Estamos construindo nossa ‘Casa dos Rios’ independente

A companhia de teatro assista vídeos de Rabetos Vídeos Coletivo sobre Maria Silva na Casinha de Cultura.

A companhia de teatro assista vídeos de Rabetos Vídeos Coletivo sobre Maria Silva na Casinha de Cultura.

O projeto eco-cultural e socioeducativo Rios de Encontro enraizado no Cabelo Seco, realizará residências artísticas em maio e julho, da Academia de Teatro e Dança em Amsterdam e da Companhia Trailler em Movimento, de São Paulo.

A ‘Cia Trailler em Movimento’ visitou Nova Ipixuna na semana passada para pesquisar a extrativista e educadora Maria Silva, assassinada em 2011, defendendo Amazônia. Os cinco integrantes de uma das companhias mais experientes no Brasil visitaram Rios de Encontro para conhecer o projeto e discutir seu novo espetáculo “Amanajé Caá – a Trajetória de Um Grito Suspenso”.

A companhia de teatro grava histórias sobre Maria Silva.

A companhia de teatro grava histórias sobre Maria Silva.

“Foi uma prioridade encontrar com Dan Baron e Mano Souza”, disse Edgar Castro, diretor teatral da companhia. “Maria Silva estudou Pedagogia do Campo com eles durante sete anos, na Unifesspa.” Durante cinco horas, gravou histórias sobre Maria, uma arte educadora que colaborou com Rios de Encontro. Inspirada pelo projeto, a companhia estreará o novo espetáculo no teatro em construção na ‘Casa dos Rios’. “A noite com Rios de Encontro nutriu de beleza nossa passagem na região. Seu trabalho é uma referência e os convidamos para ser nossos interlocutores em Marabá”.

“Nossos jovens artistas querem estudar artes cênicas”, disse Mano Souza, gestora do projeto. “Em 2017, queremos que trabalhem com companhias profissionais. A colaboração com artistas sérios de São Paulo também fortalecerá Amazônia. Edgar Castro apresentará também seu solo ‘Dezuó’ sobre a violência sofrida pelo Rio Tapajós. Em troca, levaremos nossos espetáculos à São Paulo, para promover uma Amazônia livre de devastação industrial.”

Rios de Encontro vem fomentando parcerias internacionais para finalizar e equipar a ‘Casa dos Rios’, seu novo espaço de performance e formação independente. Nesta semana também, dois estudantes de teatro de Amsterdã na Holanda confirmaram sua residência em maio para vivenciar a cultura afro-contemporânea e criar um novo espetáculo comunitário em Cabelo Seco. A universidade holandesa ajudará captar recursos para abastecer a ‘Casa dos Rios’ com energia solar. “Querem aprender com Amazônia”, explica Dan Baron, coordenador do intercâmbio. “Em troca, vão entrar nosso projeto ‘Rios de Criatividade’ e ajudar transformar o celular em energia criativa. Juntos, vamos ampliar a defesa do Rio Tocantins.”

Dan aprofunda: “Os oito anos com nossos jovens arte educadores de Cabelo Seco oferecem uma ‘ressonância magnética cultural’ da atual crise mundial. Antecipamos um período doloroso de desintegração das instituições corruptas. Porém enxergamos potenciais invisíveis ao olho nu, capazes de costurar redes sustentáveis. Nesta transição, necessitaremos de comunidades de boa saúde, bem alimentadas e criativas, livres da doença, obesidade, vícios e todo tipo de violência, as sequelas da exclusão, fome e escravidão. Assim, transformaremos conivência em autonomia.”

Os artistas de São Paulo curtam a primeira roda na Roda de Histórias e Sonhos na nova Casa dos Rios.

Os artistas de São Paulo curtam a primeira roda na Roda de Histórias e Sonhos na nova Casa dos Rios.

Em Março de 2017, Rios de Encontro celebrará tudo que foi realizado em seu Barracão de Cultura, pela biblioteca Folhas da Vida, Rabetas Vídeos, Cine Coruja e AfroMundi. “Realizamos milhares de oficinas, ensaios, rodas e apresentações”, disse Camylla Alves, “desde o final de 2012 quando as Latinhas de Quintal construiram o Barracão de Cultura e transformaram uma ruína em referência mundial. Mas crescemos e a saída do Barracão já provocou mudanças necessárias. Agradecemos a família Botelho pelo apoio e esperamos que o barracão que estamos doando ao novo Gam continue beneficiando Cabelo Seco e Marabá. Nossa ‘Casa dos Rios’ será exemplo da Amazônia que queremos!”

