Jardim Bem Viver vislumbra uma Marabá verde

AfroRaiz ie quatro novas dançarinas de AfroMundi Juvenil participarem no cultivo do Jardim Bem Viver, e na Roda de 10 anos , aproximando energias naturais e culturais.

O projeto eco-cultural e socioeducativo Rios de Encontro, enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008, encerrou seu 7º Festival Beleza Amazônica com o lançamento do segundo Jardim Bem Viver no PAC (no Residencial Itacaiúnas, em Cabelo Seco) do Projeto Salus, e uma Roda de Celebração dos 10 Anos. Ambos apontaram o caminho eco-social do Projeto em 2019.

AfroRaiz e Willian Monteiro, coordenador do Jardim Bem Viver, se retratem com crianças do PAC após de criar a estrutura do Jardim.

Após da construção da estrutura do jardim comunitário pelo Coletivo AfroRaiz em colaboração com 40 crianças do PAC, bem na ‘zona vermelha’ da comunidade, o Projeto Salus se juntou com a biblioteca comunitária Folhas da Vida, levando mudas de Pariri, Boldo, Castanha da Índia, Folha Santa, Hortelã, Capim-Limão, Cidreira, Malva do Reino, Maracujá, Babosa, Pimenta, Sete Dores, Manjericão, Alfavaca e Açaí, para associar o prazer de ler com o prazer de criar e se cuidar.

Biblioteca Folhas da Vida cria rodas de leitura e paz na ‘zona vermelha’.

“A saúde da comunidade é precária”, disse Manoela Souza, gestora do Projeto Salus, financiado pelo Fundo Elas, Fundo Casa, e pelo Prêmio Itaú-Unicef. “No entanto este jardim vai além do resgate dos saberes da comunidade para melhorar a saúde. Ele une saúde natural com comunidade, produção familiar, cidadania, economia comunitária, cuidado ambiental e aprendizado sobre como cultivar e manter uma cooperativa. O jardim vai embelezar e valorizar uma comunidade que sofre tanta violência social, ambiental e econômica, e busca transformar sequelas pesadas em um projeto exemplar de bem viver sustentável.”

Willian se retrata após de plantar um pé de açaí, na beira do Rio Itacaiúnas, atrás do PAC.

“Fiquei impressionante com a colaboração das crianças de minha comunidade”, disse Willian Monteiro (22 anos). “Quando passei casa em casa, convidando famílias participarem na inauguração, muitos adultos falaram: ‘este projeto não vai longe’. Na sexta, dia da construção da estrutura, crianças e adolescentes pegaram as pazinhas e suaram no sol. No sábado, saíram da biblioteca para plantar mudas, com tanto cuidado e confiança! E desde a inauguração, vem molhando as mudas e se identificando com o jardim. Vão entender bem viver na prática!”

A primeira muda a ser plantada inspirou 20 crianças criar o Jardim Bem Viver.

Nas reuniões com o Comandante da Polícia Militar, Sidnei Profeta, na quinta feira, e com o Secretario de Educação, Luciano Lopes Dias, na sexta-feira, para avançar o projeto de receber placas solares doadas para abastecer o quartel e escolas municipais, Dan Baron, coordenador do Rios de Encontro, destacou o significado maior do Jardim Bem Viver. “É importante que o projeto surja da própria sabedoria, necessidade e gestão da comunidade. Assim, gera uma cultura de auto-respeito, autonomia, saúde e produção de renda, cultivando valores humanos e cuidado socioambiental. Ambos gestores entenderem tudo.”

Melissa, dançarina com AfroMundi Infantil, virou liderança no plantio.

Dan Baron continua. “O Secretário reconhece que muitas escolas enfrentem dificuldades em sustentar a motivação de professores e alunos criarem uma horta, apesar que oferece uma oportunidade pedagógica excelente para estudar ciência, geografia e história. Eu propôs que se uma escola apoie um jardim comunitário, valorizaria sabedoria e dedicação populares, enraizaria a educação formal em cultura comunitária, e aproximaria a escola e a família numa forma transformadora. Nenhum projeto de segurança policial ou turismo ecológico alcança esta formação e governança comunitária.”

A Polícia Militar e Educação Municipal serão parceiras principais no projeto Cidade Verde que Rios de Encontro vai incentivar com cidades verdes na Alemanha, Bélgica e Portugal através de sua turnê internacional na Europa em 2019.

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Festival lança jardim bem viver

Rerivaldo Mendes ajuda a coordenar uma oficina de ritmos-afro na escola Irmã Theodora, rumo à Semana de Consciência Negra.

O VII Festival Beleza Amazônica, realizado pelo projeto Rios de Encontro enraizado na comunidade Cabelo Seco, encerra sua terceira semana de programação com uma sessão especial de cinema comunitário, o lançamento de segundo jardim medicinal, e duas apresentações solidárias de seu Coletivo AfroRaiz.

Professora Doelde, coordenadora do projeto Conexão Afro, o Coletivo AfroRaiz e Sandra da Unicef se retratem depois de uma oficina na escola Irmã Theodora.

