Jovens de Cabelo Seco levam cultura afro-amazônica à fórum nacional

Rios de Encontro, o projeto ecocultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco leva dez jovens, estudantes e diversos profissionais de Marabá para participarem no 2º Fórum Bem Viver, em Moeda, MG, 12 à 19 de novembro. Culminância do projeto nacional ‘Redes de Criatividade’, financiado pelo Ministério da Cultura e coordenado pelo Rios de Encontro, o fórum junta 10 projetos regionais juvenis que mostrarão o modo de viver ‘bem viver’ indígena-atual como alternativa socioambiental à militarização e ‘tecnificação’ da escola. No coração do projeto é a transformação do celular em recurso criativo de futuros sustentáveis.

Rerivaldo Mendes ajuda a coordenar uma oficina de ritmos-afro na escola Irmã Theodora cuidará do registro do fórum.

“Esse fórum acontece num momento inédito “, disse Dan Baron, coordenador do Redes de Criatividade, “quando fake news está sendo disseminada nas redes sociais para fomentar preconceito contra projetos comprometidos a transformar pânico sobre violência e corrupção em confiança na escola, família, democracia e justiça socioambiental. Uma semana após a eleição de um presidente que quer excluir pensamento crítico na escola, cinco milhões de alunos estavam interpretando questões sociais no ENEM, analisando a mudança de comportamento pela manipulação de dados pessoais.”

Camylla Alves coordena uma oficina de dança-afro na EMEF Irmã Theodora apresentará no fórum e em Belo Horizonte.

O único projeto amazônico entre dez projetos nacionais premiados, Redes de Criatividade destaca a questão socioambiental. Os 10 polos no projeto vem descobrindo em escolas e comunidades como transformar a força viciante e isolante da micro-tecnologia de refúgio na fantasia consumista. “O celular prejudica o sono, a visão, equilíbrio emocional e relações familiares e sociais”, disse Elisa Neves, co-coordenadora do projeto Salus que incentiva hortas medicinais em Cabelo Seco. “Mas agora, o celular e redes sociais vem prejudicando a democracia no mundo, criando conflito, aumentando pânico, depressão e suicídio. Nem uma escola, família ou país escapa.”

Professora Doelde, AfroRaiz e Sandra da Unicef se retratem depois da colaboração com a escola Irmã Theodora.

20 jovens de Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Pará, São Paulo, Distrito Federal e Maranhão vão trocar vídeos próprios entre eles, e construir uma ação audiovisual coletiva com arte educadores, médicos, advogados, pedagogos, policiais e engenheiros através de residenciais. “Três jovens de Cabelo Seco foram escolhidos para ser oficineiros, documentaristas e artistas de bem viver”, disse Manoela Souza, gestora do projeto. “Estão liderando um projeto na Escola Irmã Theodora agora, mas aprenderão sobre como integrar novas tecnologias e redes sociais para consultar, tomar decisões informadas e criar modelos de governança comunitária inclusiva, guiados pela alfabetização cultural e informativa.”

Camylla, Evany e Reris abrem o Seminário de Educação Holística na Unifesspa com uma demonstração de cultura de raiz.

A ABRA escolheu Moeda para se solidarizar com o município de Mariana, MG, que sofreu o maior crime ambiental na história do Brasil. Mas Moeda também é o único município na região que recusa as mineradoras acesso à sua riqueza. “A cidade já é símbolo de resiliência verde”, disse Sol Bueno, cantora internacional e arte educadora que mora em Moeda. “Inspirados pelo primeiro fórum em Cabelo Seco, convidamos parceiros de Rios de Encontro em Nova Zelândia a doarem placas solares à primeira escola municipal em Moeda. Tornar-se-a símbolo de Bem Viver.”

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Crianças e jovens transformam violência em comunidade de paz

Professora Doelde, AfroRaiz e Sandra da Unicef se retratem depois da colaboração com a escola Irmã Theodora.

Na semana passada, Rios de Encontro, o projeto ecocultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, finalizou sua X Semana da Criança. Coincidiu com a visita técnica do Itaú-UNICEF para avaliar o projeto como finalista do prêmio 2018 e a notícia que o projeto foi contemplado com o prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura.

Camylla coordena a oficina de dança, integrando a professora Doelde e a gestora Manoela!

Além de ação colaborativa na escola Irmã Theodora, a semana integrou oficinas de dança afro-ballet e violão afro-brasileiro, biblioteca e cine comunitário em colaboração com estudantes da Unifesspa. Integrou uma Roda sobre Primeira Infância, impulsionada pela irmã e primos dos dois jovens que morreram vítimas da ‘intervenção policial’ no PAC, e uma Roda entre moradoras do PAC e a Polícia Civil da Corregedoria.

Alunos da Escola Irmã Theodora e avaliadora da UNICEF curten uma oficina de percussão coordenada por Elisa Neves.

