Projeto ‘Biblioteca Bem Viver’ aparece nas ruas de Cabelo Seco

O novo projeto Biblioteca Folhas da Vida Bem Viver publica seu primeiro minidoor na parede da Casa dos Rios.

A Biblioteca Comunitária Folhas da Vida foi idealizada em 2012, gestionada por jovens de Cabelo Seco apoiados por Manoela Souza, incentivando alfabetização literária na rua, na praça e nas paredes da comunidade.

“Vestimos de poesia nas camisetas do projeto e coma emergência climática, passamos de casa em casa não somente entregando livros, mas também mudas de plantas medicinais. Surgiu nosso projeto Salus, Deusa da Saúde, resgatando os saberes populares e o cultivo de jardins bem viver nas escolas e nas famílias”, explica Manoela.

Sabendo que toda comunidade no mundo precisará de calma e de esperança após tanto pânico e isolamento durante o colapso climático, a direção do projeto reorganizará a biblioteca durante a pandemia para cultivar cura em casa. “Na semana de lançamento, prevista para março de 2021, vamos ver quantas bibliotecas e jardins bem viver conseguimos plantar no Cabelo Seco”, diz Manoela.

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Amazônia sem molduras… contemplado!

Durante uma década, Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade de Cabelo Seco, transformou a pracinha e as ruas do bairro em uma ‘galeria do povo, sem as molduras da arte excludente’. A coleção de instalações artísticas mensais foi selecionada pelo Edital de Artes Visuais – Lei Aldir Blanc Pará 2020, na semana passada como seu projeto ‘Amazônia Sem Molduras’, parte do projeto do Rios de Encontro 2021, Marabá Bem Viver. 

Outdoor na ‘galeria do povo’ serve como fundo para gravar as Latinhas de Quintal para promover sua turnê nos EUA em 2015.

“Publicamos poesia com fotos todo mês em outdoors e minidoors que retratam a vida ecológica, sociocultural, política e pedagógica, a partir do íntimo de Cabelo Seco”, explica Dan Baron, artista responsável, parte da coordenação do Rios de Encontro. “Mas ficou a dimensão mais desconhecida do projeto. Agora será compartilhada com Marabá e a região, fortalecendo Cabelo Seco como um território e guardião da cultura amazônica.”

Todos os micro-projetos reunem na ‘galeria do povo’ com sua ‘camiseta poética’ para celebrar Dia Internacional da Mulher (2016).

Entre 2009-20, Cabelo Seco vivenciou uma evolução inédita do grupo cultural de artistas infantis e adolescentes, as ‘Latinhas de Quintal’, se tornando o premiado Coletivo AfroRaiz de performance educadores. O Coletivo sensibilizou jovens e adultos de tantos bairros e escolas de Marabá, educadores, e artistas e ativistas culturais em todas as regiões do país e, a partir de residências, conferências e turnês artísticas, das Américas, Europa, África, Ásia e Pacífica. Tudo foi registrado em 8 livros-calendários, 110 vídeos (de 8 milhões de visualizações), e instalações de artes visuais.

O outdoor que celebra a bicicletada ‘Somos Amazônia’ como tema do Festival de Verão em 2017.

“Foi tão intenso”, Dan explica, “faltou tempo para compartilhar tudo que foi criado e aprendido. O Jornal Correio Tocantins continua como parceiro no registro desse processo, destacando tanto o colapso climático que nossos jovens artistas alertavam, quanto os projetos alternativos de bem viver. Mas além de popularizar a poesia e valorizar a cultura afroindígena, os outdoors e minidoors mensais demonstraram a alfabetização ecológica na comunidade como base da educação pela sustentabilidade, enraizada na amazônica. A pandemia comprovou tudo!”

Como poeta, fotógrafo e artista visual, Dan Baron experimentou durante uma década como inspirar e celebrar a comunidade, sempre em consulta com as famílias e com AfroRaiz, colocando poemas e retratos sobre a vida de Cabelo Seco, nas camisetas das bicicletadas e dos festivais do projeto.