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Encerramos 2016 com uma noite de consciência para abrir novas portas!

Alanes apresenta o cartaz de sua escola que ela desenhou com Rerivaldo Mendes de Rabetas Vídeos Coletivo.

Alanes apresenta o cartaz de sua escola que ela desenhou com Rerivaldo Mendes de Rabetas Vídeos Coletivo.

Encerramos nosso Festival Beleza Amazônica com uma apresentação do novo espetáculo ‘Margens Vitais’ na escola Walkise da Silva Vianna em São Felix, e uma serie de reuniões de planejamento em Belém com Museu Goeldi e ABRA, parceiros e co-gestores do projeto Rios de Criatividade, em antecipação de 2017.

AfroMundi e Tambores da Liberdade apresentam 'Margens Vitais' num teatro escolar lotado.

AfroMundi e Tambores da Liberdade apresentam ‘Margens Vitais’ num teatro escolar lotado.

“A chuva intensa do final da semana”, relata Manoela Souza, gestora do Rios de Encontro, “adiou nossa festa cultural e bicicletada até 2017, mas depois de tantos meses de seca, foi tão bem vinda, e ampliou ainda mais nossas colaborações criativas, o tema do festival deste ano. Nossa bibliotecária e percussionista, Alanes Soares, gestionou a colaboração com sua escola Walkise, que revelou tanta cultura e educação vivas embaixo do radar oficial! Nas apresentações acadêmicas, assistamos tanta criatividade, engajamento social e crítico sobre as origens de racismo e as histórias da luta pela igualdade sem cor. Ficamos impressionados com a qualidade de dança afro-descendente e a coragem dos professores! Para nós, a Walkise é uma escola sem medo e com consciência, comprometida com a formação do futuro!”

Alanes explica o poder transformador dos tambores que vivenciou em 2016 que a ajudou superar a timidez e coordenar a segunda geração do Rios de Encontro, na biblioteca Folhas da Vida.

Alanes explica o poder transformador dos tambores que vivenciou em 2016 que a ajudou superar a timidez e coordenar a segunda geração do Rios de Encontro, na biblioteca Folhas da Vida.

“Foi um grande final do ano para Rios de Encontro,” complementa Alanes, aluna do terceiro ano. “Nesta época de crise, três de nós, tornaram-se percussionistas de solidariedade ecológica, nos palcos da UEPA, UNIFESSPA, do teatro Waldemar Henrique em Belém, e na Estação Científica do Museu Goeldi em Caxiuanã, Marajó. Mas na noite cultural na minha escola, senti um orgulho imenso! Conseguimos ampliar o gosto e a sensibilidade cultural de um bairro condenado, com a beleza de nossos tambores de raiz e coreografias afro-contemporâneas! O silêncio de 300 pessoas cativadas, unidas e tão concentradas, assistindo dança popular contemporânea, aumentou nossa coragem e sintonia!”

'Margens Vitais' demonstra como as raízes tradicionais das culturas populares vão renovar comunidades fragmentadas pela violência do consumismo.

‘Margens Vitais’ demonstra como as raízes tradicionais das culturas populares vão renovar comunidades fragmentadas pela violência do consumismo.

Alanes Soares (17) e Elisa Neves (19), coordenadora de Tambores da Liberdade e Roupas ao Vento, deram suas primeiras entrevistas na Rádio Itacaiúnas para refletir sobre o ano 2016 que iniciou com apresentações no SESC Boulevard (Belém), na China (Hong Kong) e Nova Zelândia, antes de realizar colaborações artísticas e socioambientais em Eldorado dos Carajás, Altamira, Caxiuanã e Cabelo Seco, tudo ensaiado no Barracão de Cultura.

Igual com Alanes, Elisa surpreendeu os jornalistas da Rádio Itacaiúnas com a inteligência, originalidade e lucidez de sua reflexão sobre Belo Monte, formação eco-cultural e a força transformadora do resgate de raízes adormecidas.

