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Segunda semana do Festival Beleza Amazônica impacta na Grande Belém

AfroRaiz apresenta no Circuito Cultura na Cidade Velha em Belém em defesa do Rio Tocantins.

Rios de Encontro voltou à Cabelo Seco hoje depois de realizar a segunda semana de seu VI Festival Beleza Amazônica em Belém com apresentações na Praça das Mercês na Cidade Velha no dia 03 de dezembro, no Projeto Equoterapia da Polícia Militar e na Escola Francisco Nunes em Marambaia (dia 04), no III Encontro Estadual de Bibliotecas Públicas do Pará (dia 5), e numa oficina Culinária Bem Viver na Ilha de Mosqueiro. A semana focalizou o tema do festival socioambiental e eco-cultural, Queremos Bem Viver!, que entra agora na sua terceira semana em Marabá entre 11-16 de dezembro.

AfroRaiz apresenta na rua, afirmando a relação entre raizes culturais e a preservação da Amazônia.

No Circuito Cultural de Belém, o Coletivo AfroRaiz apresentou dança-percussão numa praça lotada de 240 artistas, gestores e universitários, articulado pelo parceiro Instituto Fotoativa. Dedicada à justiça social no Pará como base da preservação da Amazônia, AfroRaiz foi bem aplaudido. “Me senti realizada”, disse Katriny Neves (16 anos), a dançarina mais nova no Coletivo. “Foi a primeira vez que apresentei na capital. Estou me preparando agora para dar minha primeira oficina durante o festival em Marabá.”

A equipe do projeto Equoterapia da PM de Belém apresenta seu espetáculo para Rios de Encontro.

No próximo dia, AfroRaiz visitou o projeto teatral Equoterapia da Polícia Militar de Belém, que usa o cavalo para ajudar pessoas com necessidades especiais adquirir confiança sociocultural para participar numa sociedade inclusiva. “Ficamos emocionadas pela sensibilidade e dedicação da equipe de psicólogas e fisioterapeutas da PM”, comentou Alanes Yanca (18 anos), coordenadora da Biblioteca Folhas da Vida. “Subi na marionete grande de um cavalo durante o show, mas quando subimos num cavalo real pela primeira vez, senti um poder inédito! A PM de Marabá precisa desta projeto comunitário, criativo e ético!”

AfroRaiz se integra no final do espetáculo do projeto Equoterapia da PM em Belém.

Na Escola Estadual Integrado Francisco Nunes, depois de sua apresentação, AfroRaiz apresentou um vídeo sobre sua pesquisa e ousadia, apresentando numa balsa na beira do Rio Tocantins, numa ponte frente a hidrelétrica Belo Monte no Rio Xingu, e na Curva do S na PA 150, local de massacre de Eldorado dos Carajás. Na entrevista coletiva que seguiu, a plateia estudantil dialogou com os jovens. “Ficarem bem engajados”, relatou Elisa Neves (21 anos). “Esclarecemos a relação entre raízes culturais, saúde, direitos humanos e a preservação da Amazônia. Mas o bate-papo sobre nosso projeto revelou o potencial de liderança em jovens e valorizou educação que cultiva consciência crítica sobre o meio ambiente que integra cultura e organização social.”

O Coletivo AfroRaiz responde a perguntas das turmas de Saúde e Meio Ambiente após a apresentação.

No III Encontro Estadual de Bibliotecas Públicas no Centur, Alanes dividiu a mesa com gestora Manoela Souza, a única jovem entre 200 bibliotecários. “Recusamos aceitar apoio da Vale”, Manoela explicou, “para cultivar alfabetização socioambiental. Por isso, a comunidade e nossos leitores infantis confiam no projeto.”

Alanes Yanca explica o projeto Biblioteca Folhas da Vida, no Encontro Estadual em Belém.

A segunda semana do festival encerrou com a criação de ‘pizzas saudáveis’ na oficina Culinária Bem Viver orientada por Sandro Ruggeri, do Instituto Humanas. “Aprendemos muito mais do que fazer pizza”, brinca Rerivaldo Mendes. “Cozinhamos consciência alimentar! Vamos passar isso para Cabelo Seco no ano que vem.”