Desde dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o festival realizou ensaios abertos e apresentações do espetáculo Conhecendo África, dedicadas aos 21 Dias de Ativismo promovidos pelo Fundo “Fale Sem Medo”, do Fundo Elas, Instituto Avon e ONU Mulheres sobre o fim da violência contra mulheres, em particular, adolescentes negras. “Este processo de alfabetização cultural valorizou o protagonismo feminino afro-raiz em colaboração com a Escola Irmã Theodora”, disse Manoela Souza, gestora cultural do festival. “Essa segunda fase é dedicada à saúde integral, com a distribuição de mudas de plantas medicinais e a celebração de energias vitais com jovens artistas de dança e violão.”

AfroRaiz e AfroConnect se apresentam juntos na escola Irmá Theodoro, Marabá.

“A segunda dimensão do festival de 2018, Bem Viver AfroRaiz, foi iniciada ontem”, disse Elisa Neves (21 anos), coordenadora do projeto Salus. “Produzimos e distribuímos mais de 100 mudas de plantas tradicionais, gratuitas, na comunidade, para incentivar moradoras com saúde precária, resgatarem seus quintais de cultura de sabedoria medicinal, e largarem remédios químicos que geram somente dependência e fraqueza.”

Dançarinas Camylla Alves e Katrine Neves produzem mudas junto com Évany Valente no jardim medicinal em Cabelo Seco.

Num Cine Coruja Especial, na quinta, no dia 13, às 19h, vídeos sobre o projeto Salus vão antecipar o filme surpresa da África. Na sexta, dia 14, as 20h30, numa noite cultural no final do encontro estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Salus vai distribuir mudas como parte da celebração da coragem e persistência do MAB na defesa da maior tecnologia de vida sustentável no mundo, a Amazônia.

Percussionistas Elisa Neves, Evany Valente e Reris Mendes levam a feira de Salus nas ruas de Cabelo Seco, junto com a bicirádio solar.

No sábado dia 15, às 16h, o projeto Salus inaugurará seu segundo jardim medicinal comunitário, no PAC, território de tanto descuido estadual, também conhecido como a “zona vermelha”, por causa de tantos tiroteios entre traficantes, e assassinatos de inocentes.

Moradoras de Cabelo Seco se retratem com mudas do jardim medicinal, entregas por dançarinas Camylla e Katrine de AfroRaiz.

“O jardim será cuidado pelas moradoras do PAC”, explica Évany Valente (19 anos), co-coordenadora do projeto. “Assim, tornará um lar de cicatrização, cidadania, e eventualmente, produção de renda comunitária. Vamos encerrar o festival com dança, percussão e violão, as 19h, no PAC, depois do lançamento do jardim. Este ano, priorizamos o PAC para se solidarizar com famílias dos jovens assassinados e valorizar a busca de bem viver de cada família. Na nossa experiência, as artes, não as armas, transformam zonas vermelhas em ruas de paz, confiança e comunidade.”

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Jovens afro-raíz afirmam escola com futuro

A turma de Conexão Afro se retrata com AfroRaiz na Galeria do Povo, em Cabelo Seco.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008, encerrou na sexta feira passada um projeto inovador, na escola EMEF Irmã Theodora, no bairro Liberdade. Coincidiu com a publicação do projeto no site Atlas do Futuro 2018 (https://atlasofthefuture.org/brazils-rivers-of-creativity-futureleague-rios-de-encontro/), selecionado pelo Conselho Britânico e a Universidade de Goldsmiths em Londres, e com a confirmação que seu Coletivo de dança-percussão Afro-Raiz realizará uma turnê pela Europa de 10 semanas no segundo semestre de 2019.

O Coletivo AfroRaiz e turma ensaia ‘Conhecendo África’ na escola. AfroRaiz foi premiado pela Itaú Unicef em novembro 2018 por sua energia sustentável ‘gira sol’.

“Este projeto superou todas minhas expectativas”, elogiou a Professora Doelde Ferreira, colaboradora com Rios de Encontro desde 2014. “Criamos o projeto Conexão Afro para transformar preconceitos racistas na escola em uma celebração de nossas raízes Afro. Realizamos oficinas de adereços, turbantes, brincos e pulseiras usando materiais reciclados, coordenadas pela arte educadora Carol Nascimento. Mas o projeto continuou no canto da escola, cercado pelo preconceito de “macumba”. Em dez oficinas de dança-percussão com os jovens de AfroRaiz, o projeto alcançou a escola inteira, transformando timidez e vergonha em orgulho e autoconfiança! AfroRaiz virou nossa referência!”

Os jovens ensaiam ‘Conhecendo África’ na Casa dos Rios em Cabelo Seco.

Os jovens de AfroRaiz ensinaram ritmos através de brincadeiras com a boca e corpo, antes de passar três coreografias de Guine Bissau. “Adaptamos nosso aprendizado com o Coletivo Abayomi de Florianópolis”, disse Camylla Alves, 23 anos, coordenadora de dança. “Já repassamos tudo para Cabelo Seco, mas pela primeira vez, realizamos um projeto inteiro numa escola.”

Os jovens colanboradores se retratem no encontro dos Rios Tocantins, Itacaiúnas e Araguaia na Orla de Cabelo Seco.