“Fico feliz de ter contribuído ao reconhecimento deste projeto”, disse Mestre Zequinha de Cabelo Seco, colaborador do longo resgate das raízes Afro-Brasileira em Cabelo Seco. “Será uma honra que o segundo CD do projeto que este prêmio possibilitará, vai deixar meu legado cultural para as gerações ainda não nascidas. Já tenho este prazer, assistindo os percussionistas e dançarinas na Casa dos Rios, coordenando projetos, que eram participantes infantis na primeira noite do projeto em 2008. Torço para que ganhemos um segundo prêmio nacional do Itaú-Unicef!”.

Camylla Alves de AfroMundi coordena uma oficina de dança afro na Escola Irmã Theodora.

Dra Sandra Ataíde, pedagoga e avaliadora técnica da Unicef ficou encantada, conhecendo o projeto. “Admiro muito a maturidade desse Coletivo AfroRaiz que possui excelência artística e tem uma sintonia e confiança pedagógicas como equipe de oficineiros. Nunca me imaginei participando numa oficina de dança afro, ou acompanhando uma oficina infantil de dança afro-ballet, coordenadas com tanta sensibilidade. Porém fiquei indignada, ouvindo os testemunhos de jovens mães, parentes dos dois menores matados pela Polícia Militar no dia 29 de setembro. Visitei o local da tragédia, vi os buracos onde entraram os tiros, escutei as mães e avós buscando justiça e projetos de formação e ação cultural, não de repressão e terror. Torço que meu relato ajude que Rios de Encontro continue a gerar energias de vida e influenciar políticas públicas com seu reconhecimento merecido!”

Artistas de AfroRaiz e estudantes de Levante Popular preparem numa roda de formação para Dia da Criança.

O dia depois da visita da Unicef, o Coronel Delegado Vinícius da Polícia Civil da Corregedoria Regional, participou numa roda com 12 moradoras para discutir segurança comunitária e como garantir justiça social. Tanto o delegado, quanto a comunidade, avaliaram que a conversa franca era importantíssima e um passo excelente para criar relações de respeito mútuo, de confiança.

Crianças da PAC curtem sua biblioteca na praça, quando personagens dos livros se transformarem em teatro infantil.

Na tarde seguinte, Rios de Encontro realizou a primeira colaboração com oito estudantes da Unifesspa, lideranças do Levante Popular da Juventude. Bem na praça da tragédia no PAC, mais de 40 crianças sentaram com livros, desenharam e curtiram teatro infantil, antes de assistir um desenho animado, sobre as estrelas.

Manoela Souza agradece os estudantes universitários de Levante Popular e de AfroRaiz no Cine Coruja no PAC.

“Estamos construindo uma colaboração de respeito por uma comunidade sofrida, muito mais alfabetizada do que nós”, comentou André Oliveiro, estudante de história. “Nosso sonho é criar um país que valoriza a leitura e a cultura de paz, em vez do salvador violento e a cultura de ódio.”

O lião André descobre seu talento em fomentar a leitura em crianças traumatizadas pela violência.

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Do 1º Fórum Bem Viver à 2º Fórum em Moeda, MG

1) Qual o principal legado do “1º Fórum do Bem Viver” e os impactos para o futuro do Brasil e do mundo?

O Fórum tinha objetivos ativista e gestor. O objetivo ativista era de idealizar e executar uma intervenção cultural coletiva e inovadora para impedir a construção da usina hidrelétrica de Marabá (UHM) e o mega-projeto industrial de mineração e contracto da hidrovia, fomentar um debate qualificado para garantir uma consulta ‘prévia’. O objetivo gestor era e continua a cultivar uma metodologia capaz de fomentar uma rede bem viver, de projetos alternativos, com metodologias diversas, abastecidos por energia solar (entre outras energias limpas e renováveis). Os dois objetivos são interligados, e estendem além do território Amazônico, pela natureza da interdependência dos continentes no mundo e a necessidade de solidariedade mundial para realizar uma intervenção aqui na Amazônia.

Ato coletivo no Rio Tocantins. Somos bem viver das Américas protegendo o Pedral do Lourenção!

Um legado principal do fórum é a sensibilização em torno de 50 ativistas sobre as realidades emergenciais na Amazônia, do Sul e Sudeste do Pará, e juntando sua experiência coletiva para semear núcleos de intervenção em Tauari, e em São João do Araguaia (que vai realizar um Festival Bem Viver em dezembro), que ficaram de baixo de água, caso a hidrelétrica seja construída. O fórum já começou gerar colaborações entre projetos de transformação social entre regiões no Brasil e países participantes.

Participantes da Américas afirmam bem viver em defesa dos rios da Amazônia num Pedral do Lourenção.