Outdoor que mostra a performance da Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA) protegendo o Pedral do Lourenção em 2016.

“Vamos criar uma exposição que garanta que Cabelo Seco e todas as escolas de Marabá terão acesso à sabedoria ecológica pescadora, para questionar o projeto ‘ecocidal’ da atual industrialização da Amazônia, e para continuar criando o projeto de bem viver, e inspirando comunidades na região, no país e no mundo tornarem-se guardiões do ecossistema mais importante no mundo.”

O outdoor que integra Dia Internacional da Criança na gestão do 2º Fórum Bem Viver.

“Vamos criar duas bolsas com esse prêmio para que adolescentes de Cabelo Seco possam colaborar na idealização da exposição online e presencial na Casa dos Rios. Esperamos que Amazônia Sem Molduras celebrará a criatividade de crianças, jovens e mestres na comunidade ribeirinha, fortalecerá sua autoconfiança para defender a riqueza de seu território, e abrirá horizontes de esperança, em tempos de ecocídio.”

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Ano encerra com faíscas de esperança

Rios de Encontro, o projeto comunitário socioeducativo e eco-cultural enraizado em Cabelo Seco encerra 2020 com resultados inovadores que apontam caminhos esperançosos para a terceira década do século. Duas integrantes, Camylla Alves e Elisa Dias, do primeiro Coletivo AfroRaiz (2016-19) foram contempladas para micro projetos culturais. No mesmo mês, um dos principais parceiros do Rios de Encontro, o Grupo de Trabalhadoras Artesanais Extrativistas (GTAE) de Nova Ipixuna, ganhou uma doação solidário internacional da Alemanha.

Mulheres do GTAE e seus companheiros preparam a terra para o processo de reflorestamento.

Camylla Alves ganhou a nota máximo do Edital Aldir Blanc do auxilio cultural para o micro-projeto ‘O Resgate e a Reinvenção de Minha Raiz Adormecida Através da Dança AfroBrasileira’, a memória escrita dos oito anos Cia de Dança AfroMundi: Pés no Chão, fundamenta com uma narrativa de dança e clips dos espetáculos Raizes e Antenas (2013), Lágrimas Secas (2014), Nascente em Chamas (2015-6) e Deixe Nosso Rio Passar (2015).

Camylla interpreta Mariana, plantando sementes de cicatrização (Nascente em Chamas, Belém, 2016)

“Fico feliz que consegui conquistar esse passo essencial para trilhar minha independência financeira, e manter meu sonho artístico vivo, em tempos tão difíceis. Vai mostrar para outros que vem depois, como é possível se transformar e se determinar!”

Na semana passada, co-fundadores Adrian Goosses e Michael Widmann do Airpaq, um jovem projeto empresarial de Colongne, Alemanha, que recicla lixo em mochilas ecológicas, entrou em contato com o Rios de Encontro, procurando um projeto comunitário amazônico, comprometido com o reflorestamento dentro de uma visão de economia ecológica e politicamente sustentável. Dan Baron, coordenador internacional do projeto, logo indicou Claudelice Santos, estudante de Direito da Terra (Unifesspa), irmã do extrativista Ze Claudio Santos, assassinado com Maria Silva, ecopedagóga, em maio de 2011, fundadores do GTAE.

GTAE aprendendo sobre o cultivo de abelhas no sistema agroflorestal.

“Rios de Encontro tem uma história de 16 anos com GTAE que começou com a formação pré-vestibular da primeira turma de Pedagogia de Campo em 2004. Após o assassinato e Maria e Ze Claudio, nosso projeto vem participando, até hoje, na idealização coletiva da Romaria anual, contribuindo a dimensão cultural e ao registro audiovisual”, explica Dan.

Durante a pandemia, Rios de Encontro realizou 04 laives inter-regionais, o Fórum Bem Viver 2020 virtual, chamando Claudelice Santos do Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira como defensora de justiça ecológica e de direitos humanos. “Claudelice situa a implantação do sistema agroflorestal (especies de arvores e arbustos que atraem abelhas que alimentam a floresta e nossas famílias), na visão de cura e uma Amazônia Bem Viver”.