“Sinto orgulhosa que depois de 10 anos de formação artístico-pedagógica, nossos jovens assumiram o planejamento e a realização da colaboração,” disse Manoela Souza, coordenadora de Rios de Encontro. “Cuidaram das diversas motivações do grupo e da organização de equipamento e transporte. A responsabilidade fortaleceu o coletivo e mostrou a capacidade de liderança dos jovens.”

A colaboração afro-raiz se retrata na Camara dos Vereadores após a apresentação.

O processo culminou com a apresentação “Conhecendo África” na Semana de Consciência Negra, no palco do Shopping, na Escola Josinelde Tavares, na própria Irmã Theodoro e na Câmara dos Vereadores. Numa roda final de reflexão após a apresentação na escola, os 28 alunos destacarem prazer, libertação e a transformação da escola em um espaço de encantamento. “O que me impressionou”, disse Rerivaldo Mendes, percussionista de 23 anos, “foi a coragem de apresentar na Josineide Tavares, sem tambores, sem nós, usando a boca e palmas como ritmo para manter as coreografias!”

AfroRaiz mobiliza energias quilombolas na plenária da Defesa da Educação Pública na Unifesspa.

“Espero que ninguém mais vai alisar e pintar seus cabelos ou sentir vergonha”, disse Elisa Neves, 21 anos, percussionista em AfroRaiz. “Na escola, era danada”, disse Camylla. “Resgatando minha raiz-afro me deu confiança, trouxe reconhecimento e respeito, na escola, na rua, nas instituições da cidade.” Évany Valente, percussionista de 19 anos, agradeceu: “Com vocês, aprendi que tenho paciência para ensinar!”

AfroRaiz assista a mesa de abertura da roda da Frente Popular.

“A colonização e escravidão plantaram séculos de auto-ódio, medo e vergonha de cumplicidade”, disse Dan Baron, coordenador geral do Rios de Encontro. “Essas energias escondidas tem licença pela primeira vez de se expressar no WhatsApp e Facebook. Mas mais grave, são exploradas por políticos e grandes empresários para lucrar e promover uma sociedade autoritária. AfroRaiz, e sua capacidade transformadora na escola, é fruto de dez anos de descolonização destas sequelas auto-destrutivas. Investimento neste tipo de projeto juvenil, não em armas e disciplina militar, gera auto-respeito e cidadania.”

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Jovens inspiram fórum bem viver internacional

Participantes do fórum se retratem diante as ruínas de Moeda Velha.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008, dedicou as últimas duas semanas de novembro à ações nacionais e internacionais celebrando jovens arte educadores como força transformadora na busca criativa e inclusiva contínua de justiça social e ambiental diante um futuro incerto e preocupante.

“No Fórum Bem Viver realizado entre 15-18 de novembro em Moeda/MG, nosso Coletivo AfroRaiz fez a ponte entre o 1º fórum em Marabá em 2017, e o 2º fórum na região de Mariana/MG, onde aconteceu a maior crime ambiental na historia do Brasil”, explicou Manoela Souza, gestora cultural dos dois fóruns.”

AfroRaiz fez a abertura do fórum, e inspirou celebração no ‘Quilombo Interno’ e noite cultural em São Caetano.

“Mas além de realizar oficinas e apresentações afro-descendentes corajosas com centenas de crianças e adolescentes, e com arte educadores adultos de todo o país, AfroRaiz representou Marabá numa troca de projetos entre oito regiões do Brasil.”

A presença de jovem participantes influenciou cada dimensão do fórum.

“Nosso fórum foi marcado pelo compromisso com 25 jovens de dez polos, entre 60 convidados, e pela coragem de enraizar um encontro nacional numa comunidade vulnerável”, disse Dan Baron, coordenador do projeto Redes de Criatividade que culminou no fórum, realizado pela Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA).

Rerivaldo e jovens de Marabá apresentam sua contribuicao ao projeto Redes de Criatividade.

“Porém, depois das apresentações verbais tão maduras dos jovens no primeiro dia sobre cuidado ecológico, igualdade de gênero, identidade racial e saúde integral”, continua, “largamos nosso plano de residências juvenil e adulta paralelas. Criamos uma roda integrada para discutir acordos sensíveis capazes de equilibrar desejos pessoais e cuidado coletivo com a comunidade, na qual os jovens assumiram uma liderança inesperada.”

Camylla Alves e Evany Valente encontram sua história no Quilombo Chacrinha.

Sol Bueno de Minas Gerais coordenou uma oficina de sensibilização através de canto experimental coletivo.

Rerivaldo Mendes, coordenador de audiovisual no projeto Redes de Criatividade avalia: “Com apenas 15 à 25 anos de idade, nós jovens de Santa Catarina, DF, São Paulo, Bahia, Pará, Maranhão e Minas Gerais criamos oficinas para encontrar o ‘quilombo interno’ e a memória indígena de raiz e de genocídio, em cada um.

Lais Tupinambá da Bahia resgate a memória indígena nos participantes.

Participamos em vivencias de canto coletivo e esculturas humanas para evocar e visualizar o futuro que ninguém vai esquecer, e as documentamos com celulares. Assim, começamos redefinir o celular como ferramenta de ação cultural e educacional.”