Mais profundamente, aprofundou confiança nos seus integrantes em uma pedagogia ‘caravana artístico-ecocultural’ tanto como intervenção política, quanto como metodologia eco-pedagógica, que pode ser aplicada na gestão de projetos comunitários e da democracia participativa. Em vez de um desabafo ou desespero coletivo, compreensível em tempos de golpe e austeridade cruel, o fórum praticou um processo pedagógico de confiança, vivência e convivência, cultivando numa grande diversidade de ativistas, esperança, ousadia e resiliência. Depois de tantas décadas de fóruns autoritários e cansativos que produzirem inevitáveis e inviáveis ‘cartas coletivas’, escritas por poucos em nome do ‘povo’, o principal legado talvez será esperança que um paradigma antigo-contemporâneo e flexível já existe para cultivar democracia aberta e participativa.

Os convidados se entregam numa dança da terra, rios e floresta na construção de uma pauta coletiva.

2) Nos conte um pouco sobre como projeto de tornar Marabá uma referência em Bem Viver?

Convidamos uma diversidade de gestores para participar no fórum em ‘formato caravana’ (artistas, pedagogos, policiais, advogados, ativistas, cientistas, jornalistas, enfermeiras, médicos, empresários e juizes) como ação experimental piloto que aproximou todos os setores da sociedade civil em torno de um projeto paradigmático: segurança da vida integral (climática, alimentar, educacional, trabalhista, de saúde e direitos humanos), abastecida por energia solar.

O fórum volta de suas escutas para refletir e projetar os próximos passos.

Propositalmente, a caravana dispersou e ‘policentralizou’ o fórum para alcançar bairros, instituições e outras cidades, ao escutar, inspirar e plantar sementes colaboravas. A experiência foi socializada aqui em Marabá, na região do sudeste do Pará, e em redes sociais, através de diversas mídias digitais, confirmando a força motivadora desta metodologia em comunidades populares não engajadas e em comunidades já desmotivadas e céticas que transformação ainda é possível.

Alessandra Munduruku é pequena, mas tem coragem imensa e clareza inspiradora.

Os moradores/as de São João do Araguaia escutam depoimentos de Dani Silva do Movimento Xingu Vivo para Sempre e Alessandra Munduruku do Movimento Tapajós Vivo para Sempre para vislumbrar seu futuro e tomar decisões informadas sobre opções energéticas.

A partir desta experiência piloto, estamos agora lançando micro-fóruns, simpósios, festivais e colaborações bem viver em Marabá, continuamente, para gerar o momentum necessário para inspirar colaborações internacionais, focalizadas sobre a ressignificação de Marabá. Na prática, nosso objetivo principal é de captar 40,000 placas solares até o final de 2019, para abastecer projetos alternativos viáveis. Em 2018, continuaremos costurando parceiros entre projetos no sudeste do Pará e continentes do mundo; e em 2019, reunir estes parceiros num fórum mundial bem viver.

A primeira placa solar comunitária em Marabá abastece nossa bici-rádio, ajudando Cabelo Seco imaginar uma cidade sustentável.

A bicicletada contra racismo, em busca de bem viver, liderada pela Polícia Militar de Marabá.

Assim esperamos que Marabá vai se reimaginar como uma cidade de bem viver, se tornando exemplo inspirador de bem viver sustentável, na Amazônia, nas Américas e no mundo.

Leonardo Santana de São João de Araguaia apresenta comida típica bem viver, doada ao fórum. Energia solar salvaria a cidade que ficará de baixo de água caso a usina hidrelétrica de Marabá (UHM) seja construída.

3) Quais estratégias para influenciar o poder público em prol da sustentabilidade em uma época onde o governo federal busca aumentar a exploração comercial mineral da Amazônia?

O poder público aqui em geral está corrompido e comprado pelo paradigma predador atual, com a ‘contaminação’ das instituições e até os movimentos sociais. A renovação ou transformação do poder público implica a emergência de um novo paradigma cooperativo de bem viver, enraizada na formação de comunidades éticas e corresponsáveis.

Retrato de unidade de projeto entre a PM da Bahia e de Marabá, na praça de Cabelo Seco.

Estamos idealizando tudo isso com seis estratégias principais: praticar bem viver, em vez de falar sobre ele (praticamos um ‘fórum bem viver’, em vez de ‘fórum de bem viver’); usar todas as linguagens artísticas para presenciar, estimular e aproveitar das inteligências múltiplas e experiências humanas na idealização, execução e socialização de projetos colaborativos; juntar protagonistas ‘opostos’ ou ‘improváveis’ para praticar e simbolizar o paradigma bem viver (ex: policia militar/jovens excluídos, juizes/mestres populares, gestores multinacionais/gestores indígenas), para resolver e transformar histórias conflituosas em novas políticas publicas; e usar estes processos e políticas públicas de bem viver para cultivar democracia participativa, para substituir a democracia representativa falida.

Polícia Militar da Bahia brinca com aluno do Plínio Pinheiro numa grande apresentação de dança afro e capoeira.

