Me marcou muito a sensibilidade ribeirinha dos jovens de São Sebastião e a disciplina dos jovens cientistas de Bridgeport, Connecticut, mas nunca vou me esquecer da caminhada no meio da floresta em Caxiuanã com o Professor Antônio Lola da UFPA. Impossível imaginar que um dos cientistas mais reconhecidos do mundo por sua pesquisa sobre ecossistemas tropicais, falando com tanta humildade e carinho sobre as causas da grave seca que o desmatamento causa. Mudou toda a minha compreensão sobre uma árvore, que hoje vejo como um ser, sensível e extraordinário, que na Amazônia gera a chuva que sustenta o mundo. Choveu nenhuma vez durante nossa estadia! Ele, um grande advogado para energia solar, passou para nós jovens sua motivação para priorizar energia solar.”

AfroMundi apresenta sua pesquisa em dança afro-brasileira aos alunos das Américas numa oficina de criação.

AfroMundi apresenta sua pesquisa em dança afro-brasileira aos alunos das Américas numa oficina de criação.

Alanes Soares (17 anos), coordenadora da biblioteca comunitária Folhas da Vida, participou também como percussionista nas apresentações dos ritmos de raiz nas oficinas de formação de professores e de criação intercultural. “Agora, depois de três dias e noites nos rios, sei o que é a Amazônia! Adorei a oportunidade de aprofundar minha formação como oficineira de uma educação que integra a inteligência plástica, musical, teatral, visual e literária. A criação de uma confiança coletiva e comunitária para aprender trocar histórias da vida a partir de canto, teatro, dança, pintura e escultura, mudou completamente minha visão sobre educação. AfroMundi sensibilizou com seus espetáculos ‘Lágrimas Secas’, ‘Nascente em Chamas’ e ‘Margens Vitais’, centímetros longe da plateia, bem na sala de aula. Mas fiquei fascinada com a criação de uma coreografia que dramatizou a complexidade da Amazônia! 50 pessoas que nunca dançaram uma narrativa, apresentaram desmatamento, poluição, pesquisa e ação ecológica comunitária, transformando séculos de timidez em dança unida! Simbolizou muito! Vou trazer tudo isso para nossas crianças nos bairros de Marabá!”.

Alanes, Elisa, Lorena e Camylla de Rios de Encontro ajudam na formaçäo dos professores das escolas de Potel e Melgaçu nas Olimpíada de Ciência na Floresta.

Alanes, Elisa, Lorena e Camylla de Rios de Encontro ajudam na formaçäo dos professores das escolas de Portel e Melgaço nas Olimpíada de Ciência na Floresta.

Além de apresentar dois espetáculos já premiados e atuar como oficineiras na formação de professores, Camylla Alves e Lorena Melissa da Cia AfroMundi apresentaram seu novo espetáculo em construção, ‘Margens Vitais’. Fruto de pesquisa realizada com povos indígenas e desenraizados, em Hong Kong e Nova Zelândia em Abril de 2016, ele integra percussão de raiz com dança afro-contemporânea. A nova coreografia inspirou tanto os integrantes de Marajó, quanto os alunos e professores dos EUA. “Hoje, depois de oito anos no projeto,” disse Camylla (21 anos), “tenho clareza sobre a relação entre o resgate de nossas raízes e a criação de uma nova identidade comunitária, comprometida com a sustentabilidade ética da gente e do mundo. Igual a uma árvore. Cortando a raiz, para de respirar, semear e irrigar o futuro. Nesta colaboração internacional, consegui explicar para mim mesmo como a dança expressa, narra, cicatriza, transforma e motiva, tudo numa vez. Mas nunca imaginava seis coreografias acontecendo no mesmo espaço, simultaneamente! Acabamos com o medo de experimentar em público! Transformamos educação de medo em cultivo de confiança. Sem palavras!”

AfroMundi e Tambores da Liberdade estreiam 'Margens Vitais', nas Olimpíada de Ciência na Floresta em Caxiuanã.

AfroMundi e Tambores da Liberdade estreiam ‘Margens Vitais’, nas Olimpíada de Ciência na Floresta em Caxiuanã.