Dan Baron ministra oficina de esculutras humanas para vislumbrar o futuro, lida por celular.

O fórum incluiu um pré fórum, cine bem viver, banquete bem viver de sabores de todo o país, uma festa cultural e um passeio ecológico sobre a história geológica da região mineira.

No pré fórum, Dan Baron e Luis Carlos de Santos experimentaram com uma oficina de formação para 50 professores de Moeda em alfabetização cutural via o celular.

Mas os participantes vivenciarem também na madrugada do último dia o assassinato trágico de Daniel Galdino, filho da educadora comunitária Rosa, diretora do projeto Cabal na comunidade Água Limpa, que alfabetiza negros excluídos na boca da mineração. “Filmei a oficina de brincadeiras que o fórum levou à escolinha”, lembrou Rerivaldo. “Este assassinato simboliza para todos nós a violência da época atual de ódio, ameaça e genocídio dos jovens negro e afro-índigena no país.”

Jovens se manifestarem com muito compromisso social e criatividade sobre o assassinato.

O fórum encerrou com um dia de reflexão para idealizar a Lei da Semana Paraense de Bem Viver, e o 3º Fórum Bem Viver 2019, na Bahia.

Entre 24-30 de novembro, Manoela Souza e Évany Valente do Rios de Encontro representarem o projeto finalista Gira-Sol, na cerimônia de premiação do Itaú-Unicef com foco na educação integral.

AfroRaiz e AfroConnect se apresentam juntos na escola Irmá Theodoro, Marabá.

O Coletivo AfroRaiz foi premiado pela Itaú Unicef em novembro 2018 por sua energia sustentável ‘gira sol’.

Paralelamente, Dan Baron alertou o Parlamento Europeu sobre a grave ameaça aos direitos humanos e liberdade intelectual no Brasil. Além disso, ministrou palestras na Rede Grega de Arte Educadores, no Centro de Estudos Latino-Americanos na Universidade de Cambridge, no Encontro do Conselho Britânico e Universidade de Goldsmiths, e na conferência ‘Vozes de América Latina’ e sua ‘Iniciativa Solidariedade com Brasil’, na Casa do Congresso em Londres. “Focalizei sempre sobre a maturidade e resiliência juvenil inesperadas no fórum. O mundo está olhando para Brasil com muito preocupação hoje.”

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Jovens de Cabelo Seco levam cultura afro-amazônica à fórum nacional

Rios de Encontro, o projeto ecocultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco leva dez jovens, estudantes e diversos profissionais de Marabá para participarem no 2º Fórum Bem Viver, em Moeda, MG, 12 à 19 de novembro. Culminância do projeto nacional ‘Redes de Criatividade’, financiado pelo Ministério da Cultura e coordenado pelo Rios de Encontro, o fórum junta 10 projetos regionais juvenis que mostrarão o modo de viver ‘bem viver’ indígena-atual como alternativa socioambiental à militarização e ‘tecnificação’ da escola. No coração do projeto é a transformação do celular em recurso criativo de futuros sustentáveis.

Rerivaldo Mendes ajuda a coordenar uma oficina de ritmos-afro na escola Irmã Theodora cuidará do registro do fórum.

“Esse fórum acontece num momento inédito “, disse Dan Baron, coordenador do Redes de Criatividade, “quando fake news está sendo disseminada nas redes sociais para fomentar preconceito contra projetos comprometidos a transformar pânico sobre violência e corrupção em confiança na escola, família, democracia e justiça socioambiental. Uma semana após a eleição de um presidente que quer excluir pensamento crítico na escola, cinco milhões de alunos estavam interpretando questões sociais no ENEM, analisando a mudança de comportamento pela manipulação de dados pessoais.”

Camylla Alves coordena uma oficina de dança-afro na EMEF Irmã Theodora apresentará no fórum e em Belo Horizonte.

O único projeto amazônico entre dez projetos nacionais premiados, Redes de Criatividade destaca a questão socioambiental. Os 10 polos no projeto vem descobrindo em escolas e comunidades como transformar a força viciante e isolante da micro-tecnologia de refúgio na fantasia consumista. “O celular prejudica o sono, a visão, equilíbrio emocional e relações familiares e sociais”, disse Elisa Neves, co-coordenadora do projeto Salus que incentiva hortas medicinais em Cabelo Seco. “Mas agora, o celular e redes sociais vem prejudicando a democracia no mundo, criando conflito, aumentando pânico, depressão e suicídio. Nem uma escola, família ou país escapa.”

Professora Doelde, AfroRaiz e Sandra da Unicef se retratem depois da colaboração com a escola Irmã Theodora.

20 jovens de Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Pará, São Paulo, Distrito Federal e Maranhão vão trocar vídeos próprios entre eles, e construir uma ação audiovisual coletiva com arte educadores, médicos, advogados, pedagogos, policiais e engenheiros através de residenciais. “Três jovens de Cabelo Seco foram escolhidos para ser oficineiros, documentaristas e artistas de bem viver”, disse Manoela Souza, gestora do projeto. “Estão liderando um projeto na Escola Irmã Theodora agora, mas aprenderão sobre como integrar novas tecnologias e redes sociais para consultar, tomar decisões informadas e criar modelos de governança comunitária inclusiva, guiados pela alfabetização cultural e informativa.”