AfroRaiz e a equipe do Equoterapia da PM de Belém se retratam depois da troca cultural.

O IV Festival Beleza Amazônica volta à Marabá com uma Residência de Energia Solar (dias 11-16 de dezembro), Roda ‘Marabá Bem Viver: primeira cidade brasileira abastecida por energia solar?’ (Casa dos Rios, dia 11, 19h), Roda ‘Marabá, Cidade Bem Viver’ (Casa dos Rios, dia 12, 19h), Festival Bem Viver em São João de Araguaia (dias 13, 14), Bicicletada Queremos Bem Viver (dia 15, 8h), e Noites Culturais no PAC (dia 9, 19h) e na Casa dos Rios (dia 15, 19h), que integram 1ª Mostra de Vídeo Juvenil. Informações: Mano Souza (whatsup: 91 988478021).

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VI Festival Beleza Amazônica : ‘Marabá, cidade bem viver’

Duas gerações de AfroRaiz se retratam depois da última apresentação de três semanas de celebração na escola do Dia de Consciência Negra.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008 encerrou ontem três semanas de apresentações em Marabá e contribuições à conferencias em Oxford (Inglaterra), Auckland (Nova Zelândia) e Melbourne (Austrália). Fortaleceram parcerias locais e internacionais para desenvolver seu foco do 2018, Marabá, Cidade Bem Viver, tema do atual Festival Beleza Amazônica que começa na Praça de Mercês na Velha Belém neste domingo, antes de chegar em Marabá, 8-16 de dezembro.

Bianca Alves da segunda geração de AfroRaiz apresenta na Escola Francisco Sousa Ramos, no Dia de Consciência Negra.

“Depois do Enem”, explica gestora Manoela Souza, “retomamos a vida mais artística do Coletivo AfroRaiz. Nestes tempos de desespero e corrupção quando tantos projetos estão fechando, nossa coordenação de 08 bolsistas apresentou 12 vezes com tanta beleza e unidade, fruto de nove anos de continuidade, alcançando mais de 2000 pessoas. A celebração da consciência negra e ecológica servirá para qualquer uma que entre na faculdade em 2018.”

Rerivaldo Mendes (Rabetas Coletivo) edita videos com jovens de Cabelo Seco para a 1ª Mostra ‘Minha Rua, Minha Vida’.

O fórum Em Busca de Ecologias de Bem Viver realizado pela Universidade de Oxford (18-20 de novembro) reuniu 80 expertos de 12 países. Dan Baron da coordenação do Rios de Encontro, realizou uma oficina-debate de três horas. “O mundo inteiro está discutindo bem viver como resposta a crise socioambiental planetária”, informou Dan Baron. “Mas poucos sabiam quanto a democracia Brasileira e as comunidades indígenas do bem viver estão sendo violentadas pelo governo federal. Nossa Universidade Comunitária dos Rios se destacou no fórum como incubadora de pedagogias eco-culturais, inspirando pesquisadores internacionais colaborar em 2018 na criação de ‘Marabá, Cidade de Bem Viver’.”

Dan Baron e a comunidade Maori de Glenn Ines lançam o Festival Bem Viver em Auckland.

Na Universidade de Auckland (22-25 de novembro), Dan Baron participou com expertos de 32 países no fórum Educação pela Sustentabilidade: Engajando a Comunidade. “Alertei todos sobre a seca que estamos vivendo, efeitos catastróficos da industrialização acelerada e ilegal na Amazônia. A profunda inteligência de nossos jovens artistas de Cabelo Seco marcou todos. Estamos agora estudando como eco-pedagogos dos povos indígenas na Ásia e Pacifica podem visitar nossa universidade e a Unifesspa, para fortalecer a biodiversidade e reimaginar o bem viver na Amazônia.”

Alanes Yanca (Biblioteca Folhas da Vida) prepara a Hillary para a preparação do AfroRaiz. Todas tem inteligência múltipla artística bem avançada.