Lorena Melissa, colega de Camylla desde 2006, se surpreendeu com sua capacidade de se tornar percussionista e oficineira. “Era tímida, ainda sou um pouco!”, ela ria, “mas agora sou prova que cada ser humano desenvolve uma base musical e percussiva na sua evolução humana, na gestação materna. Foi bonito ver professores se tornando crianças de novo, recuperando sua criatividade, alegria e confiança! Viraram cantores, atores e dançarinos, e danados! E encontrei minha confiança como oficineira nas rodas de contação de história que ajudei a coordenar. Agora, com sensibilidade e consciência ecológica, a gente percebe o potencial amazônico para enfrentar os grandes projetos hidroelétricos. Já fiquei indignada quando visitamos Belo Monte. Hoje, depois de vivenciar as florestas de Caxiuanã e todas as espécies de vida amazônica na bosque do Museu Goeldi em Belém, entendo que a questão ecológica não é só opção. É nosso futuro.”

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“Somos o futuro, sim,” declarou Elisa Neves (19 anos) na conversa após da apresentação no Teatro Valdemar Henrique em Belém no dia 30 de novembro, “mas é banal falar isso sem ter um projeto coletivo, que denuncia o autoritarismo, em casa, na escola, na comunidade, nos governantes, e que anuncia o cuidado e o respeito para tudo, que começa dentro de cada uma de nós. Nas oficinas de formação e criação, vivenciamos esta transição transformadora, que sinto quando pego meu Djambé. Vi isso também nos jovens e professores de São Sebastião e Bridgeport, Connecticut, quando arriscaram largar cadeiras, canetas e palavras, e optaram em pegar baquetas ou se entregaram nas coreografias, que pesquisam e transformam ao mesmo tempo. Transformamos tanta violência e autoproteção na gente, em autodeterminação unida! Não basta só gritar ou pichar ‘Fora Temer! Fora Trump!’. Temos que juntar todas as gerações num projeto que transforma as causas da corrupção em um novo sonho, não só de vermelho ou verde, mas de todas as cores e tons do planeta, enraizado no cuidado de seus rios e florestas.”

Camylla Alves apresenta Nascente em Chamas no Teatro Experimental Waldemar Henrique em Belém, no dia 30 de novembro.

Camylla Alves apresenta Nascente em Chamas no Teatro Experimental Waldemar Henrique em Belém, no dia 30 de novembro.

“Juntos, em Caxiuanã, sem pretensão, unimos a ciência da floresta amazônica com a ciência do estado mais rico nos EUA,” disse Dan Baron, diretor artístico da colaboração entre o Museu Goeldi e Museu Stepping Stones. “Criamos um novo símbolo, que mexe com o atual imaginário de pessimismo, medo dos governantes autoritários e do aquecimento global irreversível. Jovens das duas Américas, unidos, co-gestionando um novo projeto que abraça e integra nossas raízes e antenas. Nenhum dos jovens que participaram das Olimpíada da Floresta, sabiam quem era Fidel Castro quando faleceu. Mas entendem na pele que o novo Presidente dos EUA ameaça o futuro do planeta. Em seus comportamentos cotidianos, buscam qualquer clareira para se refugiar da nova ditadura neoliberal atual, da ganância autoritária. Numa floresta anônima e antiga, em Marajó, no meio de mais de 2.500 espécies de vida, enraizada em saberes afro-indígenas, encontraram uma clareira. Vamos ver o que vai brotar desta união das Américas.”

Jovens arteducadores encerram a noite de dança contemporânea e ritmos de raiz com o lançamento do movimento eco-cultural 'Rios de Criatividade', tema do 2016 Festival Beleza Amazônica.

Jovens arteducadores encerram a noite de dança contemporânea e ritmos de raiz com o lançamento do movimento eco-cultural ‘Rios de Criatividade’, tema do 2016 Festival Beleza Amazônica.

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Venha participar numa festa de arte de raíz e dança contemporânea HOJE às 19h30, em Belém

Acreditamos que a comunicação artística da cultura popular pela preservação ecológica e transformação socioeducativa tem uma força chave para garantir vida sustentável!

Acreditamos que a comunicação artística da cultura popular pela preservação ecológica e transformação socioeducativa tem uma força chave para garantir vida sustentável!

Venha participar HOJE no Teatro Waldemar Henrique em Belém, HOJE, às 19h30. Entrada franca!