Claudelice Santos recebe confirmação da doação solidária da Airpaq.

“Estou emocionada!”, sorriu Claudelice, dialogando com os jovens diretores de Airpaq. “GTAE vem lutando para manter nosso sonho vivo durante 14 anos, sem apoio nenhum. De repente, uma nova geração empresarial transforma Black Friday em Green Friday (Sexta Feira Verde)! Os R$10.000 transformarão nosso pequeno coletivo de mulheres em uma entidade legal, reflorestando nosso terreno através da produção de mel, oleos medicinais e de cuidado.

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Lançamos a obra de Zequinha Sousa, ‘Deixe o Rio Passar’


O CD ‘Deixe o Rio Passar’ é fruto do segundo reconhecimento de ‘Zequinha de Cabelo Seco’ como Mestre pelo Ministério da Cultura (2018-19) pela sua dedicação contínua às novas gerações, como músico e poeta pela vida da Amazônia. Já está em fase de lançamento virtual, em tempos de pandemia, nas principais plataformas digitais de música mundiais.

Ao longo dos 10 anos (2009-19), Mestre Zequinha Sousa, compartilhou seus saberes com centenas de crianças e adolescentes na comunidade e nas escolas públicas da Marabá Pioneira, e com a população de Marabá em organizações e instituições culturais, sociais e educacionais.

Zequinha toca no primeiro ‘Quintal da Cultura’, Cabelo Seco 2009

Zequinha participou ativamente, junto com Dan Baron (idealizador, poeta e eco-pedagogo) e Manoela Souza (gestora e arte educadora) na criação de 03 CDs de Música, como músico, mestre e músico educador: Vozes do Campo em colaboração artística com a primeira turma de Pedagogia do Campo (Unifesspa 2011) de Marabá e Região Sul e Sudeste do Pará; Amazônia Nossa Terra, com os arte educadores do Rios de Encontro e o grupo cultural Latinhas de Quintal, fruto da dedicada maestria e educação musical e ambiental com crianças e adolescentes da Comunidade Cabelo Seco com músicas de sua autoria e de criação coletiva (2013); e Deixa o Rio Passar (2020).

Zequinha toca no Congresso Mundial de Teatro Educação, em Belém, 2010.

Plantou as primeiras sementes do Projeto Rios de Encontro na Comunidade Cabelo Seco, ainda em 2009, com sua sabedoria enraizada na cultura ribeirinha e nas raízes afro-indígenas e amor visionário pela Amazônia e seus rios, na sensibilidade de seu pai pescador e sua mãe benzedeira, que o fizeram desde a adolescência aprender a linguagem musical e com os anos a arte de contar histórias e compartilhar memórias da vida da Comunidade e da Cidade. Hoje as crianças de 2009 se tornaram jovens adultos artistas, arteducadores e embaixadores amazônicos, assumindo novas responsabilidades dentro do Projeto Rios de Encontro, levando consigo a sabedoria de seu mestre! Zequinha Sousa foi reconhecido como Mestre duas vezes pelo Ministério da Cultura, em 2013 e 2018 pela continuidade de formação às novas gerações, e pela Fundação Cultural do Pará, em 2015. 

Hoje é reconhecido como Mestre por onde estiver em Marabá e egião, pelo país e até internacionalmente quando esteve em Medellin, Colômbia (2011) e Nova Iorque, Estados Unidos (2015) sempre acompanhado com as crianças, jovens e coordenadores do Rios de Encontro, e durante as residências artísticas onde colaborou com artistas da Holanda, Nova Zelândia, Nigeria, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Peru, impressionados por sua generosidade, simplicidade e capacidade poética e criativa. 

Zequinha celebre a criação da Universidade Comunitária dos Rios (2014), como reconhecimento da sabedoria ribeirinha popular na Amazônia.