Camylla, Evany e Reris abrem o Seminário de Educação Holística na Unifesspa com uma demonstração de cultura de raiz.

A ABRA escolheu Moeda para se solidarizar com o município de Mariana, MG, que sofreu o maior crime ambiental na história do Brasil. Mas Moeda também é o único município na região que recusa as mineradoras acesso à sua riqueza. “A cidade já é símbolo de resiliência verde”, disse Sol Bueno, cantora internacional e arte educadora que mora em Moeda. “Inspirados pelo primeiro fórum em Cabelo Seco, convidamos parceiros de Rios de Encontro em Nova Zelândia a doarem placas solares à primeira escola municipal em Moeda. Tornar-se-a símbolo de Bem Viver.”

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Crianças e jovens transformam violência em comunidade de paz

Professora Doelde, AfroRaiz e Sandra da Unicef se retratem depois da colaboração com a escola Irmã Theodora.

Na semana passada, Rios de Encontro, o projeto ecocultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, finalizou sua X Semana da Criança. Coincidiu com a visita técnica do Itaú-UNICEF para avaliar o projeto como finalista do prêmio 2018 e a notícia que o projeto foi contemplado com o prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura.

Camylla coordena a oficina de dança, integrando a professora Doelde e a gestora Manoela!

Além de ação colaborativa na escola Irmã Theodora, a semana integrou oficinas de dança afro-ballet e violão afro-brasileiro, biblioteca e cine comunitário em colaboração com estudantes da Unifesspa. Integrou uma Roda sobre Primeira Infância, impulsionada pela irmã e primos dos dois jovens que morreram vítimas da ‘intervenção policial’ no PAC, e uma Roda entre moradoras do PAC e a Polícia Civil da Corregedoria.

Alunos da Escola Irmã Theodora e avaliadora da UNICEF curten uma oficina de percussão coordenada por Elisa Neves.

“Fico feliz de ter contribuído ao reconhecimento deste projeto”, disse Mestre Zequinha de Cabelo Seco, colaborador do longo resgate das raízes Afro-Brasileira em Cabelo Seco. “Será uma honra que o segundo CD do projeto que este prêmio possibilitará, vai deixar meu legado cultural para as gerações ainda não nascidas. Já tenho este prazer, assistindo os percussionistas e dançarinas na Casa dos Rios, coordenando projetos, que eram participantes infantis na primeira noite do projeto em 2008. Torço para que ganhemos um segundo prêmio nacional do Itaú-Unicef!”.

Camylla Alves de AfroMundi coordena uma oficina de dança afro na Escola Irmã Theodora.

Dra Sandra Ataíde, pedagoga e avaliadora técnica da Unicef ficou encantada, conhecendo o projeto. “Admiro muito a maturidade desse Coletivo AfroRaiz que possui excelência artística e tem uma sintonia e confiança pedagógicas como equipe de oficineiros. Nunca me imaginei participando numa oficina de dança afro, ou acompanhando uma oficina infantil de dança afro-ballet, coordenadas com tanta sensibilidade. Porém fiquei indignada, ouvindo os testemunhos de jovens mães, parentes dos dois menores matados pela Polícia Militar no dia 29 de setembro. Visitei o local da tragédia, vi os buracos onde entraram os tiros, escutei as mães e avós buscando justiça e projetos de formação e ação cultural, não de repressão e terror. Torço que meu relato ajude que Rios de Encontro continue a gerar energias de vida e influenciar políticas públicas com seu reconhecimento merecido!”

Artistas de AfroRaiz e estudantes de Levante Popular preparem numa roda de formação para Dia da Criança.

O dia depois da visita da Unicef, o Coronel Delegado Vinícius da Polícia Civil da Corregedoria Regional, participou numa roda com 12 moradoras para discutir segurança comunitária e como garantir justiça social. Tanto o delegado, quanto a comunidade, avaliaram que a conversa franca era importantíssima e um passo excelente para criar relações de respeito mútuo, de confiança.

Crianças da PAC curtem sua biblioteca na praça, quando personagens dos livros se transformarem em teatro infantil.

Na tarde seguinte, Rios de Encontro realizou a primeira colaboração com oito estudantes da Unifesspa, lideranças do Levante Popular da Juventude. Bem na praça da tragédia no PAC, mais de 40 crianças sentaram com livros, desenharam e curtiram teatro infantil, antes de assistir um desenho animado, sobre as estrelas.

Manoela Souza agradece os estudantes universitários de Levante Popular e de AfroRaiz no Cine Coruja no PAC.

“Estamos construindo uma colaboração de respeito por uma comunidade sofrida, muito mais alfabetizada do que nós”, comentou André Oliveiro, estudante de história. “Nosso sonho é criar um país que valoriza a leitura e a cultura de paz, em vez do salvador violento e a cultura de ódio.”

O lião André descobre seu talento em fomentar a leitura em crianças traumatizadas pela violência.