Elisa Neves, Alanes Soares, Évany Valente e Reris Mendes tocam os Tambores de Liberdade.

Elisa Neves, Alanes Soares, Évany Valente e Reris Mendes tocam os Tambores de Liberdade.

Elisa Neves, Alanes Soares e Reris Mendes tocando numa tarde cultural em Marabá recentemente, celebrando os escritores do Sul e Sudeste do Pará. Os Tambores de Liberdade tocam hoje, em Belém!

Camylla Alves, Lorena Melissa, Emily Neves e Katrine Alves de Cia AfroMundi dançam coreografia de Guine Bissau na Casa de Cultura.

Camylla Alves, Lorena Melissa, Emily Neves e Katrine Alves de Cia AfroMundi dançam coreografia de Guine Bissau na Casa de Cultura.

Camylla Alves e Lorena Melissa apresentam premiados espetáculos de dança contemporânea da Cia AfroMundo, HOJE, no Waldemar Henrique, às 19h30!

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Cabelo Seco abraça poetas de baixo de lua cheia

Cia AfroMundi Mirim apresenta na pracinha, no 42 Sarau da Lua Cheia, entre poemas e cantos da AESSPA, assistida pelos escritores do futuro na biblioteca Folhas da Vida.

Cia AfroMundi Mirim apresenta na pracinha, no 42 Sarau da Lua Cheia, entre poemas e cantos da AESSPA, assistida pelos escritores do futuro na biblioteca Folhas da Vida.

Nosso projeto eco-cultural e socioambiental, Rios de Encontro, enraizado na comunidade afro-indígena Cabelo Seco, realizou duas novas colaborações na semana passada, com 16 jovens de sete povos indígenas do Pontão de Cultura Thydewas, Sudeste da Bahia, e com escritores da AESSPA, no 42 Sarau da Lua Cheia. Estes novos passos de dois prêmios nacionais recentes, Rios de Criatividade (pelo Ministério da Educação), e Redes da Criatividade (pelo Ministério da Cultura), antecipam o primeiro festival internacional Beleza Pan-Amazônica, idealizado para Novembro de 2016 para valorizar e preservar os Pedrais do Lourenção.

Rafael Varão da rede Rios de Encontro recita o poema 'Consciência Negra', acompanhado por Javier di Mar-y-Abá da AESSPA.

Rafael Varão da rede Rios de Encontro recita o poema ‘Consciência Negra’, acompanhado por Javier di Mar-y-Abá da AESSPA.

Na noite de sexta feira, com o nascer da lua, nove escritores da AESSPA embelezaram a pracinha de Cabelo Seco com diversos poemas, contos e cantos. Foram acolhidos pelo coletivo gestor juvenil do anfitrião, Rios de Encontro, que intercalou danças e ritmos de afro-raiz de Cia de Dança AfroMundi e Tambores da Liberdade, poesia da biblioteca comunitária Folhas da Vida, e vídeos do Rabetas Vídeos Coletivo, diante uma grande plateia comunitária. Durante a noite inovadora, mais de 70 crianças leram e desenharam na biblioteca na rua, ao lado dos poetas que integraram quatro gerações. “Isso é o som cultural da pracinha de Cabelo Seco”, disse Manoela Souza, coordenadora da noite com Javier di Mar-y-abá. “Crianças e jovens de uma comunidade, afro-indígena, brincando, lendo alto, cantando, tocando e dançando. Vamos cuidar desta beleza amazônica do Rio Tocantins, para mantê-la viva!”

O Coletivo Afro-Raiz de arteducadores da Cia AfroMundi, Tambores da Liberdade, Folhas da Vida e Rabetas Vídeos iniciam uma troca cultural com jovens indígenas no Pontão da Cultura Thydewas, no Sul da Bahia no primeiro encontro do projeto Redes de Criatividade.

O Coletivo Afro-Raiz de arteducadores da Cia AfroMundi, Tambores da Liberdade, Folhas da Vida e Rabetas Vídeos iniciam uma troca cultural com jovens indígenas do Pontão de Cultura Thydewas, no Sul da Bahia no primeiro encontro do projeto Redes de Criatividade.