Simultaneamente, estamos informando parlamentos regionais, redes profissionais internacionais, IONGs e governos de peso ((em particular, na Europa, África Oceano-Pacífico), sobre os efeitos catastróficos socioambientais causados pela industrialização e comercialização desreguladas da Amazônia, focalizando sobre a violação de direitos humanos na região que violenta tratados e acordos na UN. Estamos também estudando e advogando uma taxa internacional bem viver, para deixar minerais ‘em situ’ na Amazônia, para manter esta bioma de ‘rios voadores’ essencial, intacta, e promovendo o uso de energias limpas e renováveis, em particular de energia solar, na vida cotidiana, no somente industrial e comercial.

Deputada europeia Julie Ward (Inglaterra NW) se despede da coordenação do Rios de Encontro, o Coletivo AfroRaíz), e o diretor de teatro comunitário uruguaio, Carlos Torrado, amplia a colaboração. Redes internacionais e parlamentos regionais tem um papel fundamental para proteger a Amazônia.

4) Como as ações propostas no Fórum ou em projetos parceiros ajudam na melhoria de vida da população local em prol da justiça social?

Acredito que a metodologia de troca íntima de experiências e aprendizados de projetos entre integrantes – convidados(as) porque já estão proativamente ajudando na melhoria de vida da população local em prol da justiça social, durante o fórum (em espaços programados e espaços de bem viver), impactaram tanto na região do sudeste do Pará, quanto nos projetos espalhados no pais e fora. No ‘como’, destacaria a vivência das culturas populares dos Rios Tocantins e Araguaia (águas, alimentações, músicas, danças, histórias da vida popular), através de contato com suas populações e ativistas populares. Partindo do bem viver – da qualidade e beleza de vida ameaçada, aprofundou a compreensão sobre o significado e vulnerabilidade da Amazônia, e a necessidade de incorporar cuidado ambiental em geral e com o território amazônico em particular, em cada projeto social. Sem este cuidado, e suas implicações socioeconômicos, nenhuma justiça social acontece ou se sustenta. Acredito que esta sacada, afirmando a transversalidade vital e integralidade eco-cultural e socioambiental, continua sendo o impacto íntimo, público, conceitual-político e motivador das ações do Fórum.

Em pequenas rodas, os convidados trocam projetos e ações criativas para gerar colaborações possíveis.

Na prática, em termos de ações propostas no Fórum, a decisão de não criar um ‘grupo de whatsup’ na segunda (e última) plenária do Fórum, mas de montar uma ‘transmissão bem viver’, refletiu um compromisso de praticar uma ‘ecologia de cuidado de tempo e coerência’ para cada integrante; e a decisão de não criar uma rede de organização ou cronograma de ações centralizados, refletiu uma consciência paradigmática que o que é necessária é uma política capilar, em vez de uma estrutura vertical de tomada de decisões e de prioridades. Agora, tem uma rede de ações locais e regionais que corresponde a um mundo complexo de tempos, necessidades e prioridades distintos, unidos pelo compromisso com envolvimento bem viver (em vez de desenvolvimento passificador).

5) Fale um pouco sobre como sua trajetória pessoal de vida e sua experiência no Brasil e no mundo até a luta pelo Bem Viver.

Sou arte-educador, artista, diretor-escritor de teatro/dança comunitário. Venho morando e colaborando no Brasil desde fevereiro de 1998. Graduei-me em Letras e pós-graduei-me em Teatro-Educação Popular da Universidade de Oxford. Desde 1980, venho dedicando-me à busca de processos coletivos e pedagogias artísticas de transformação social através da performance comunitária, capazes de descolonizar o corpo-pensante e o imaginário e evitar a auto-censura, em colaboração com escolas, comunidades pós conflito, jovens em risco, organizações culturais e universidades. Desenvolvi colaborações sustentadas no País de Galês, Inglaterra pós-industrial, Irlanda do Norte, África do Sul, Quênia e Palestina, e diálogos sustentados com diversos países na América Latina e na Ásia. Meus últimos dezenove anos no Brasil, venho colaborando com comunidades sem terra, indígenas, sindicais, ribeirinhas e universitárias, evoluindo uma pedagogia de Transformance baseada em técnicas de alfabetização cultural, desenvolvidas em colaboração com arteducadora, Manoela Souza.

Duas gerações de Rios de Encontro celebram dança afro na Festa das Artes e Açaí. Em vez de simbolizar a sustentabilidade, Rios de Encontro vem a cultivando através de formação, gestão e produção artístico-cultural.