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Do 1º Fórum Bem Viver à 2º Fórum em Moeda, MG

1) Qual o principal legado do “1º Fórum do Bem Viver” e os impactos para o futuro do Brasil e do mundo?

O Fórum tinha objetivos ativista e gestor. O objetivo ativista era de idealizar e executar uma intervenção cultural coletiva e inovadora para impedir a construção da usina hidrelétrica de Marabá (UHM) e o mega-projeto industrial de mineração e contracto da hidrovia, fomentar um debate qualificado para garantir uma consulta ‘prévia’. O objetivo gestor era e continua a cultivar uma metodologia capaz de fomentar uma rede bem viver, de projetos alternativos, com metodologias diversas, abastecidos por energia solar (entre outras energias limpas e renováveis). Os dois objetivos são interligados, e estendem além do território Amazônico, pela natureza da interdependência dos continentes no mundo e a necessidade de solidariedade mundial para realizar uma intervenção aqui na Amazônia.

Ato coletivo no Rio Tocantins. Somos bem viver das Américas protegendo o Pedral do Lourenção!

Um legado principal do fórum é a sensibilização em torno de 50 ativistas sobre as realidades emergenciais na Amazônia, do Sul e Sudeste do Pará, e juntando sua experiência coletiva para semear núcleos de intervenção em Tauari, e em São João do Araguaia (que vai realizar um Festival Bem Viver em dezembro), que ficaram de baixo de água, caso a hidrelétrica seja construída. O fórum já começou gerar colaborações entre projetos de transformação social entre regiões no Brasil e países participantes.

Participantes da Américas afirmam bem viver em defesa dos rios da Amazônia num Pedral do Lourenção.

Mais profundamente, aprofundou confiança nos seus integrantes em uma pedagogia ‘caravana artístico-ecocultural’ tanto como intervenção política, quanto como metodologia eco-pedagógica, que pode ser aplicada na gestão de projetos comunitários e da democracia participativa. Em vez de um desabafo ou desespero coletivo, compreensível em tempos de golpe e austeridade cruel, o fórum praticou um processo pedagógico de confiança, vivência e convivência, cultivando numa grande diversidade de ativistas, esperança, ousadia e resiliência. Depois de tantas décadas de fóruns autoritários e cansativos que produzirem inevitáveis e inviáveis ‘cartas coletivas’, escritas por poucos em nome do ‘povo’, o principal legado talvez será esperança que um paradigma antigo-contemporâneo e flexível já existe para cultivar democracia aberta e participativa.

Os convidados se entregam numa dança da terra, rios e floresta na construção de uma pauta coletiva.

2) Nos conte um pouco sobre como projeto de tornar Marabá uma referência em Bem Viver?

Convidamos uma diversidade de gestores para participar no fórum em ‘formato caravana’ (artistas, pedagogos, policiais, advogados, ativistas, cientistas, jornalistas, enfermeiras, médicos, empresários e juizes) como ação experimental piloto que aproximou todos os setores da sociedade civil em torno de um projeto paradigmático: segurança da vida integral (climática, alimentar, educacional, trabalhista, de saúde e direitos humanos), abastecida por energia solar.

O fórum volta de suas escutas para refletir e projetar os próximos passos.

Propositalmente, a caravana dispersou e ‘policentralizou’ o fórum para alcançar bairros, instituições e outras cidades, ao escutar, inspirar e plantar sementes colaboravas. A experiência foi socializada aqui em Marabá, na região do sudeste do Pará, e em redes sociais, através de diversas mídias digitais, confirmando a força motivadora desta metodologia em comunidades populares não engajadas e em comunidades já desmotivadas e céticas que transformação ainda é possível.

Alessandra Munduruku é pequena, mas tem coragem imensa e clareza inspiradora.

Os moradores/as de São João do Araguaia escutam depoimentos de Dani Silva do Movimento Xingu Vivo para Sempre e Alessandra Munduruku do Movimento Tapajós Vivo para Sempre para vislumbrar seu futuro e tomar decisões informadas sobre opções energéticas.

A partir desta experiência piloto, estamos agora lançando micro-fóruns, simpósios, festivais e colaborações bem viver em Marabá, continuamente, para gerar o momentum necessário para inspirar colaborações internacionais, focalizadas sobre a ressignificação de Marabá. Na prática, nosso objetivo principal é de captar 40,000 placas solares até o final de 2019, para abastecer projetos alternativos viáveis. Em 2018, continuaremos costurando parceiros entre projetos no sudeste do Pará e continentes do mundo; e em 2019, reunir estes parceiros num fórum mundial bem viver.

A primeira placa solar comunitária em Marabá abastece nossa bici-rádio, ajudando Cabelo Seco imaginar uma cidade sustentável.

A bicicletada contra racismo, em busca de bem viver, liderada pela Polícia Militar de Marabá.

Assim esperamos que Marabá vai se reimaginar como uma cidade de bem viver, se tornando exemplo inspirador de bem viver sustentável, na Amazônia, nas Américas e no mundo.