Na manhã de sábado, o coletiva de jovens coordenadores concluiram um ensaio de percussão afro-raiz com uma meia lua para sua primeira roda virtual do projeto ‘Redes de Criatividade’, trocando ritmos, cantos, danças e histórias com 16 jovens indígenas reunidos no Pontão de Cultura, Thydewas, em Ilhéus, no Sul da Bahia. Coordenador do Pontão, Sebastian Gerlic estava com Rios de Encontro em Cabelo Seco no mês passado, idealizando os dois projetos, Rios e Redes de Criatividade: “Já recepcionamos Dan Baron aqui em Ilhéus, duas vezes, formando nossos jovens em um coletivo para criar livros digitais indígenas a partir de histórias pessoais. Com esta roda virtual, realizamos o primeiro passo de um sonho. Juntar duas meias luas de jovens de projetos de regiões vizinhas para criar uma rede cultural que valoriza o jovem como protagonista da preservação ambiental e transformação social.”

0 Jovens indigenas de Thydewas dialogam com jovens arteducadores do Rios de Encontro num primeiro encontro do projeto Redes de Criatividade, rumo ao Rios de Criatividade em novembro de 2016.

0 Jovens indigenas de Thydewas dialogam com jovens arteducadores do Rios de Encontro num primeiro encontro do projeto Redes de Criatividade, rumo ao Rios de Criatividade em novembro de 2016.

“Estes dois passos de troca cultural”, explica Dan Baron do Rios de Encontro, “mostram a vontade de jovens para criar laços e colaboraçõs que vão muito além das prisões da pobreza e exclusão. Logo se transformam em redes, independentes das alianças corruptas para explorar a região, porque jovens necessitam acreditar em um projeto com futuro. Senão, caem em vícios de consumo e autoconsumo auto-destruitivos. Apostamos no celular como ferramenta para globalizar a consciência ecológica e preservar a força renovadora da Amazônia.”

Na sexta que vem, Rios de Encontro leva a mostra Viva Pedral do Lourenção Viva! ao encontro ‘Arte Para Todos’, do ILLA, no Campus 3 da Unifesspa, e no domingo dia 04 de setembro, realizará sua bicicletada Viva o Pedral do Lourenção, Viva!, que culmina com uma troca cultural na Escola Irmä Theodora, no bairro Liberdade. “Todos são bem vindos”, afirma Rerivaldo Mendes (20 anos), coordenador do Rabetas Vídeos. “Além de comunicar com comunidades vizinhas, estamos criando redes internacionais, para integrar o mundo na preservação do rio invisível no ceú que irriga todos os continentes do mundo.”

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Festival da pipa 2016 se transforma em ação criativa mundial

Uma das oficinas de criação coordenada de Alanes Soares da biblioteca Folhas da Vida que integram cooperação, respeito pelo outro, troca de histórias e criação de comunidade, no Festival de Pipa 2016.

Uma das oficinas de criação coordenada de Alanes Soares da biblioteca Folhas da Vida que integram cooperação, respeito pelo outro, troca de histórias e criação de comunidade, no Festival de Pipa 2016.

A biblioteca Folhas da Vida, do Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo, enraizado na comunidade Cabelo Seco, realizou seu terceiro Festival da Pipa, no sábado passado, dia 06 de agosto. A participação de mais de 60 crianças e adolescentes do bairro, coincidiu com a notícia de que suas duas últimas edições estão recebendo mais de 40.000 visitações por semana no seu canal do YouTube, e já ultrapassam 460.000 leitores.

Rerivaldo de Rabetas Vídeo Coletivo filma o processo.

Rerivaldo de Rabetas Vídeo Coletivo filma o processo.

“Este festival foi completamente diferente do que em 2014 e 2015”, disse Alanes Soares, coordenadora da biblioteca Folhas da Vida e uma das rodas de criação. “No primeiro ano, tivemos mais participação de adolescentes, levando pipas até uma balsa no Rio Tocantins para o proteger e comunicar ao mundo ‘deixa nosso rio passar’. No segundo ano, ficamos surpresos com o grande número de crianças, participantes da Escola AfroMundi de Dança, da biblioteca e do Cine Coruja, com jovens cuidando delas e as ajudando a fabricar e empinar pipas. Neste ano, as crianças se dividiram, meninas curtindo mais o processo de criação em grupo, e meninos se dedicando à empinar suas pipas no céu da Orla.”