“Desde a primeira vez que escutei a música Alerta Amazônica na noite inaugural do projeto Rios de Encontro, na praça lotada de dezenas de crianças de Cabelo Seco, reconheci a rara sintonia estética entre uma sensibilidade literária e uma consciência ribeirinha, pulsando em Zequinha, que surge de uma precisão poética e analítica, enraizada em seu amor pelo verde e sua indignação sobre a violação dele. Zequinha pegou meu primeiro poema do projeto, Cabelo Seco, e em um dia, integrou todas nossas conversas sobre a política atual, Cultura Viva, e criou nosso ‘hino’ Cabelo Seco. Fiquei impressionado pela simplicidade enganosa que mascara uma profunda compreensão sobre a relação cultural entre língua, ritmo e musicalidade que nenhuma formação artística formal possa ensinar.

Essa sensibilidade erudito-popular também é permeada pelo amor e prazer que o poeta e cientista Zequinha sente para a cultura culinária e biodiversidade da região. Manifesta-se também na sua humanidade pacífica, presente na letra da música Para o Trem, quando o músico leva sua crítica do modelo predator e ganancioso do ‘desenvolvimento’ em solicitação empática e aberta “por favor”, ao condutor ou aos responsáveis pelo trem de destruição. Ao longo de nossa colaboração artística de sete anos, desde a revisão de letras até as decisões sutis nos processos das gravações e idealização dos CDs, só lembro de uma manifestação de fúria, na música Clamor Popular, quando Zequinha antecipou a destruição irreversível da Amazônia. Nesses momentos de desespero e impotência, sustentamos nossa motivação imaginando esse CD nas mãos das gerações futuras, mantendo vivas as sabedorias, éticas e riquezas populares, guardadas nas suas músicas como evidência da resiliência e humanidade de seus antepassados, solo fértil do imaginário amazônico de bem viver.”          
                                                                                          
Dan Baron, Dezembro, 2020

Zequinha participe no retrato do lançamento da Universidade Comunitária dos Rios, junto com Dan Baron, Dr Alixa Santos (Unifesspa), o Secretario da Cultura, Dr Ralph Buck (Nova Zelândia, Presidente da WAAE), e Manoela Souza (2014).

Esperamos que o Setor Municipal Cultural de Marabá possa em breve também oficializar este reconhecimento, tão merecido ao Filho e Mestre de sua terra!

Curte as músicas do CD aqui: https://www.deezer.com/en/artist/89600672

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Esperança em tempos de pandemia

A biblioteca Folhas da Vida se transformará em Praça Bem Viver.

Nessa semana, o projeto eco-cultural e socioeducativo Rios de Encontro da comunidade Cabelo Seco foi contemplado pelo Edital de Livro e Leitura na modalidade “Bibliotecas Comunitárias da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural do Pará, para realizar o projeto em tempos de pandemia: ‘Biblioteca Comunitária Folhas da Vida “Bem Viver”.

No solo Nascente em Chamas, Camylla Alves e Dan Baron anteciparam o colapso climático. Em 2021, buscam hoizontes de esperança.

Rios de Encontro também celebra a aprovação do Projeto de Dança’ ‘A Baleia e a Dançarina’, neste mesmo edital, contemplado pela Jovem Dançarina Camylla Alves, bolsista de Rios de Encontro até 2019 e co-fundadora da Cia de Dança AfroMundi, de Marabá. Após a criação dos espetáculos de dança ‘Raízes e Antenas’ (2013), ‘Lágrimas Secas’ (2014) e ‘Nascentes em Chamas’ (2015), Camylla contribuiu com as criações do Coletivo AfroRaiz e coordenou a escola de dança AfroMundi Juvenil e Infantil. 

“Uma manhã, bem cedo, acordei com uma mensagem grande chegando de Camylla, contando seu sonho sobre uma baleia cheia de tecnologia na sua barriga. Na hora, conversamos sobre o significado da visita dessa mamífera, reconhecida em muitas culturas como guardião da memória inteira da Terra, incentivadora de reflexão transformadora. No mesmo dia, imaginamos a narrativa de uma bailarina, presa em casa, sem distanciamento social durante a pandemia, sonhando sobre um futuro bem viver,” conta Dan Baron, co-fundador do Rios de Encontro. Sua quarta colaboração como diretor artístico, ‘A Baleia e a Dançarina’, terá 30 minutos de duração. 