A partir de minha primeira colaboração no Pará em 1999 (o monumento comunitário ‘As Castanheiras de Eldorado dos Carajás’), foi convidado colaborar com a UFPA-Marabá em 2004, desenvolvendo dança-narrativa com pedagogos do campo até 2011. Em 2008, foi convidado colaborar com o Ponto de Cultura, Galpão das Artes-Marabá, ganhando em 2009 e 2011 o Prêmio Nacional ‘Interações Estéticas’ da Funarte, MinC, para desenvolver o projeto de formação e criação artística comunitária, Rios de Encontro, enraizado na comunidade matriz Afro-Indígena, Cabelo Seco. Em 2011, Rios de Encontro ganhou o prêmio nacional da UNICEF Educação Integral, e em 2012, surgiu a Cia de Dança ‘AfroMundi: Pés no Chão’; em 2014, Rabetas Vídeo Coletivo e a Universidade Comunitária dos Rios; em 2016, AfroRaiz e Fórum Bem Viver, nos quais atuo como co-gestor e co-diretor artístico-pedagógico, levando jovens artistas a Belém do Pará, Brasília, Porto Alegre, Florianópolis, Washington, New York, Hong Kong e Auckland. Estes nove anos estes projetos vem resgatando e reinventando a cultura afro-descendente, a transformando em contribuições às estéticas amazônicas, em busca de linguagens populares capazes de reconhecer, transparecer, cicatrizar e transformar as múltiplas sequelas de exclusão em recursos de alfabetização cultural e formação multi-sensorial.

Mariana renasce o nenê morto na beira do rio. ‘Nascente em Chamas’ permite tanto a cicatrização da dançarina quanto a identificação de camadas de violência, cumplicidade e resiliência nos silêncios da identidade amazônica.

Sou autor do livro ‘Teatro e Auto-Determinação’ (Derry, 2001), ‘Alfabetização Cultural: a luta íntima por uma nova humanidade (São Paulo, 2004), co-autor do livro ‘Colheita em Tempos de Seca: pedagogias de vida à comunidades sustentáveis’ (Marabá, 2012), Calendários ‘Rios de Encontro’ (2011-17), e artigos. Entre 2004-10, servi como Presidente da Associação Internacional de Drama Educação (IDEA), co-fundando e coordenando a Aliança Mundial pelas Artes Educação entre 2006-10. Entre 2002-2012, participei ativamente no Conselho Internacional do FSM, e entre 2009-2017, no FSPA. Entre 2010-13, contribui à gestão da Plataforma Puente/RELATS.

Dan Baron
Co-coordenador do Instituto Transformance
Co-coordenador da ABRA
http://www.riosdecriatividade.com
Dezembro de 2017

Ficha técnica do Fórum:

• nº total de participantes:
O mês de rodas e oficinas pré fórum garantiu que os 50 convidados do fórum alcançassem diretamente mais de 5.000 pessoas de cinco gerações, em Marabá, São João do Araguaia, Tauari (Itupiranga) e Belém, e centenas de milhares de pessoas através das mídias.
• nº de países participantes:
O Fórum Bem Viver inspirou ações paralelas e contribuições virtuais em instituições solidárias em 42 países. No fórum presencial, participaram Brasil, Canadá, Colombia, Equador, EUA, Gales, Inglaterra,
• principais organizações:
AESSPA, CEPAGRO, CNE, GAETE, Instituto Casa Común, Grupo Xama Teatro, Instituto Fotoativa, Instituto Polis, International Rivers, Instituto Somos, Instituto Superação, MAB, Madeira Vivo, Movimento Bacia Itacaiúnas, MST, Policia Militar da Bahia, Pombas Urbanas, Saúde e Alegria, Tapajós Vivo, Teatro Piollin, UFPA, UFPB, Xingu Vivo,
• organizador:
Instituto Transformance/Rios de Encontro; ABRA (Rede Brasileira de Arteducadores)
• apoiadores:
Ministério de Educação (2015), Unifesspa, UEPA, Policia Militar do Pará,
• dias de evento:
Fórum (31 agosto-5 setembro)
• outras informações relevantes:
Pré Fórum (30 junho à 30 agosto)

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Silêncios preocupantes atrás das batucadas

Elisa Neves toca com Levante Popular no ato nacional #elenáo organizado por mulheres unidas contra Bolsonaro.

Jovens arteducadoras de Rios de Encontro, o projeto ecocultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, contribuirem ao ato nacional ‘#elenão’ do sábado passado, organizado por mulheres unidas à defesa dos direitos humanos e da democracia no Brasil. No mesmo dia, o projeto recebeu notícias que foi selecionou como um dos 10 finalistas do prêmio Itaú Unicef por sua ação comunitária “que oferece proteção social através da educação integral”.

Rerivaldo Mendes coordena Cine Coruja na pracinha do PAC onde aconteceu a ‘intervenção’ policial.

Elisa Neves (21), co-coordenadora do projeto premiado Salus: hortas de medicinas tradicionais, e do Coletivo AfroRaiz que coordena Gira-Sol: energias de gestão transformadora, é liderança de referencia no movimento estudantil Levante Popular que contribuiu a dimensão artística ao ato #elenão. “Apesar de ser oito meses gravidada, fiquei quatro horas em pé, tocando o tambor no coletivo que comunica ideias de justiça e transformação sociais através da arte. O impacto nas 1500 pessoas que participarem me emocionou! Todas as gerações, géneros, raças e classes, unidas e motivados pela cultura popular!”.