Roseane coordena sua primeira roda de criação

Roseane coordena sua primeira roda de criação

Manoela Souza, coordenadora do festival junto com os jovens coordenadores do projeto, destaca as qualidades que unem as edições. “Todos os anos, anotamos concentração, cuidado com o outro, apoio solidário e, sobretudo, a vontade de dedicar horas, fabricando esta tecnologia antiga, na beleza às margens do Tocantins. Este ano, os jovens da comunidade em maior risco realmente deram uma força imensa, coordenando a produção de talas artesanais e orientando crianças, com a maior calma e paciência. Realmente, é um processo juvenil auto-gestionado, que afirma a cultural ribeirinha da comunidade.”

Crianças na Orla do Rio Tocantins admiram um sensibilidade ambiental intuitiva no Festival da Pipa 2016 que será ampliada em ação mundial em novembro de 2016.

Crianças na Orla do Rio Tocantins admiram um sensibilidade ambiental intuitiva no Festival da Pipa 2016 que será ampliada em ação mundial em novembro de 2016.

“Temos que pensar porque nossos dois vídeos do festival da pipa no YouTube tem tanta popularidade”, reflete Dan Baron, coordenador pedagógico do projeto. “Percebemos que um festival na beira de um rio amazônico demonstra uma beleza e capacidade infantis de ler e escrever sonhos de liberdade nos ventos e no céu, uma alfabetização ecológica intuitiva. Mas observando desde as crianças mais novas até os jovens mais espertos fabricando pipas, percebemos além do aprendizado de autonomia e cooperação, o processo de criar comunidade. Existe o extraordinário conjunto do olhar concentrado, da mão e da mente em sincronia, para realizar uma ideia nova, do zero, em um sonho existencial.”

Uma Orla de amizade, brincadeira e beleza, sem invasão industrial (ainda!) que mudará tudo.

Uma Orla de amizade, brincadeira e beleza, sem invasão industrial (ainda!) que mudará tudo.

“Cada escola pode realizar seu festival da pipa, junto com a comunidade”, propõe Dan. “Em contraste com o consumo do já feito no celular ou no vídeogame, isolado e em silêncio, com as pipas cada criança está criando e co-criando um ambiente pedagógico, e produzindo um brinquedo, se admirando e admirando outros, em grupo, desenvolvendo alfabetizações física, matemática, plástica, motora, estética, social e até emocional, na sua primeira infância. Enraizado na cultura popular, a criação da pipa na briza e no sol, é uma complexa pedagogia rica, que manifesta e cultiva sensibilidade ecológica amadurecida para se transformar em consciência socioambiental. Vamos ampliar isso como ação criativa aqui e em 40 paises no nosso encontro mundial, Rios de Criatividade’, em novembro de 2016, para preservar os Pedrais do Lourenção e os ventos das chuvas que levam o rio invisível no céu amazônico, ao mundo.”

Finalmente, Camilo solta sua pipa. Filho do Rio Tocantins, ele sabe como ler o vento e a água. Ele não vai deixar o rio morrer.

Finalmente, Camilo solta sua pipa. Filho do Rio Tocantins, ele sabe como ler o vento e a água. Ele não vai deixar o rio morrer.

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Idealizamos ‘pororoca de solidariedade’ para preservar Pedral do Lourenção

Erik Dijkstra e Simone Fortes do Coletivo Abayome celebram uma noite de dança-percussão afro com artistas de AfroMundi, AfroMundi Mirim, Tambores da Liberdade, Rabetas Vídeos, Folhas da Vida e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará.

Erik Dijkstra e Simone Fortes do Coletivo Abayome celebram uma noite de dança-percussão afro com artistas de AfroMundi, AfroMundi Mirim, Tambores da Liberdade, Rabetas Vídeos, Folhas da Vida e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará.

O projeto eco-cultural e socioeducativo, Rios de Encontro, realizou em Cabelo Seco nesse final da semana uma segunda reunião de gestores nacionais da Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA), com a participação da coordenação de Cultura da Proex-Unifesspa, numa vivência no Pedral do Lourenção, para idealizar o Festival Beleza Amazônica que vai acontecer em novembro de 2016. Na sua quinta edição, o Festival possa contar com a participação simultânea de mais de 40 países.