Na Universidade de Monash, Dan Baron reuniu com Departamentos de Economia Cultural, Performance, Mídia e Estudos Indígenas para idealizar um projeto de pesquisa sobre bem viver e de ação internacional, a partir de performance. “Os Rios Murray e Darling sofreram secas gravíssimas nos últimos cinco anos, com efeitos socioambientais extremos. Temos de antecipar a violência destes mega-projetos industriais para mudar o futuro”, explica Dan Baron. “A Monash quer integrar nossa pedagogia de democracia participativa comunitária através das artes, na formação de seus professores e trocar pesquisas com a Unifesspa e UEPA, para fortalecer o projeto mundial de bem viver. Em maio, voltarei com eco-pedagogos e engenheiros de Marabá para realizar o primeiro Forum Bem Viver em Auckland.”

O Festival Beleza Amazônica, Marabá, Cidade Bem Viver, integra: Noite Cultural no PAC (18h no 9 dezembro), Curso de Formação em Energia Solar (11-16 dezembro), 1ª Mostra de Vídeo Juvenil ‘Minha Rua, Minha Vida’ (concurso até dia 10 dezembro), Ação Cultural na Câmara dos Vereadores (12 dezembro às 9h), Festival Bem Viver em São João de Araguaia (13, 14 dezembro), Bicicletada Somos Energia Solar (8h) e Casa dos Rios (20h, 15 dezembro).

A programação detalhada do festival, em Belém e em Marabá, sai na terça que vem. Mais informações: Mano Souza (whatsup: 91 988478021).

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Insegurança gera rodas de segurança bem viver

Participantes da roda sobre Segurança Comunitária na Casa dos Rios em Cabelo Seco, com Comandantes Costa Jr e Roosevelt, e Dra Denise da Costa.

O projeto Rios de Encontro enraizado no bairro Cabelo Seco desde 2008 encerrou o Mini-Fórum Segurança Bem Viver no dia 02, com uma roda de conversa com a psicopedagoga Denise da Costa no Fórum de Mulheres. O mini-fórum se estende até o Festival Bem Viver em São João do Araguaia (13-14 de dezembro) e serve como base para Fórum Segurança Bem Viver em 2018.

Conversa visionária entre Comandante Roosevelt (PM-Marabá), Dan Baron, Comandante Costa Jr e Dra Denise da Costa, no quartel da 4º Batalhão sobre Segurança Bem Viver.

Surgindo do Fórum Bem Viver em setembro, o mini-fórum alcançou 400 participantes, incluindo 140 cabos do 4º Batalhão da Polícia Militar, 40 alunos da Escola Paulo Freire, 40 estudantes do Direito da Terra (Unifesspa), 10 advogados da OAB em Marabá, 50 integrantes da Rede de Professores do Educação Especial de Marabá e o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão Académica (NAIA e Unifesspa), 60 participantes numa roda em Cabelo Seco, e mulheres no Fórum das Mulheres (agendado pelo Conselho da Mulher). Uma entrevista realizada pelo Grupo Correio com Coronel Costa Jr socializou a proposta “Polícia Comunitária”, no contexto do aumento de assassinatos de defensores da Amazônia e de jovens negros e mulheres nos bairros populares em Marabá.

Coronel Costa Jr em conversa com cabos no 1º mês de formação da 4 Batalhão da PM-Marabá.

“O Mini-fórum excedeu todas nossas expectativas!”, avalia o coordenador do mini-fórum, Dan Baron do Rios de Encontro. “Os dois convidados aceitaram o convite de escutar e dialogar. Não deram palestras, porém chegaram bem preparados, para aprender com Marabá. Foi a primeira vez que movimentos sociais, jovens excluídos e advogados sentaram com um Comandante da PM que criticou um modelo falido de policiamento repressor e advogou um modelo transparente de segurança colaboradora, a partir de direitos humanos e justiça social.”

Coronel Costa Jr em roda sobre segurança comunitária com alunos da escola Paulo Freire.