Leonardo Santana de São João de Araguaia apresenta comida típica bem viver, doada ao fórum. Energia solar salvaria a cidade que ficará de baixo de água caso a usina hidrelétrica de Marabá (UHM) seja construída.

3) Quais estratégias para influenciar o poder público em prol da sustentabilidade em uma época onde o governo federal busca aumentar a exploração comercial mineral da Amazônia?

O poder público aqui em geral está corrompido e comprado pelo paradigma predador atual, com a ‘contaminação’ das instituições e até os movimentos sociais. A renovação ou transformação do poder público implica a emergência de um novo paradigma cooperativo de bem viver, enraizada na formação de comunidades éticas e corresponsáveis.

Retrato de unidade de projeto entre a PM da Bahia e de Marabá, na praça de Cabelo Seco.

Estamos idealizando tudo isso com seis estratégias principais: praticar bem viver, em vez de falar sobre ele (praticamos um ‘fórum bem viver’, em vez de ‘fórum de bem viver’); usar todas as linguagens artísticas para presenciar, estimular e aproveitar das inteligências múltiplas e experiências humanas na idealização, execução e socialização de projetos colaborativos; juntar protagonistas ‘opostos’ ou ‘improváveis’ para praticar e simbolizar o paradigma bem viver (ex: policia militar/jovens excluídos, juizes/mestres populares, gestores multinacionais/gestores indígenas), para resolver e transformar histórias conflituosas em novas políticas publicas; e usar estes processos e políticas públicas de bem viver para cultivar democracia participativa, para substituir a democracia representativa falida.

Polícia Militar da Bahia brinca com aluno do Plínio Pinheiro numa grande apresentação de dança afro e capoeira.

Simultaneamente, estamos informando parlamentos regionais, redes profissionais internacionais, IONGs e governos de peso ((em particular, na Europa, África Oceano-Pacífico), sobre os efeitos catastróficos socioambientais causados pela industrialização e comercialização desreguladas da Amazônia, focalizando sobre a violação de direitos humanos na região que violenta tratados e acordos na UN. Estamos também estudando e advogando uma taxa internacional bem viver, para deixar minerais ‘em situ’ na Amazônia, para manter esta bioma de ‘rios voadores’ essencial, intacta, e promovendo o uso de energias limpas e renováveis, em particular de energia solar, na vida cotidiana, no somente industrial e comercial.

Deputada europeia Julie Ward (Inglaterra NW) se despede da coordenação do Rios de Encontro, o Coletivo AfroRaíz), e o diretor de teatro comunitário uruguaio, Carlos Torrado, amplia a colaboração. Redes internacionais e parlamentos regionais tem um papel fundamental para proteger a Amazônia.

4) Como as ações propostas no Fórum ou em projetos parceiros ajudam na melhoria de vida da população local em prol da justiça social?

Acredito que a metodologia de troca íntima de experiências e aprendizados de projetos entre integrantes – convidados(as) porque já estão proativamente ajudando na melhoria de vida da população local em prol da justiça social, durante o fórum (em espaços programados e espaços de bem viver), impactaram tanto na região do sudeste do Pará, quanto nos projetos espalhados no pais e fora. No ‘como’, destacaria a vivência das culturas populares dos Rios Tocantins e Araguaia (águas, alimentações, músicas, danças, histórias da vida popular), através de contato com suas populações e ativistas populares. Partindo do bem viver – da qualidade e beleza de vida ameaçada, aprofundou a compreensão sobre o significado e vulnerabilidade da Amazônia, e a necessidade de incorporar cuidado ambiental em geral e com o território amazônico em particular, em cada projeto social. Sem este cuidado, e suas implicações socioeconômicos, nenhuma justiça social acontece ou se sustenta. Acredito que esta sacada, afirmando a transversalidade vital e integralidade eco-cultural e socioambiental, continua sendo o impacto íntimo, público, conceitual-político e motivador das ações do Fórum.

Em pequenas rodas, os convidados trocam projetos e ações criativas para gerar colaborações possíveis.

Na prática, em termos de ações propostas no Fórum, a decisão de não criar um ‘grupo de whatsup’ na segunda (e última) plenária do Fórum, mas de montar uma ‘transmissão bem viver’, refletiu um compromisso de praticar uma ‘ecologia de cuidado de tempo e coerência’ para cada integrante; e a decisão de não criar uma rede de organização ou cronograma de ações centralizados, refletiu uma consciência paradigmática que o que é necessária é uma política capilar, em vez de uma estrutura vertical de tomada de decisões e de prioridades. Agora, tem uma rede de ações locais e regionais que corresponde a um mundo complexo de tempos, necessidades e prioridades distintos, unidos pelo compromisso com envolvimento bem viver (em vez de desenvolvimento passificador).

5) Fale um pouco sobre como sua trajetória pessoal de vida e sua experiência no Brasil e no mundo até a luta pelo Bem Viver.