Igual com Alanes, Elisa surpreendeu os jornalistas da Rádio Itacaiúnas com a inteligência, originalidade e lucidez de sua reflexão sobre Belo Monte, formação eco-cultural e a força transformadora do resgate de raízes adormecidas.

Elisa toca o Djembe para coordenar os Tambores da Liberdade.

Elisa toca o Djembe para coordenar os Tambores da Liberdade.

“Dedicamos nosso 2016 à formação de nossos jovens coordenadores como gestores comunitários semi-profissionais”, explica Dan Baron, “porém entrelaçados com o mundo, para fortalecer Amazônia e co-gestionar nosso projeto. Enquanto que outros projetos de grande escala estão fechando suas portas nesta época de seca e corrupção, estamos criando novas colaborações e construindo nossa Casa dos Rios, a partir de uma teia de colaborações nacionais e internacionais. A Casa será abastecida pelas energias solar e cultural.”

Camylla Alves, coordenadora da Escola AfroMundi, vem formando uma nova companhia de dança juvenil, a segunda geração do Rios de Encontro, que apresentou a coreografia 'Beleza Invisível'.

Camylla Alves, coordenadora da Escola AfroMundi, vem formando uma nova companhia de dança juvenil, a segunda geração do Rios de Encontro, que apresentou a coreografia ‘Beleza Invisível’.

“Nossos oito anos com o mesmo núcleo de jovens de Cabelo Seco”, afirma Dan, “oferece uma ‘ressonância magnética cultural’ da crise atual. Vislumbramos uma transição prolongada, sofrida e trágica. Mas será a formação popular necessária para substituir um paradigma corrupto e insustentável com teias de redes interdependentes. A Casa dos Rios tentará vivenciar e simbolizar este futuro, cultivando gestores durante a crise.”

Cia AfroMundi apresenta sua pesquisa-ação atual sobre dança contemporânea popular com a performance de 'Corpo'. A plateia ficou de boca aberta, em silêncio profundo.

Cia AfroMundi apresenta sua pesquisa-ação atual sobre dança contemporânea popular com a performance de ‘Corpo’. A plateia ficou de boca aberta, em silêncio profundo.

O novo espetáculo de dança-percussäo, ‘Margens Vitais’, dramatiza esta visão e vai inaugurar a Casa dos Rios, em 2017. Rios de Encontro abrirá suas novas portas em fevereiro de 2017, para inaugurar as oficinas e cursos de seu projeto comunitário internacional, Rios de Criatividade.

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O Festival Beleza Amazônica 2016 em ação!

Rios de Encontro abre seu festival na UEPA com 'Margens Vitais' na formatura de voluntários do Instituto Chico Mendes para proteger Amazônia.

Rios de Encontro abre seu festival na UEPA com ‘Margens Vitais’ na formatura de voluntários do Instituto Chico Mendes para proteger Amazônia.

O V Festival Beleza Amazônica abriu na sexta feira, dia 09, com uma apresentação de dança afro-contemporânea com percussão de raiz na UEPA para comemorar a formatura de voluntariados da proteção dos rios e das florestas da Amazônia, do ICMBio em parceria com a Uepa e a Unifesspa. Assim, Rios de Encontro lançou o tema da quinta edição do festival comunitário eco-cultural e socioambiental, Rios de Criatividade, que já está se tornando uma campanha mundial, para preservar tanto os Pedrais do Lourenção, quanto o bioma inteiro da Pan-Amazônia.

Elisa (19 anos) ministra uma oficina de percussão africana para a coordenação estudantil do Movimento Ocupa Unifesspa contra a PEC 55.

Elisa (19 anos) ministra uma oficina de percussão africana para a coordenação estudantil do Movimento Ocupa Unifesspa contra a PEC 55.

Percussionistas de Tambores da Liberdade se-juntaram com estudantes do movimento "Ocupa Unifesspa" no festival numa celebração de educação pública gratuita e de qualidade.

Percussionistas de Tambores da Liberdade se-juntaram com estudantes do movimento “Ocupa Unifesspa” no festival numa celebração de educação pública gratuita e de qualidade.