Artistas de AfroMundi, Tambores de Liberdade, Folhas da Vida e Rabetas Vídeos apresentam raízes de Cabelo Seco na pracinha.

Artistas de AfroMundi, Tambores de Liberdade, Folhas da Vida e Rabetas Vídeos apresentam raízes de Cabelo Seco na pracinha.

O encontro da coordenação nacional da ABRA começou na noite do dia 27 de julho com a festa de encerramento de uma semana de formação em dança-percussão afro-raiz para os jovens coordenadores da Cia AfroMundi, Tambores da Liberdade, biblioteca Folhas da Vida e Rabetas Vídeo Coletivo, e gestoras da Unifesspa. Mais de 150 moradores, artistas, gestores e colaboradores assistirem os 20 integrantes das oficinas apresentarem coreografias de Guiné Bissau e danças afro-brasileiras que culminaram em uma ciranda aberta de dança afro. “Moradores da comunidade que nunca haviam dançado Afro-Raiz se integraram nas quintas gerações presentes na roda”, sorriu Camylla Alves, coordenadora da AfroMundi, que se integrou também nos ritmos de percussão. “Com a residência, realizamos oito anos de sonho. Resgatamos as raizes de todos nós, sem palestra, sem exclusão de ninguém. Foi uma noite histórica!”.

Daniela da Silva, geógrafa universitária, jovem liderança do movimento Xingu Vivo para Sempre, deslocada pela invasão da hidrelétrica Belo Monte, participa na entrevista coletiva sobre a visão e objetivos do V Festival Beleza Amazônica.

Daniela da Silva, geógrafa universitária, jovem liderança do movimento Xingu Vivo para Sempre, deslocada pela invasão da hidrelétrica Belo Monte, participa na entrevista coletiva sobre a visão e objetivos do V Festival Beleza Amazônica.

Para Daniela Silva (22 anos) do movimento Xingu Vivo Para Sempre, que recepcionou os jovens coordenadores de Rios de Encontro em Altamira em maio, a festa de Afro-Raiz foi exemplar. “Sou jovem negra liderança, lutando para preservar o Rio Xingu. Cheguei para alertar Marabá ficar ligada sobre as falsas promessas das mineradoras e governantes. Fiquei emocionada ver crianças de AfroMundi Mirim dançando com tanta autoconfiança e afirmação de sua identidade, na praça! Rios de Encontro já inspirou nosso movimento. Agora, junto com ABRA, vai contagiar o mundo com seu Festival Beleza Amazônica nas redes sociais. Foi uma honra para mim ser convidada para idealizá-lo.”

Ulisses Pompeu conta a história do Pedral de Lourenção a gestores do Rios de Encontro, ABRA e Unifesspa numa 'roda fluvial' no Rio Tocantins.

Ulisses Pompeu conta a história do Pedral de Lourenção a gestores do Rios de Encontro, ABRA e Unifesspa numa ‘roda fluvial’ no Rio Tocantins.

Junto com coordenadores de cultura da Proex-Unifesspa, Pontão de Cultura baiano, Thydewa, Fotoativa e Humanas Tradução de Belém, e arte educadores da Organização Multirão da Meninada de Minas Gerais, da Economia Solidária de Santa Catarina e da TV Ovo Comunitária do Rio Grande do Sul, Daniela participou numa vivência no Pedral do Lourenção no Rio Tocantins. Os 12 gestores experimentaram com ‘esculturas humanas’, filmadas com drone pela equipe do jornalista Ulisses Pompeu, para imaginar possíveis intervenções com todos os participantes em novembro.

Gestores do Rios de Encontro, ABRA e a Unifesspa escrevem com seus corpos sua 'colaboração pela vida' no Pedral do Lourenção.

Gestores do Rios de Encontro, ABRA e a Unifesspa escrevem com seus corpos sua ‘colaboração pela vida’ no Pedral do Lourenção.

“Visitando a beleza do Pedral do Lourenção me tocou profundamente”, explicou Gabriela Machado de Juiz de Fora, Minas Gerais, numa entrevista na Rádio Itacaiúnas no sábado com Daniela. “O Rio Paraibuna que perpassa Juiz de Fora recebeu Marmelos, a primeira hidrelétrica na América do Sul, em 1889. Hoje o rio é envenenado, morto, sem peixe. É uma tecnologia pré-histórica que países informados com direitos humanos já substituíram com energias limpas e inteligentes. Alistamos projetos de futuros sustentáveis para interagirem em novembro com comunidades e escolas, em Marabá, para transformar a cidade em um fórum de debate, através das artes.”