Manoela e Camylla distribuem mudas de plantas medicinais em 2018. Agora, mudas estarão integradas na biblioteca bem viver.

“Vou criar um solo de dança amazônica virtual”, explica Camylla Alves, participante do projeto desde 2009. “Dramatizará a busca por um horizonte de esperança de uma jovem dançarina em tempos de pandemia. Acredito que a dança possa inspirar coragem e esperança nas escolas e comunidades aqui em Marabá, no Brasil, e na região Pan-Amazónica.”

Após 18 meses de formação profissional que culminou com a turnê europeia, os integrantes de AfroRaiz se despediram de Rios de Encontro em dezembro de 2019, para vivenciar sua capacidade liderança. “Mas caiu a pandemia!”, disse Manoela Souza, co-fundadora do projeto. “Camylla passou 2020 esperando assumir seu primeiro cargo profissional como Diretora de Dança em Canaã dos Carajás. Durante esse ano ela escreveu sua memória do projeto através da pesquisa pedagógica com a Universidade de Cambridge, sob a co-orientação de Dan, que poderá ser transformada em um livro!”
A biblioteca comunitária Folhas da Vida foi idealizada em 2012, gestionada por jovens de Cabelo Seco apoiados por Manoela, incentivando alfabetização literária na rua, na praça e nas paredes da comunidade. 

As sementes do projeto Salus foram plantadas no Dia das Mães em 2012.

“Vestimos de poesia nas camisetas do projeto”, explica Manoela, “e com a emergência climática, passamos de casa em casa não somente entregando livros mas também, mudas de plantas medicinais. Surgiu nosso projeto Salus, Deusa da Saúde, resgatando os saberes populares e o cultivo de jardins bem viver nas escolas e nas famílias.” 
“Sabendo que toda comunidade no mundo precisará de calma e de esperança após tanto pânico e isolamento durante o colapso climático, reorganizaremos a biblioteca durante a pandemia para cultivar cura em casa. Na semana de lançamento, prevista para março de 2021, vamos ver quantas bibliotecas e jardins bem viver conseguimos plantar em Cabelo Seco!”

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Formação ecológica transforma pandemia em bem viver

Nessa semana, Rios de Encontro da comunidade Cabelo Seco participou em três encontros virtuais, do Conselho Geral da Associação Internacional de Drama, Teatro e Educação (IDEA), uma entrevista com coreografas de Peru e de Santa Catarina, para idealizar o novo espetáculo da Cia AfroMundi sobre a pandemia, e sobre o ‘Aprendiz Eterno’, idealizado do Instituto Nuestra Gente de Medellin, Colômbia, da Rede Latino-Americana de Teatro Comunitário.

1-dan-baron-sensibiliza-idea-sobre-eco-pedagogias-1No dia 07 de Novembro, Dan Baron, coordenador internacional do Rios de Encontro, fez uma apresentação para os membros de IDEA sobre a necessidade hoje de regionalizar sua organização e se reestruturar para responder a emergência climática. “Colaborei como Presidente desse Conselho por 06 anos e depois, mais 06 anos como Presidente Executivo”, disse Dan. “Nessa pandemia, IDEA está se reinventando através de webinars e reuniões mundiais virtuais, mas ainda tem desafios em confiar em uma nova geração de arte-educadores para cultivar uma educação ecológica inter-regional. Hoje, além de sua agilidade e sensibilidade virtual, a nova geração tem uma motivação ética e olhar horizontal, capaz de inventar uma nova política inter-regional, inter-dependente e participativa”.

“O discurso provocou as fundadoras da IDEA”, disse Manoela Souza, que coordenou o VII Congresso Mundial da IDEA em 2010. “Mas, ecoou nos jovens de África, Ásia, Europa e, em particular, Cristina Guttierez, dançarina peruana que colaborou com Rios de Encontro em 2014. Valorizou a voz juvenil que ajuda crescer sua ética social.”