Rerivaldo e Evany (coordenadora do Salus) entreguem plantas medicinais às mães e crianças do PAC.

Rerivaldo Mendes, coordenador do Coletivo Rabetas Videos premiado pelo Ministério da Cultura, cujos videos alcançarem 3 milhões de visualizações no YouTube nessa semana, filmou o ato, junto com Dan Baron, coordenador internacional do Projeto. “Esperava uma manifestação bem menor e de muito discurso. O que se destacou foi a batucada e parodia do Levante, que transformou política pesada em energia de esperança e vontade coletivas. Estou editando o vídeo do ato que terá talvez a maior importância de todos que já produzimos.”

Dan Baron comenta: “Anotei que o ato #elenão contra o candidato Jair Bolsonaro, não foi reportado pelos jornais da região. Concentraram ontem sobre a ação policial realizada na madrugada no Residencial de Itacaiúnas (PAC) em Cabelo Seco. A coragem e energia lúcidas do ato organizado pelas mulheres de Marabá foram inspiradoras. Mas sai refletindo também sobre o silêncio da grande maioria que não participou. Nos Estados Unidos (EUA) também tinha um movimento #elenão (#nothim) contra o candidato machista, homofóbico e racista, Donald Trump. A população sob-estimou a força de voto calado de protesto contra a corrupção, a insegurança econômica e a violência pulsando nas escolas e bairros.”

A participação liderança juvenil gerou uma energia inspiradora. Mas até que ponto representou a maioria calada e ‘cúmplice’?

O primo do Rerivaldo, Douglas ‘Tati’ Tavares foi um dos dois jovens matados pela Companhia Independente de Missões Especificas (CIME) na madrugada de Sábado, numa “intervenção” militar para desarticular um braço do Comando Vermelho. Dan Baron visitou o local minutos depois: “Muitos crianças e jovens do PAC participem na nossa biblioteca Folhas da Vida, Cine Coruja e Festival da Pipa, e testemunharem o que enxergarem como ‘execução de jovens menores, enquanto estavam dormindo’. Todos sairem traumatizados pela agressão, mas tem medo de desmentiram a versão policial que apareceu na televisão e no jornal. Rios de Encontro existe para garantir proteção social através de projetos socioeducativos às comunidades mais vulneráveis e estigmatizadas.”

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Projeto Salus gera esperança

Coletivo AfroRaiz prepara mudas de plantas medicinais no quintal da Casa dos Rios.

O projeto ecocultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, entra na preparação final de sua coordenação juvenil pelo ENEM, rumo ao segundo Fórum Bem Viver, que acontecerá em Moeda, Minas Gerais, entre 15-18 de Novembro. Convida a comunidade e a cidade inscrever-se nos cursos de Dança, Percussão e Violão, que continuam até o VII Festival de Beleza Amazônica em dezembro.

Salus passa de casa em casa chamando moradores para pegar mudas gratuitas.

Dan Baron e Manoela Souza, coordenadores do projeto, voltaram de Florianópolis, Santa Catarina, entrando nas rodas de matemática e português com colaboradores voluntários Ariel Barros do Movimento dos Atingidos pela Mineração e Rayssa Mascarenhas, estudante da Unifesspa. “Este ano, a coordenação juvenil gestionou sua preparação acadêmica”, disse Manoela Souza. “Mas percebemos quanta persistência leva para aprender a estudar, não colar, e resgatar uma inteligência flexível. Pela primeira vez, com apoio solidário de Ariel e Rayssa, nossos artistas estão descobrindo como analisar sua própria língua e afinar sua inteligência.”

AfroRaiz recebe orientação pedagógica solidária de Rayssa, estudante da Unifesspa.

AfroRaiz recebe alfabetização matemática de Ariel do MAM.

Na semana passada, Rios de Encontro foi contemplado como um dos 100 semi-finalistas entre 3500 candidatos do Prêmio Itaú-Unicef, pelo seu projeto Gira-Sol: gestão de energias de vitais. Manoela Souza reconhece o avanço imenso dos jovens artistas cujos micro-projetos de dança AfroMundi, biblioteca Folhas da Vida, tambores AfroRaiz, Rabetas Vídeos e BiciRádio Solar compõem Gira-Sol. “Mas reconhecemos, também, um aumento trágico de pobreza e violência na cidade. Tem tantas crianças passando fome e tantos jovens pressionados a traficar seu corpo e seu futuro. Acreditamos na educação e em projetos sociais, como caminhos de transformação social sustentável, não no aumento de armas na rua, escola e casa.”

Elisa, coordenadora do Salus explica as propriedades medicinais das mudas na feira agricológica da Unifesspa.