Gestores e gestoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia e Pará estudam a proposta artístico-pedagógica do Festival Beleza Amazônica 2016.

Gestores e gestoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia e Pará estudam a proposta artístico-pedagógica do Festival Beleza Amazônica 2016.

ABRA dedicou três dias inteiros, idealizando uma proposta para o Festival Beleza Amazônica 2016 que contempla todas os projetos inovadores de Rios de Encontro e idéias das rodas realizadas em Marabá, e integra centenas de ‘projetos pela vida’ do mundo, recebidos por streaming. Estarão presentes também projetos de economia colaborativa, reciclagem de lixo e energia solar (Santa Catarina), escolas sem provas e paredes (Minas Gerais), celulares verdes (Bahia), estudos linguísticos através de filme e canto, e urbanismo ambiental (Pará), TV comunitária e formação infantil (Rio Grande do Sul), bibliotecas na praça (Minas Gerais e Ceará), junto com histórias da vida virtuais de centenas de outros ‘projetos pela vida’ dos países nórdicos, asiáticos, latinos, africanos e europeus. Assim, ABRA espera que as comunidades de Marabá possam se vivenciar como ‘um município inteligente’.

Uma roda de sonhos no nosso Barracão de Cuktura.

Uma roda de sonhos no nosso Barracão de Cuktura.

“Além desta convivência”, explica Dan Baron, coordenador da articulação internacional, “milhares de comunidades, redes, e movimentos no mundo vão realizar ações fluviais que estarão postadas no YouTube e Facebook, para gerar uma pororoca de solidariedade com o Pedral do Lourenção, que defendem o Rio Tocantins e a Amazônia inteira. Vamos receber dentre os principais mestres indígenas, cientistas ambientais, economistas, pedagogos, cineastas, artistas, jornalistas e gestores de micro-crédito e moeda comunitária do mundo para compartilhar seus conhecimentos. Amazônia não pode tornar-se uma fábrica de morte, um deserto de lixo, um exportador de pragas e doenças. Juntos, vamos desmentir a crença que estas grandes obras são inevitáveis e mostrar que o futuro é aberto.”

A Rede Brasileira de Arteducadores escreve uma mandala 'círculo de proteção' no Pedral do Lourenção.

A Rede Brasileira de Arteducadores escreve uma mandala ‘círculo de proteção’ no Pedral do Lourenção.

O encontro da ABRA encerrou com unidade sobre a marca do festival em novembro. “O Festival Beleza Pan-Amazônica 2016 terá as crianças na frente, coordenadas por jovens”, disse Daniela. “Vamos deixar o futuro cantar e encantar!”

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Festival de Verão 2016 encerra residência de dança-percussão afro-raiz com mostra

festival de verao 2016 (cand)

Eliza Neves e Évany Valente (Tambores da Liberdade), Alanys Soares (Folhas da Vida) e Bianca Alves (AfroMundi Mirim) participam numa oficina sobre afinação do Djembe com Erik Dijkstra

Eliza Neves e Évany Valente (Tambores da Liberdade), Alanys Soares (Folhas da Vida) e Bianca Alves (AfroMundi Mirim) participam numa oficina sobre afinação do Djembe com Erik Dijkstra.

Nos iniciamos nosso Festival de Verão ‘Afro Raiz’ no dia 18 de julho com uma roda com 22 estudantes de antropolgia cultural e estudos ambientais do EUA e Canadá, e concluamos nossa primeira semana, com uma grande mostra nesta quarta feira, as 20h30, de novas coreografias Africanas. A roda das Américas e residência sul-norte, afirmam nosso caminho internacional rumo à Festival Beleza Pan-Amazônica em defesa do Rio Tocantins, em novembro de 2016.

Alanys Soares (Folhas da Vida), Professora Patricia Luz, Erik Dijkstra, Rerivaldo (Rabetas Vídeos), Eliza Neves e Évany Valente (Tambores da Liberdade), e Luan Holanda tocam rítmos africanos no Barracão da Cultura.