Na segunda, dia 12, o V Festival Beleza Amazônica apresentou ‘Margens Vitais: ritmos e danças de resistencia e esperança’ para a coordenação estudantil de Movimento Ocupa UNIFESSPA. A noite se transformou em uma troca cultural, entre os jovens artes educadores dos projeto Rios de Encontro de Cabelo Seco e depoimentos dos estudantes completando 48 dias de vivência inédita, debate and intervenção coletiva. A noite transpareceu uma diversidade de motivações, coragens e visões na busca de um Brasil livre de corrupção e exclusão, e encerrou com uma unidade inspiradora, aproximando a universidade federal da Unifesspa e a universidade Comunitária dos Rios.

Artistas e professoras/es de Marabá realizam uma roda de planejamento estratégico depois de assistir 'Belo Monte: Depois da Inundação' no Barracão da Cultura.

Artistas e professoras/es de Marabá realizam uma roda de planejamento estratégico depois de assistir ‘Belo Monte: Depois da Inundação’ no Barracão da Cultura.

Na sexta feira, dia 16, mais de 50 jovens e adultos artistas e educadores assistirem o documentário internacional, ‘Belo Monte: Depois da Inundação’, e em seguida, reunirem para duas horas para refletir sobre o que Marabá pode aprender da tragédia atual em Altamira, para alertar a sociedade e Amazônia toda sobre as consequências socioambientais da energia hídrica. “Temos que garantir que a escola continua sendo um fórum de debate critico e cultivo de projetos sociais”, disse Professora Doelde Ferreira da Escola Irmão Deodoro na roda. “Amo Rios de Encontro porque entende que nenhum projeto social se desenvolve sem autoconhecimento e autoconfiança culturais e bem contemporâneas, liderado por jovens. Como defender Amazonia sem este sentimento de pertencimento, orgulho e coragem inovadores?”.

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Conhece a programação do V Festival Beleza Amazônica

A programação do V Festival Beleza Amazônica contempla escolas públicas, universidades públicas e comunidades populares num denúncio da PEC 55 e numa celebração da vida sustentável.

A programação do V Festival Beleza Amazônica contempla escolas públicas, universidades públicas e comunidades populares num denúncio da PEC 55 e numa celebração da vida sustentável.

Rios de Encontro leva 'Margens Vitais' ao movimento estudantil 'Ocupa UNIFESSPA!'.

Rios de Encontro leva ‘Margens Vitais’ ao movimento estudantil ‘Ocupa UNIFESSPA!’.

A festa cultura celebra as margens vitais do Rio Tocantins que ainda irriga a comunidade popular de Cabelo Seco.

A festa cultura celebra as margens vitais do Rio Tocantins que ainda irriga a comunidade popular de Cabelo Seco.

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Marabá pode tornar-se uma cidade sustentável do futuro

Liderança Mundurucu denuncia a violência contra a vida planetária da política energêtica da hidrelétrica atual.

Liderança Mundurucu denuncia a violência contra a vida planetária da política energêtica da hidrelétrica atual.

Dan Baron, da coordenação do projeto eco-pedagógico e socioeducativo Rios de Encontro, voltou nesta quinta feira depois de três dias em Brasília, onde participou num seminário sobre ‘Hidrelétricas na Amazônia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos’, promovido pela Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, Ministério Público Federal e pelas ONGs International Rivers, Greenpeace, Xingu Vivo e pela Aliança dos Rios da Pan-Amazônia, Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social e Frente por uma Nova Política Energética.

Dan Baron apresenta Rios de Criatividade ao Congresso, que valoriza a relação entre pedagogias criativas e cidades sustentáveis.

Dan Baron apresenta Rios de Criatividade no Congresso, que valoriza a relação entre pedagogias criativas e cidades sustentáveis.

“O seminário foi excelente”, disse Dan Baron, na sua volta à Marabá. “Aprendi muito com os depoimentos corajosos e lúcidos dos povos indígenas ribeirinhos dos Rios Madeira, Xingu, Tapajós, Teles Pires, Juruena e Tocantins. As mulheres indígenas, em particular do Povo Mundurucu que recentemente conseguiu parar a construção da hidrelétrica no Rio Tapajós, transpareceram com indignação calma, sabedoria ecológica e compromisso com a sustentabilidade comunitária e do planeta tanto a impotência e cumplicidade com ecocídio do gestor do IBAMA e do assessor especial da Gestão Socioambiental do Ministério de Minas e Energia, quanto à violação dos direitos humanos pelo Gerente, abuso de recursos públicos e descuido ambiental do Coordenador de Direitos Humans do banco BNDS. Todos ficaram incapazes de responder aos relatos de destruição ambiental, violação dos direitos humanos, e da epidemia de fome, doença, assalto, estrupo, morte de jovens e prostituição que promessas não cumpridas de emprego e condicionantes (construção de moradia de relocalização, sistema de saneamento básico, escola e hospital públicos).”