“As rodas com lideranças dos movimentos sociais e alunos na escola Paulo Freire, marcaram todos”, reflete Dan Baron. “Na primeira, depois de ouvir depoimentos sobre violência e corrupção em setores da PM, Costa Jr reconheceu a urgência de desmilitarizar a formação dos soldados e a cultura da PM, e de resolver as raízes sociais e econômicas do conflito urbano e no campo.

A direção da OAB-Marabá escuta a proposta sobre Segurança Comunitária do Costa Jr.

Na roda na escola, aberto a qualquer questão, Costa Jr foi perguntado se havia matado alguém. Os dois debates revelaram a coragem de todos, sentados no limiar cultural entre um modelo autoritário e um modelo democrático.”

Roda comunitária sobre Segurança Comunitária com Comandantes Costa Jr e Roosevelt e Denise da Costa na Casa dos Rios.

As rodas na Casa dos Rios sobre inclusão educacional e na SEASP sobre gênero revelaram projetos culturais de transformação social, numa época assustadora de violência doméstica e feminicídio. “Aprendi tanto com as rodas”, disse Denise Corrêa. “Mesmo que Marabá ainda falta de tanta infraestrutura para garantir os direitos da criança, adolescente e mulher, volto a Belém bem inspirada pelas jovens dançarinas e percussionistas da AfroRaiz, liderando Rios de Encontro!

O Conselho da Mulher em roda com Denise Corrêa da Costa conversa sobre direitos da mulher e violência contra mulheres, adolescência e crianças.

Na roda das mulheres, debate sobre a relação entre feminicídio e a auto-mutilação estética promovida por aplicativos no celular me marcou. Necessitamos de cultura de raiz, que vivenciei na noite cultural em Cabelo Seco. Vamos levar AfroRaiz à Marituba em dezembro.”

Apresentação de dança-percussão pelo Coletivo AfroRaiz e escola AfroMundi durante a roda sobre Segurança Comunitária na Casa dos Rios em Cabelo Seco.

Elisa Neves, percussionista e coordenadora de Roupas ao Vento, grava uma conversa com Denise da Costa sobre transformação feminina.

Rios de Encontro aprofundará estes debates durante o VI Festival Beleza Amazônica entre 20 de novembro e 15 de dezembro. Informações estão disponíveis com Manoela Souza (whatsup): 91 98847 8021.

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Marabá: Projeto de Bem Viver ou Ecocídio?

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Rerivaldo Mendes usa a bicirádio solar (a primeira no mundo) para divulgar o Cine Coruja nas ruas de Cabelo Seco.

O projeto Rios de Encontro enraizado no bairro Cabelo Seco desde 2008 vai apresentar ‘Marabá: Projeto de Bem Viver ou Ecocídio?’ no simpósio internacional ‘Educação Holística’ na Universidade de Oxford (Inglaterra, 18-19 Novembro), e no encontro mundial ‘Engajando Comunidades na Universidade de Auckland (Nova Zelândia, 23-25 Novembro).

A pergunta é tema do 2017 Festival Beleza Amazônica. Na terça passada, Rerivaldo Mendes do Rabetas Vídeos Coletivo no projeto, participou com Jaine Vieira Pinho e João Oliveira de Assis, estudantes de engenharia elétrica da coordenação da Empresa Júnior da Unifesspa, e Manoela Souza e Dan Baron do Rios de Encontro, numa conversa sobre a instalação de 04 placas solares na Casa dos Rios em Cabelo Seco. Ontem, na presença do Prof. Fernando Coutinho, Empresa Junio e Rios de Encontro firmou um convênio para um projeto piloto de formação com o Grupo de Estudos de Desenvolvimento em Alternativas Energéticas (GEDAE-UFPA), para pesquisar quantas placas solares abasteceriam escolas públicas, postos de saúde e empresas na Velha Marabá até o final de 2018.

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João e Jaine (Empresa Júnior da Engenharia Elétrica da Unifesspa, com Mano Souza e Rerivaldo Mendes do Rios de Encontro, na Casa dos Rios. 

“Este curso de formação”, disse Rerivaldo Mendes (21 anos), “garantiria emprego ético e seguro para jovens de Cabelo Seco e Marabá, além de fortalecer uma Amazônia sustentável.”