Alanys Soares (Folhas da Vida), Professora Patricia Luz, Erik Dijkstra, Rerivaldo (Rabetas Vídeos), Eliza Neves e Évany Valente (Tambores da Liberdade), e Luan Holanda tocam rítmos africanos no Barracão da Cultura.

A mostra é fruto de um curso de 20 horas de percussão e de dança, ministrado pelos artistas nacionais Simone Fortes e Erik Djikstra do Coletivo Abayomi. Vem integrando 10 jovens coordenadores do Rios de Encontro (incluindo Cia AfroMundi e percussionistas Tambores da Liberdade), educadora popular Luciana Melo, e a professora Patricia Luz e seu filho, Luan Holanda. Esta turma diversa apoiou os artistas em residência realizar uma oficina para crianças da AfroMundi Mirim, uma grande oficina de danças populares afro-brasileiras para 60 estudantes da Pedagogia do Campo da Unifesspa, e uma roda de danças de Guiné Bissau, Mali, Senegal e Costa do Marfime numa oficina para 35 pessoas na Unifesspa.

Camylla Alves, Ananais Fernandes, João Paulo Souza e Lorena Melissa (AfroMundi), e Luciana Melo (Unifesspa) aprendem danças africanas tradicionais e afro-Brasilieras com Simone Fortes (dir) de Abayome Coletivo.

Camylla Alves, Ananais Fernandes, João Paulo Souza e Lorena Melissa (AfroMundi), e Luciana Melo (Unifesspa) aprendem danças africanas tradicionais e afro-Brasilieras com Simone Fortes (dir) de Abayome Coletivo.

“A residência está sendo supreendente!”, disse Alanys Soares, bibliotecária da Folhas da Vida, cujo primeiro poema saiu na Galeria do Povo em Cabelo Seco, sábado passado. “Não sei tocar, e pensei que o curso era só para dançarinas e percussionistas experientes. Mas acabei aprendendo como tocar diversos ritmos no Djembe, até sonhando sobre eles em cama! A gente grava esta linguagem na pele, que hoje sei tem memória. Mas também, aprendi sobre África e sobre como criar um coletivo, baseado em escuta, generosidade e respeito pela percussão como primeira linguagem da vida.”

AfroMundi Mirim aprende dança afro-brasileira com Simone Fortes.

AfroMundi Mirim aprende dança afro-brasileira com Simone Fortes.

“Estes jovens coordenadores são extraordinários,”, comente dançarina afro-contemporânea Simone Fortes, visitando a Amazônia pela primeira vez. “São artistas, gestores e produtores inteligentes, com um compromisso contagiante com a preservação da Amazônia. Reunem as 8h num cafe de manhã de produção e dançam e tocam até a noite. Falam com propriedade sobre a história violenta e corrupta do Sudeste do Pará, mas são alegres, criativos e unidos! E já estão criando uma nova geração, AfroMundi Mirim, que interpreta coreografias que eu passeu à sua coordenadora, Camylla Alves, em 2014. É emocionante! Vamos voltar para ajudar realizar o Festival Beleza Pan-Amazônica, no final do ano”.

AfroMundi e educadora popular Lucina Melo (Unifesspa) encerram uma oficina com Simone Fortes dançando ao ritmo de Tambores da Liberdade, puxado por Erik Dijkstra de Coletivo Abayomi.

AfroMundi e educadora popular Lucina Melo (Unifesspa) encerram uma oficina com Simone Fortes dançando ao ritmo de Tambores da Liberdade, puxado por Erik Dijkstra de Coletivo Abayomi.

Coordenador geral, Dan Baron, identifica o significado da residência de formação: “Estamos vivendo um capítulo gravíssimo na história humana, de violência e corrupção institucionalizadas. Mas nosso festival mostra como, em baixo do radar, tem projetos éticos e sustentáveis, já maduros, coordenados por jovens que optam em dedicar uma parte de suas ferias se preparando para um futuro bem diferente. E tem milhares destes projetos em cada continente do mundo. Para nossos jovens, a convivência com Simone e Erik demonstra que vale sonhar e escolher uma visão colaborativa. Tem um mundo cooperativo emergendo, para substituir o mundo competitivo e falido. Nosso festival de verão mostra que é possível reinventar as raízes do passado e as transformar em antenas culturais do futuro.”

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