Brent Millikan, Diretor da ONG International Rivers que co-promoveu o Seminário, dimensiona a escala da ameaça à Amazônia durante os debates no Congresso.

Brent Millikan, Diretor da ONG International Rivers que co-promoveu o Seminário, dimensiona a escala da ameaça à Amazônia durante os debates no Congresso.

‘Depois das Inundações’, o documentário independente sobre a hidrelétrica Belo Monte, lançado na abertura do seminário, confirma este cenário trágico e será projetado no Festival Beleza Amazônica, na presença de cientistas mundiais sobre Amazônia. “Marabá tem o direito de saber os fatos e conhecer outras opções”, afirma Dan Baron, “para escolher o melhor futuro possível, baseada em informação e debate inteligente.”

Atriz Maria Paula apresenta lideranças do movimento Xingu Vivo e dos povos indígenas da região destruída pela hidrelétrica Belo Monte no final da apresentação do filme 'Depois das Inundações'.

Atriz Maria Paula apresenta lideranças do movimento Xingu Vivo e dos povos indígenas da região destruída pela hidrelétrica Belo Monte no final da apresentação do filme ‘Depois das Inundações’.

Dan Baron destacou a suprema importância da apresentação detalhada sobre a Lei 13.334 de 2016. “Os próprios expertos presentes ficaram assustados pelos detalhes da lei aprovada pelo governo ilegítimo atual a poucos meses. Num retorno à política da ditadura militar, substitua os princípios de cuidado ambiental e consulta previa dos povos ribeirinhos (em particular, povos originários e tradicionais) na Constituição brasileira com a implantação e operação do empreendimento, sem qualquer amarra, em nome da Suspensão de Segurança e desenvolvimento. Esta industrialização autoritária e catastrófica da Amazônia gera energia ineficiente, que nem alcança o povo (que ainda paga talão de luz mais caro no país), foi denunciada como roubo e irresponsabilidade criminais pelos deputados federais Arnaldo Jody de Belém e Nilto Tatto. A hidrelétrica pertence a um modelo esgotado, já descartado por países avançados no mundo. Os parceiros do Rios de Encontro já abraçaram opções energéticas (solar) que priorizam o sustento da vida da população de Marabá e do povo brasileiro.”

AfroMundi dramatiza temas como poluição do Rio Doce e questões de aquecimento global no espetáculo 'Nascente em Chamas' no Teatro Waldemar Henrique em Belém na semana passada.

AfroMundi dramatiza temas como poluição do Rio Doce e questões de aquecimento global no espetáculo ‘Nascente em Chamas’ no Teatro Waldemar Henrique em Belém na semana passada.

No seminário, Dan Baron explicou como as artes, praticadas por jovens de bairros populares, podem fazer a diferença em comunicar estas opções sustentáveis, popularizando pesquisa científica e sensibilizando todos sobre escolhas da espécie humana. “O Seminário elogiou nossos jovens arte educadores e gestores do Rios de Encontro,” disse Dan, “por sua consciência ecológica, atitude de não aceitar patrocínio da Vale ou qualquer indústria ou político, implicados na destruição da Amazônia. Temos que lembrar que vivemos na Amazônia, o bioma que irriga e sustenta todos os ecossistemas do mundo.”

Cientista mundial Professor Lola explica à jovem video-maker e percussionista, Rerivaldo Mendes, como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo, para popularizar pesquisa e contribuir a debates inclusivos.

Cientista mundial Professor Lola explica à jovem video-maker e percussionista, Rerivaldo Mendes, como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo, para popularizar pesquisa e contribuir a debates inclusivos.