“Na sexta passada”, disse Dan Baron, “escutei Ministro Helder Barbalho na Praça São Felix discursando sobre a ‘Nova Etapa da Orla’. Explicitou o mega-projeto como plataforma de sua candidatura à governador do Pará, afirmando seu destino e dever a Marabá, cidade de trabalhadores e grandes rios. Não ouvi uma palavra sobre a maior seca na memória da cidade, o aumento da violência juvenil, prostituição infantil e desespero escolar e familiar, agravados pelo aumento da fome e da política de austeridade. Nem mencionou como a revolução tecnológica já está transformando os mundos de energia, trabalho, lazer e direitos”.

“Me tocou o número de politicos no palco, e a ausência de gestores das instituições da cidade e de famílias da Velha Marabá, sofrendo as consequências cruéis da decadência e austeridade atual. Os R$ 66 milhões do Ministério da Integração serão usado para transformar a vida popular aqui? Mas a maior ausência foi a falta de consulta prévia. Cade a revitalização que garante segurança climática, trabalhista, alimentar, educacional e de saúde. Pintando as barras da Orla e calçadas da cidade é uma declaração de falência ética e imaginação social.”

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Mano Souza, gestora cultural do projeto, em roda com a Empresa Júnio da Engenharia Elétrica, na Casa dos Rios.

Dan Baron convidará a Universidade de Oxford colaborar no projeto Marabá Bem Viver, e depois universidades de Nova Zelândia. O país acabou eleger a nova primeira ministra Jacinda Ardern, 37 anos, a mais nova em 150 anos.

“Em 3 meses de campanha, Ardern transformou o cenário político, com 5 projetos: responsabilidade climática (e a revitalização dos rios); direitos da mulher (em casa e no trabalho); eliminação da pobreza infantil; educação universitária gratuita (para preparar jovens conviver com a revolução tecnológica permanente); e moradia para todos. Nova Zelândia elegeu bem viver!”

Antes da viagem, Rios de Encontro vai juntar gestores da segurança, educação, saúde, justiça, empresas e seus parceiros nos movimentos sociais num mini-fórum de Segurança Bem Viver em novembro.

“Lamento que não parei na praça na sexta passada para perguntar ao Ministro sobre a pneumonia infantil, feminicídio, trabalho escravo, escolas incapazes de ensinar no calor global, e sobretudo, a seca dos rios. Repintar barras e calçadas não é revitalização. Precisamos de debate sobre a economia cultural e os direitos jurídicos do Rio Tocantins, ilustrado com projetos alternativos, para qualificar Marabá e a região participar numa autêntica consulta prévia, e cultivar uma democracia participativa que garante um futuro vivo.”

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Mongabay celebration and article

Com o aniversário de 18 anos da Alanes, a mais nova do Coletivo AfroRaiz, Rios de Encontro se tornou um projeto com coordenação adulta!

https://news.mongabay.com/2017/09/transformance-finding-common-ground-in-the-amazon-commentary/

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Fórum gera parcerias de bem viver


Gus Greenstein participe numa roda de cientistas, artistas, policias militares baianas e gestores da America Latina durante o fórum.

O último dos 50 convidados que comporem a intervenção cultural e pedagógica nacional e latino-americana do primeiro Fórum Bem Viver saiu do Pará na terça passada. Jovem pesquisador da Universidade de Oxford na Inglaterra, o Californiano Gus Greenstein de 25 anos, saiu de uma roda de formação em São João do Araguaia na sexta feira, se despediu do Hotel Imperial na Orla, e realizou entrevistas com a Polícia Militar e com gestores do projeto Rios de Encontro em Belém, e pegou um voo que aterrizou logo após o terremoto que derrubou o México na madrugada de quarta.

“Meu deus! Difícil aguentar tanto sofrimento e explicar tanta violência”, falou Gus por whatsup a Dan Baron, da coordenação do Rios de Encontro, ontem. “No primeiro momento”, disse Dan, “não sabia se estava respondendo ao caos trágico na Cidade de México, às crises pneumáticas infantis causadas pelas queimadas e a seca em Marabá, ou ao feminicídio da Eliane Souza que abalou todos os 50 convidados do Fórum que foram atendidos com tanto cuidado por ela, uma pessoa massacrada pela coragem de largar uma vida de violência em busca de bem viver.”