Nessa semana, Rios de Encontro foi chamado, um de 04 projetos no mundo, para orientar as Nações Unidas sobre sustentabilidade, enraizada em comunidades organizadas. “Nosso projeto ‘Salus: Corpo feminino como território de luta pelo bem viver’ (apoio Fundo Elas/ Instituto Avon), junto com energia solar e auto-confiança cultural, chamou atenção das Nações Unidas”, explica Dan Baron. “Perceberam nossa integração de cura para as sequelas de múltiplas violências que o Pará vem sofrendo, cuidado com direitos humanos, resgate e reinvenção das raízes tradicionais, e proteção da Amazônia. Todas estas dimensões no indivíduo definem sua energia vital, e a energia de sua comunidade e cidadania. Mudas entregues casa em casa tocam a comunidade, desenvolvem consciência ambiental em toda geração, valorizam saberes familiares, e cultivam uma ecologia que cuida do bem viver hoje e amanhã.”

O projeto Salus entrega mudas no Desfile do Dia 07 de Setembro. O contraste entre cultura feminina de cura e marcha masculina é marcante!

Artigos e capítulos foram publicados em revistas internacionais e livros acadêmicos nos meses de verão. “Preparamos juntos nosso calendário artístico-pedagógico, e debatemos tudo escrito”, disse Elisa Neves, coordenadora do projeto Salus. “Agora, temos uma bolsa de estudo para nos ajudar a escrever, não somente redações no ENEM, mas relatórios e projetos, como base para advogar bem viver como projeto alternativo à violência e destruição da esperança.”

AfroRaiz cultiva a cura na ‘zona vermelha’ do PAC, entregando mudas às famílias mais excluídas em Marabá.

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Festival inspira consciência ambiental e solidária

Crianças e jovens de Cabelo Seco vivem cuidado ambiental comunitário no prazer de empinar pipas.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, encerrou a terceira semana do V Festival de Verão com seu IV Festival de Pipa e sua X bicicletada pela vida, ‘Quero Viver Bem’.

AfroRaiz encerra o mini-curso de formação em teatro cumintário com ritual na Praia de Tucunaré.

A terceira semana do festival se destacou com o mini-curso de formação em teatro comunitário para as jovens artistas do AfroRaiz, ministrado pelo holandês Sem Jonkers da Universidade de Amsterdam. “Sem resgatou memórias pessoais de nossas jovens coordenadoras sobre a praça de Cabelo Seco,” disse Manoela Souza, coordenadora do Festival. “Depois, criou uma roda de memória sobre o espetáculo de terror que o exercito brasileiro montou na Praia de Tucunaré na época da Guerrilha de Araguaia, narrado pelo mestre de cultura, Zequinha Souza, quando tinha 18 anos de idade. Finalizou com as vozes da própria praia, imaginadas pelos jovens atores, e um ritual profundo de suas promessas de cuidar da vida da praia e do Rio Tocantins.”

A Casa dos Rios e as ruas de Cabelo Seco lotam com jovens que sabem ler os ventos da Amazônia.

Na quinta, dia 26, o Projeto realizou sua Festival de Pipa, com 180 participantes da comunidade, coordenado pelo artistas de AfroRaiz. “Um jovem de 15 anos me ensinou criar uma pipa e uma adolescente de 12 anos, como a empinar,” disse Sem Jonkers. “Mas é muito mais de cada um cuidando de sua pipa. O projeto transforma a cultura popular em pedagogia inovadora, com duplas ensinando e aprendendo juntos, cooperando e concentrando, sem supervisão. Lotou a Casa dos Rios! É evidente que as crianças e adolescentes adoram estar em ‘comunidade’. E o céu encheu com umas 120 pipas! Consciência ambiental sem palavras!”

Meninas adolescentes fortalecem laços com o Rio Tocantins brincando na Orla de Cabelo Seco.

A coordenação do festival e a do acampamento Hugo Chaves do MST adiarem a oficina de dança-percussão para famílias do MST quando receberam notícias da violência por pistoleiros. “Opomos toda violência, na busca de uma cultura de paz”, explicou Dan Baron, coordenador internacional do projeto. “Sem querer expor nossos jovens a tanto perigo, dedicamos nosso tempo a divulgar a violação de direitos humanos e da democratização da terra para nossos parceiros internacionais.”

Estudantes de Artes Visuais realizam uma roda de perguntas e reflexão no final de uma manhã com Sem Jonkers.

Ontem, a Graduação de Artes Visuais intervalar recepcionou Sem Jonkers na Unifesspa, numa roda de 3 horas. “Além de conhecer a metodologia do como dar voice aos escravizados e calados na história negra e valorizar a memória para evitar a volta de fascismo no presente”, refletiu Isabela, “através das perguntas solidárias do Sem, nos nós enxergamos, como amazonidas sem memória histórica ou valorização de nossa riqueza. E Sem enxergou-se, através de nosso olhar idealizador sobre Europe. Ficamos impressionados que o desmatamento aqui vem contribuindo aos incêndios e enchentes atuais na Europa!”