No final do Seminário no Congresso, Dan anunciou ao plenário lotado que, num encontro paralelo da Aliança Mundial pela Arte Educação sobre educação pela sustentabilidade acontecendo em Guangzhou na China, recebeu uma mensagem celebrando Cabelo Seco por seu cuidado exemplar. “A própria China já reconhece os impactos ambientais positivos da energia solar. O Brasil tem esta opção política e ética, e Marabá pode se tornar uma cidade do futuro exemplar. Vamos todos debater isso durante o Festival Beleza Amazônica, na semana que vem.”

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Jovens se transformam em formadores do futuro, em Marajó

Alanes Soares, Elisa Neves e Rerivaldo Mendes tocam tambores da liberdade no novo espetáculo 'Margens Vitais' na noite cultural da Olimpíada de Ciência na Floresta.

Alanes Soares, Elisa Neves e Rerivaldo Mendes tocam tambores da liberdade no novo espetáculo ‘Margens Vitais’ na noite cultural da Olimpíada de Ciência na Floresta.

O projeto eco-cultural e socioeducativo Rios de Encontro, enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008, voltou ontem após 10 dias em Marajó, realizando a primeira etapa de colaboração com professores, alunos e gestores culturais dos Estados Unidos e uma escola ribeirinha na margem do Rio Anapú, sediado pelo Museu Emílio Goeldi na sua estação científica em Caxiuanã. No meio dos rios e das florestas ameaçadas, os cinco jovens e dois adultos arte educadores participaram numa troca de conhecimentos na oitava ‘Olimpíada das Ciências na Floresta’, com tema Linhas Vitais: Águas, Ecologia e Cultura. A viagem culminou com uma segunda apresentação de três espetáculos de dança-teatro, no Teatro Experimental Waldemar Henrique em Belém, no dia 30 de novembro, premiados pelo prêmio Novos Talentos da Funarte-MinC.

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Camylla Alves, Lorena Melissa, Alanes Soares, Elisa Neves e Rerivaldo Mendes se juntaram com gestores do Rios de Encontro, Dan Baron e Manoela Souza, para realizar um curso de formação para 35 professores de 12 escolas ribeirinhas de Portel e Melgaço em Marajó. Paralelamente, realizaram quatro oficinas de dança afro-contemporânea e percussão de raiz para 25 alunos da escola EEEF São Sebastião, e 8 alunos e 5 professores de ciência, tecnologia, engenharia e matemática da escola Fairchild Wheeler, e gestores do Museu Marítimo e de Creative Connections, de Connecticut nos Estados Unidos. As oficinas criaram a base de um novo espetáculo ‘Amazônia Nos Irriga’, apresentado numa noite cultural no dia 27 de novembro, a ser desenvolvido em Connecticut, na segunda etapa da colaboração, em abril de 2017.

Cientista mundial Professor Lola explica ã Rerivaldo Mendes como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo.

Cientista mundial Professor Lola explica ã Rerivaldo Mendes como arvores respiram, criando as chuvas para irrigar o mundo.

Rerivaldo Mendes (21 anos), coordenador do Rabetas Vídeos Coletivo, foi selecionado para documentar a colaboração entre jovens da Amazônia e dos EUA, saindo com Dan Baron logo após uma apresentação no Dia da Consciência Negra. “Fiquei encantado com a beleza de nossa Amazônia, viajando por dois dias nos rios de Guamá e Anapú para chegar à Estação Científica em Caxiuanã. Me marcou muito a sensibilidade ribeirinha dos jovens de São Sebastião e a disciplina dos jovens cientistas de Bridgeport, Connecticut, mas nunca vou me esquecer da caminhada no meio da floresta em Caxiuanã com o Professor Antônio Lola da UFPA. Impossível imaginar que um dos cientistas mais reconhecidos do mundo por sua pesquisa sobre ecossistemas tropicais, falando com tanta humildade e carinho sobre as causas da grave seca que o desmatamento causa. Mudou toda a minha compreensão sobre uma árvore, que hoje vejo como um ser, sensível e extraordinário, que na Amazônia gera a chuva que sustenta o mundo. Choveu nenhuma vez durante nossa estadia! Ele, um grande advogado para energia solar, passou para nós jovens sua motivação para priorizar energia solar.”

AfroMundi apresenta sua pesquisa em dança afro-brasileira aos alunos das Américas numa oficina de criação.