2-camylla-alvez-explica-para-colaboradoras-simone-fortes-santa-catarina-e-cristina-guttierez-lima-o-sonho-sobre-a-baleia.-No dia 08, Camylla Alves sentou na Casa dos Rios para reunir por Zoom com Simone Fortes do Coletivo Abayomi de Florianópolis, colaboradora desde 2016, e em seguida, com Cristina, um reencontro após seis anos. Depois de trocar umas reflexões sobre a pandemia, Camylla (25 anos), contou como uma baleia cheia de tecnologia na barriga, visitou ela num sonho.

“Essa guardião da memória do planeta Terra, me inspirou”, disse Camylla. “A pandemia carrega toda a história da exploração da natureza. Como ela te marcou?” A Simone interpretou a pandemia como um retiro mundial, incentivando reflexão sobre a essência da vida. “Mas confesso, minhas aulas faltam a vibração dos tambores, a presença do coletivo, e a intimidade corporal”. Ele criou uma ideia coreográfica, um ritmo na coluna, outro no peito e outro no braço, para representar os tempos confusos de quarentena.

A Cristina refletiu. “Sinto tudo na minha respiração. A máscara gera tensão entre todos, mas atrás, a pandemia vem alterando nossa respiração, nosso ritmo. Cria uma inconsciência de alerta, auto-cuidado, intimidade.” Ele mostrou tudo com seu corpo. A Camylla convidou as duas para colaborar.

3-manoela-souza-lembre-de-sua-formacao-com-dan-baron-na-mesma-idade-da-camylla-No dia 09, Camylla, Manoela e Dan foram entrevistados por Diana Guty de Medellin sobre a pedagogia eco-cultural de Rios de Encontro. “Dan criou o ambiente para eu me formar como arte-educadora”, disse Manoela, “capaz de formar Camylla, que forma as meninas de Cabelo Seco através da dança de raiz. É uma cascata que transforma tempo”. A Camylla chora. “Eu era elétrica. Dispersa. Hoje, me senti escutada, realizada. Vamos transformar essa pandemia em uma pedagogia de como viver bem.”

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Fórum afirma Bem Viver comunitário

Na semana passada, Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, coordenou mais uma etapa do Fórum Bem Viver 2020 (virtual), com parceiros nacionais da ABRA (Rede Brasileira de Arteducadores) e parceiros internacionais da Associação Internacional de Drama Educação (IDEA). Em plena pandemia, o fórum popularizou debates sobre o projeto alternativo mundial de cooperação com a Terra e destacou Cabelo Seco como referência de como uma população urbana excluída pode se transformar em uma comunidade bem viver – defensora da Amazônia, solidária, formadora e auto-sustentável – para pautar politicas públicas e projetos estaduais e federais de educação ambiental e justiça ecológica.

Diretores de projetos exemplares de cinco continentes conversam sobre bem viver.

Sexta, dia 23 de outubro, o Fórum reuniu Alberto Acosta, ex-Ministro de Petróleo de Equador, autor do livro ‘Bem Viver’, e Ewa Ewart, a cineasta polonesa, diretora do filme ‘A Maldição da Abundância’, para responder à questões provocativas de 50 professoras, arte educadoras, gestoras culturais, cientistas indígenas, antropólogos e jornalistas de diversos regiões no Brasil, América Latina e do mundo. O filme explica a origem indígena da iniciativa visionária de deixar 40% das reservas do petróleo do Equador no solo em troca por uma compensação financeira da comunidade internacional, para salvar o Parque Nacional Yasuni, uma das regiões de maior biodiversidade do mundo.