Rerivaldo Mendes leva Sem Jonkers e uma nova bicicleta doada por amigos holandeses solidarios para convidar Cabelo Seco ao Festival da Pipa.

A bicicletada “Quero Viver Bem” aconteceu no dia 31, pedalando a comunidade Bela Vista que a recepcionou. No próximo post, vamos compartilhar como foi. As duas bicicletas impactaram muito, como demonstrações de como o projeto incentiva e cultiva solidariedade internacional!

Katrine e Elisa realizam uma entrega de livros “porta em porta” no canto excluído do ‘PAC’, inaugurando a cargueira doada da rede de amigos holandeses, articulada por Sem. Valeu, amigo!

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Festival debate o futuro de Marabá através das artes

Reris Mendes, Elisa Neves e Évany Valente abrem a apresentação de AfroRaiz na comunidade Bela Vista.

Crianças e capoeiristas da comunidade Bela Vista e o Holandês Sem Jonkers assistem dança (Camylla Alves, Lorena Melissa, Katrine Neves), e percussão afro com AfroRaiz.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, lança a terceira semana do Festival de Verão com o curso de Teatro de Território (23-25 julho), seu Festival de Pipa (26 julho), e colaboração ao curso de formação do MST no acampamento Hugo Chavez (27-28 julho).

Sem Jonkers mostra um exemplo de ‘teatro de lugar’ aos jovens de AfroRaiz no início de um curso de formação interna.

A segunda semana do festival foi marcada pelo mini-curso de teatro comunitário ministrado pelo estudante holandês Sem Jonkers da Universidade de Amsterdam. “Sem coordenou o curso com confiança e clareza”, disse a coordenadora do festival, Manoela Souza, gestora do Rios de Encontro e graduada em teatro educação da Universidade Estadual de Santa Catarina. “Desenvolveu o tema ‘cuidado de si, do outro e do mundo’, através de técnicas criativas e sensíveis. Em pouco tempo, os 12 participantes compartilharem histórias de vida profundas, as transformando em teatro excepcional.”

Crianças e capoeiristas experimentam dança e canto afro com AfroRaiz, coordenada por Camylla Alves.

Os artistas do Projeto mostraram dança-percussão afro à comunidade Bela Vista, para inspirar a oficina de 30 crianças e capoeiristas do Centro Arte e Cultura Guerreiro de Quilombo. “Apresentamos nossos 07 anos de pesquisa”, explicou Camylla Alves, coordenadora da escola de dança, AfroMundi e parte do Coletivo AfroRaiz. “A oficina animou todos, mas a roda final foi profunda. Discutimos os preconceitos que a cultura afro-brasileira ainda sofre. Celebrei o respeito que encontrei em Nova Zelândia, onde cidadãos brancos valorizam a língua e cultura do povo indígena, e falam Maori e Inglês.”

Crianças do PAC convivem com livros na biblioteca comunitária Folhas da Vida na rua, coordenada pela Katrine Neves.

Após levar o festival à abertura do Encontro da Saúde Coletiva, na Unifesspa, AfroRaiz montou sua biblioteca Folhas da Vida e Cine Coruja no Residencial Itacaiúnas, no ‘PAC’, doando plantas medicinais aos moradores no canto esquecido de Cabelo Seco. “Admiro estes jovens!” disse Sem Jonkers. “Criam um ambiente sensível e lúdico de alfabetização e saúde integrais. E abraçam toda a diversidade da sociedade!”

No Cine Coruja, familias curtem filmes de qualidade, em comunidade, coordenado pelo Reris Mendes e Évany Valente.

Reris Mendes e Évany Valente distribuem mudas medicinais na comunidade, durante a roda da biblioteca.

“Cultura e educação de qualidade no coração da comunidade é a melhor segurança e formação pela cidadania”, explica Dan Baron, coordenador do projeto. A Prefeitura pretende deslocar a escolinha Deodoro de Mendonça da praça de Cabelo Seco para desenvolver comercio e turismo no pontal da Orla. Aumentará desigualdade social, gerará violência e acabará com a comunidade. Deveria estudar cidades ao redor do mundo que aprenderam porque escolas no centro da comunidade garantem qualidade de vida.”

Jovens artistas de AfroRaiz avaliam a primeira oficina de Teatro de Lugar de Sem Jonkers, na ‘piscina pedagógica’ na Casa dos Rios.

AfroRaiz colaborarão com jovens sem terra no final da semana em solidariedade com vítimas do Massacre de Eldorado dos Carajás, condenados pelo candidato presidencial, Jair Bolsonaro, na semana passada. “Queremos um Brasil sem impunidade”, disse Elisa Neves, coordenadora de percussão no projeto. Este sonho é simbolizado pelo Festival da Pipa. “Porque temos 2,5 milhões de visualizações de nossos vídeos das pipas amazônicas?” questiona Rerivaldo Mendes, coordenador de Rabetas Videos.

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