Sou arte-educador, artista, diretor-escritor de teatro/dança comunitário. Venho morando e colaborando no Brasil desde fevereiro de 1998. Graduei-me em Letras e pós-graduei-me em Teatro-Educação Popular da Universidade de Oxford. Desde 1980, venho dedicando-me à busca de processos coletivos e pedagogias artísticas de transformação social através da performance comunitária, capazes de descolonizar o corpo-pensante e o imaginário e evitar a auto-censura, em colaboração com escolas, comunidades pós conflito, jovens em risco, organizações culturais e universidades. Desenvolvi colaborações sustentadas no País de Galês, Inglaterra pós-industrial, Irlanda do Norte, África do Sul, Quênia e Palestina, e diálogos sustentados com diversos países na América Latina e na Ásia. Meus últimos dezenove anos no Brasil, venho colaborando com comunidades sem terra, indígenas, sindicais, ribeirinhas e universitárias, evoluindo uma pedagogia de Transformance baseada em técnicas de alfabetização cultural, desenvolvidas em colaboração com arteducadora, Manoela Souza.

Duas gerações de Rios de Encontro celebram dança afro na Festa das Artes e Açaí. Em vez de simbolizar a sustentabilidade, Rios de Encontro vem a cultivando através de formação, gestão e produção artístico-cultural.

A partir de minha primeira colaboração no Pará em 1999 (o monumento comunitário ‘As Castanheiras de Eldorado dos Carajás’), foi convidado colaborar com a UFPA-Marabá em 2004, desenvolvendo dança-narrativa com pedagogos do campo até 2011. Em 2008, foi convidado colaborar com o Ponto de Cultura, Galpão das Artes-Marabá, ganhando em 2009 e 2011 o Prêmio Nacional ‘Interações Estéticas’ da Funarte, MinC, para desenvolver o projeto de formação e criação artística comunitária, Rios de Encontro, enraizado na comunidade matriz Afro-Indígena, Cabelo Seco. Em 2011, Rios de Encontro ganhou o prêmio nacional da UNICEF Educação Integral, e em 2012, surgiu a Cia de Dança ‘AfroMundi: Pés no Chão’; em 2014, Rabetas Vídeo Coletivo e a Universidade Comunitária dos Rios; em 2016, AfroRaiz e Fórum Bem Viver, nos quais atuo como co-gestor e co-diretor artístico-pedagógico, levando jovens artistas a Belém do Pará, Brasília, Porto Alegre, Florianópolis, Washington, New York, Hong Kong e Auckland. Estes nove anos estes projetos vem resgatando e reinventando a cultura afro-descendente, a transformando em contribuições às estéticas amazônicas, em busca de linguagens populares capazes de reconhecer, transparecer, cicatrizar e transformar as múltiplas sequelas de exclusão em recursos de alfabetização cultural e formação multi-sensorial.

Mariana renasce o nenê morto na beira do rio. ‘Nascente em Chamas’ permite tanto a cicatrização da dançarina quanto a identificação de camadas de violência, cumplicidade e resiliência nos silêncios da identidade amazônica.

Sou autor do livro ‘Teatro e Auto-Determinação’ (Derry, 2001), ‘Alfabetização Cultural: a luta íntima por uma nova humanidade (São Paulo, 2004), co-autor do livro ‘Colheita em Tempos de Seca: pedagogias de vida à comunidades sustentáveis’ (Marabá, 2012), Calendários ‘Rios de Encontro’ (2011-17), e artigos. Entre 2004-10, servi como Presidente da Associação Internacional de Drama Educação (IDEA), co-fundando e coordenando a Aliança Mundial pelas Artes Educação entre 2006-10. Entre 2002-2012, participei ativamente no Conselho Internacional do FSM, e entre 2009-2017, no FSPA. Entre 2010-13, contribui à gestão da Plataforma Puente/RELATS.

Dan Baron
Co-coordenador do Instituto Transformance
Co-coordenador da ABRA
http://www.riosdecriatividade.com
Dezembro de 2017

Ficha técnica do Fórum:

• nº total de participantes:
O mês de rodas e oficinas pré fórum garantiu que os 50 convidados do fórum alcançassem diretamente mais de 5.000 pessoas de cinco gerações, em Marabá, São João do Araguaia, Tauari (Itupiranga) e Belém, e centenas de milhares de pessoas através das mídias.
• nº de países participantes:
O Fórum Bem Viver inspirou ações paralelas e contribuições virtuais em instituições solidárias em 42 países. No fórum presencial, participaram Brasil, Canadá, Colombia, Equador, EUA, Gales, Inglaterra,
• principais organizações:
AESSPA, CEPAGRO, CNE, GAETE, Instituto Casa Común, Grupo Xama Teatro, Instituto Fotoativa, Instituto Polis, International Rivers, Instituto Somos, Instituto Superação, MAB, Madeira Vivo, Movimento Bacia Itacaiúnas, MST, Policia Militar da Bahia, Pombas Urbanas, Saúde e Alegria, Tapajós Vivo, Teatro Piollin, UFPA, UFPB, Xingu Vivo,
• organizador:
Instituto Transformance/Rios de Encontro; ABRA (Rede Brasileira de Arteducadores)
• apoiadores:
Ministério de Educação (2015), Unifesspa, UEPA, Policia Militar do Pará,
• dias de evento:
Fórum (31 agosto-5 setembro)
• outras informações relevantes:
Pré Fórum (30 junho à 30 agosto)

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