AfroMundi apresenta sua pesquisa em dança afro-brasileira aos alunos das Américas numa oficina de criação.

Alanes Soares (17 anos), coordenadora da biblioteca comunitária Folhas da Vida, participou também como percussionista nas apresentações dos ritmos de raiz nas oficinas de formação de professores e de criação intercultural. “Agora, depois de três dias e noites nos rios, sei o que é a Amazônia! Adorei a oportunidade de aprofundar minha formação como oficineira de uma educação que integra a inteligência plástica, musical, teatral, visual e literária. A criação de uma confiança coletiva e comunitária para aprender trocar histórias da vida a partir de canto, teatro, dança, pintura e escultura, mudou completamente minha visão sobre educação. AfroMundi sensibilizou com seus espetáculos ‘Lágrimas Secas’, ‘Nascente em Chamas’ e ‘Margens Vitais’, centímetros longe da plateia, bem na sala de aula. Mas fiquei fascinada com a criação de uma coreografia que dramatizou a complexidade da Amazônia! 50 pessoas que nunca dançaram uma narrativa, apresentaram desmatamento, poluição, pesquisa e ação ecológica comunitária, transformando séculos de timidez em dança unida! Simbolizou muito! Vou trazer tudo isso para nossas crianças nos bairros de Marabá!”.

Alanes, Elisa, Lorena e Camylla de Rios de Encontro ajudam na formaçäo dos professores das escolas de Potel e Melgaçu nas Olimpíada de Ciência na Floresta.

Alanes, Elisa, Lorena e Camylla de Rios de Encontro ajudam na formaçäo dos professores das escolas de Portel e Melgaço nas Olimpíada de Ciência na Floresta.

Além de apresentar dois espetáculos já premiados e atuar como oficineiras na formação de professores, Camylla Alves e Lorena Melissa da Cia AfroMundi apresentaram seu novo espetáculo em construção, ‘Margens Vitais’. Fruto de pesquisa realizada com povos indígenas e desenraizados, em Hong Kong e Nova Zelândia em Abril de 2016, ele integra percussão de raiz com dança afro-contemporânea. A nova coreografia inspirou tanto os integrantes de Marajó, quanto os alunos e professores dos EUA. “Hoje, depois de oito anos no projeto,” disse Camylla (21 anos), “tenho clareza sobre a relação entre o resgate de nossas raízes e a criação de uma nova identidade comunitária, comprometida com a sustentabilidade ética da gente e do mundo. Igual a uma árvore. Cortando a raiz, para de respirar, semear e irrigar o futuro. Nesta colaboração internacional, consegui explicar para mim mesmo como a dança expressa, narra, cicatriza, transforma e motiva, tudo numa vez. Mas nunca imaginava seis coreografias acontecendo no mesmo espaço, simultaneamente! Acabamos com o medo de experimentar em público! Transformamos educação de medo em cultivo de confiança. Sem palavras!”

AfroMundi e Tambores da Liberdade estreiam 'Margens Vitais', nas Olimpíada de Ciência na Floresta em Caxiuanã.

AfroMundi e Tambores da Liberdade estreiam ‘Margens Vitais’, nas Olimpíada de Ciência na Floresta em Caxiuanã.

Lorena Melissa, colega de Camylla desde 2006, se surpreendeu com sua capacidade de se tornar percussionista e oficineira. “Era tímida, ainda sou um pouco!”, ela ria, “mas agora sou prova que cada ser humano desenvolve uma base musical e percussiva na sua evolução humana, na gestação materna. Foi bonito ver professores se tornando crianças de novo, recuperando sua criatividade, alegria e confiança! Viraram cantores, atores e dançarinos, e danados! E encontrei minha confiança como oficineira nas rodas de contação de história que ajudei a coordenar. Agora, com sensibilidade e consciência ecológica, a gente percebe o potencial amazônico para enfrentar os grandes projetos hidroelétricos. Já fiquei indignada quando visitamos Belo Monte. Hoje, depois de vivenciar as florestas de Caxiuanã e todas as espécies de vida amazônica na bosque do Museu Goeldi em Belém, entendo que a questão ecológica não é só opção. É nosso futuro.”