Manoela Souza de Rios de Encontro criou um ambiente virtual de confiança para incentivar provocações ousadas de Gabriela Machado (MG), Vereador Marquito Abreu (SC), Ariel Barros do Movimento pela Soberania Popular de Mineração (PA) e Doelde Ferreira da EMEF Irmã Theodora, em Marabá. Acosta respondeu às perguntas sobre o que Brasil poderia aprender com o filme: “A fome da China pelo petróleo e a busca de lucro das elites das Américas derrubaram a proposta inédita, em nome do alívio da pobreza e ‘desenvolvimento para todos’. Políticas de cima para baixo não funcionam. Temos de criar comunidades bem viver.”

“Asim”, disse Dan Baron de Rios de Encontro, “aprendemos sobre o que está acontecendo no Pará, e a causa do desequilíbrio climático que vem gerando pandemias. O filme deve entrar em cada escola para valorizar a ciência indígena e incentivar famílias cultivarem o bem viver no quintal, em casa.”

Coordenadores de 5 continentes escutam Claudelice Santos, irmã do Ze Claudio de Santos, assassinado em 2011, apelar para projetos de cura solidária.

No sábado, dia 24 de outubro, mais 50 pessoas assistiram poesia afro-descendente de Giane Elisa (MG), dança contemporânea de Peru de Cristina Gutierrez (colaboradora no Rios de Encontro em 2014), e reflexões de Eric Ng do Movimento Guarda-Chuva, Hong Kong. As provocações relacionaram racismo sistêmico com a urgência de descolonizar a memória e curar feridas de exclusão, pobreza e cumplicidade para manter esperança, inovar na criação de coletivos, e criar bem viver em casa. “A defesa cotidiana da Amazônia gera tanta dor, tensão e tristeza”, disse defensora de direitos humanos e estudante de Direito da Terra (Unifesspa), Claudelice Santos.

Camylla Alves da Cia de Dança AfroMundi, interpreta ‘Nascente em Chamas’ (Fórum Bem Viver, 2017), que integra questões identitárias e ecológicas na busca de justiça bem viver.

A Sofia Jarrin, antropóloga equatoriana, convidada para explicar a relação atual entre o investimento da China, o militarismo Norte Americano, e o projeto de ‘desenvolvimento para todos’ dos elites da América Latina. “O discurso de ódio e a militarização da sociedade civil do Trump e Bolsonaro fazem parte da estratégia geopolítica para plantar desconfiança na democracia e em projetos alternativos. Sao faces de uma guerra. A resistência depende de projetos visionários de cooperação internacional”.   

Na sua reunião nacional na quarta feira, ABRA decidiu celebrar o levante do movimento Black Lives Matter na Semana de Consciência Negra, liderada pelo Rios de Encontro em Cabelo Seco. O Fórum online é aberto, e acontecerá na sexta, dia 20 de novembro, as 16h.

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Ministro do Bem Viver responde: ainda é possível?

Em 2007, o Equador ofereceu ao mundo uma iniciativa visionária, de deixar algumas das reservas de petróleo da Amazônia no solo em troca de uma compensação financeira da comunidade internacional. Alberto Acosta, o então Ministro do Petróleo do Equador, foi o principal arquiteto da proposta, projetada para salvar o Parque Nacional Yasuni, uma das regiões de maior biodiversidade do mundo.

A Maldição da Abundância revela o dilema ideológico que o Equador enfrentou: um Bem Viver sustentável ou “duras realidades econômicas”. Este dilema está no cerne dos debates sobre ‘desenvolvimento’, ‘sustentabilidade’ e ‘justiça climática’. Mas na pandemia de hoje, tornou-se cruelmente focado como uma escolha da espécie: viva bem ou morra.

Convidamos você assistir este documentário de 2019 e a se juntar ao nosso Fórum Bem Viver para entrar em um diálogo mundial com Alberto Acosta, Ewa Ewart (a cineasta) e especialistas-ativistas latino-americanos. O que podemos aprender com a experiência do Equador para cultivar um futuro Bem Viver?

Em tempos de pandemia, Rios de Encontro pergunta: podemos educar a nós mesmos e a nossos filhos em casa e em nossas comunidades para renovar nossas raízes cortadas e relação sagrada com a Terra, para viver bem, à tempo?

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