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“Somos o futuro, sim,” declarou Elisa Neves (19 anos) na conversa após da apresentação no Teatro Valdemar Henrique em Belém no dia 30 de novembro, “mas é banal falar isso sem ter um projeto coletivo, que denuncia o autoritarismo, em casa, na escola, na comunidade, nos governantes, e que anuncia o cuidado e o respeito para tudo, que começa dentro de cada uma de nós. Nas oficinas de formação e criação, vivenciamos esta transição transformadora, que sinto quando pego meu Djambé. Vi isso também nos jovens e professores de São Sebastião e Bridgeport, Connecticut, quando arriscaram largar cadeiras, canetas e palavras, e optaram em pegar baquetas ou se entregaram nas coreografias, que pesquisam e transformam ao mesmo tempo. Transformamos tanta violência e autoproteção na gente, em autodeterminação unida! Não basta só gritar ou pichar ‘Fora Temer! Fora Trump!’. Temos que juntar todas as gerações num projeto que transforma as causas da corrupção em um novo sonho, não só de vermelho ou verde, mas de todas as cores e tons do planeta, enraizado no cuidado de seus rios e florestas.”

Camylla Alves apresenta Nascente em Chamas no Teatro Experimental Waldemar Henrique em Belém, no dia 30 de novembro.

Camylla Alves apresenta Nascente em Chamas no Teatro Experimental Waldemar Henrique em Belém, no dia 30 de novembro.

“Juntos, em Caxiuanã, sem pretensão, unimos a ciência da floresta amazônica com a ciência do estado mais rico nos EUA,” disse Dan Baron, diretor artístico da colaboração entre o Museu Goeldi e Museu Stepping Stones. “Criamos um novo símbolo, que mexe com o atual imaginário de pessimismo, medo dos governantes autoritários e do aquecimento global irreversível. Jovens das duas Américas, unidos, co-gestionando um novo projeto que abraça e integra nossas raízes e antenas. Nenhum dos jovens que participaram das Olimpíada da Floresta, sabiam quem era Fidel Castro quando faleceu. Mas entendem na pele que o novo Presidente dos EUA ameaça o futuro do planeta. Em seus comportamentos cotidianos, buscam qualquer clareira para se refugiar da nova ditadura neoliberal atual, da ganância autoritária. Numa floresta anônima e antiga, em Marajó, no meio de mais de 2.500 espécies de vida, enraizada em saberes afro-indígenas, encontraram uma clareira. Vamos ver o que vai brotar desta união das Américas.”

Jovens arteducadores encerram a noite de dança contemporânea e ritmos de raiz com o lançamento do movimento eco-cultural 'Rios de Criatividade', tema do 2016 Festival Beleza Amazônica.

Jovens arteducadores encerram a noite de dança contemporânea e ritmos de raiz com o lançamento do movimento eco-cultural ‘Rios de Criatividade’, tema do 2016 Festival Beleza Amazônica.

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Venha participar numa festa de arte de raíz e dança contemporânea HOJE às 19h30, em Belém

Acreditamos que a comunicação artística da cultura popular pela preservação ecológica e transformação socioeducativa tem uma força chave para garantir vida sustentável!

Acreditamos que a comunicação artística da cultura popular pela preservação ecológica e transformação socioeducativa tem uma força chave para garantir vida sustentável!

Venha participar HOJE no Teatro Waldemar Henrique em Belém, HOJE, às 19h30. Entrada franca!

Elisa Neves, Alanes Soares, Évany Valente e Reris Mendes tocam os Tambores de Liberdade.

Elisa Neves, Alanes Soares, Évany Valente e Reris Mendes tocam os Tambores de Liberdade.

Elisa Neves, Alanes Soares e Reris Mendes tocando numa tarde cultural em Marabá recentemente, celebrando os escritores do Sul e Sudeste do Pará. Os Tambores de Liberdade tocam hoje, em Belém!

Camylla Alves, Lorena Melissa, Emily Neves e Katrine Alves de Cia AfroMundi dançam coreografia de Guine Bissau na Casa de Cultura.

Camylla Alves, Lorena Melissa, Emily Neves e Katrine Alves de Cia AfroMundi dançam coreografia de Guine Bissau na Casa de Cultura.

Camylla Alves e Lorena Melissa apresentam premiados espetáculos de dança contemporânea da Cia AfroMundo, HOJE, no Waldemar Henrique, às 19h30!

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