Polícia Militar da Bahia brinca com aluno do Plínip Pinheiro numa grande apresentação de dança afro e capoeira.

“As últimas duas rodas do Fórum com estudantes do Direito da Terra, diretores da escola, vereadores e bibliotecárias em São João do Araguaia e com ex-Chef Maior do Pará Coronel Costa Jr. e oficiais da inteligência da segurança pública no município de Marituba”, explica Dan Baron, “traçaram relações inesperadas entre a industrialização dos rios da Amazônia, a grande vulnerabilidade das mães e jovens negros na região com o aumento vertiginoso da pobreza e pessimismo, e o desequilíbrio ecossistêmico mundial. Tudo foi gravado e já está saindo em jornais no mundo.”

Gus apresenta sua pesquisa mundial para gestores em São João do Araguaia pós fórum.JPG

Em São João, Gus Greenstein compartilhou pesquisa acadêmica atual sobre as políticas de financiamento de hidrelétricas em 8 países nos quatro continentes da África, Ásia, Europa e as Américas. A partir de suas vivências com comunidades sofrendo e resistindo à mega-projetos hídricos, Gus demonstrou a inviabilidade econômica, política e desenvolvimentalista do mega-projeto industrial planejado para o Rio Tocantins. O jovem pesquisador concentrou, porém, sobre dois fatos chaves na formação de um movimento social.

“Minha pesquisa mostra que o próprio Banco Mundial não financia mais a construção de hidrelétricas por causa dos impactos socioambientais de Belo Monte em Altamira. E que a lei das Nações Unidas sobre ‘consulta prévia, livre e informada com todos que serão ou poderiam ser impactados’ faz parte de tratos assinados pelo Brasil e todo membro país no mundo, protege e relaciona direitos humanos com direitos ambientais.” Apoiado por Rios de Encontro, São João realizará um Festival Bem Viver em novembro de 2017, na beira do Rio Tocantins.

Gus Greenstein ficou impressionado com a consciência e inteligência socioambientais da PM em Belém. “Imagina”, escreveu Gus no whatsup ontem, “o comandante que ajudou formar o atual Comandante Roosevelt de Marabá, encerrando minha entrevista com as palavras ‘A segurança deve ser pedagogia de transformação e vida sustentável’.”

Numa entrevista que durou 3 horas, o Coronel Costa Jr. e seus dois colegas relacionaram explicitamente os megaprojetos em Altamira e Tucuruí com o aumento acelerado de prostituição infantil, tráfico de craque, depressão generalizada e violência doméstica.

“O comandante explicou que o projeto é anunciado antes da realização de estudos independentes sobre impactos socioambientais, consulta prévia e orçamento das condicionantes infra-estruturais sociais e sua manutenção. Isso é ilegal e prejudica a vida de todos. Mas fundamentou também como o corte de laços familiares e do acesso ao rio gera crise civilizatória no nível interpessoal. E explicou como o aumento de estrupo, feminicídio e dependência química manifesta a raiz da tragédia: descuido dos políticos e empresários sobre o bem viver.”


A PM de Marabá e da Bahia se retrata com pedagogas e lideranças ambientalistas pós fórum, na Galeria do Povo em Cabelo Seco.

Coronel Costa Jr. se comprometeu no final da entrevista realizar uma residência pedagógica e cultural em Marabá, no final de outubro para sensibilizar a Câmara dos Vereadores e motivar a sociedade civil elaborar projetos de segurança comunitária.

“Gus embarcou”, concluiu Dan Baron. “24 horas depois, no meio de um terramoto, ele recebeu notícias sobre Eliane Souza, a última Marabaense que desejou boa viagem a ele. Se desesperou. Mas Gus volta a universidade no mais alto ranking no mundo com esperança. Apesar das violências de seca, pobreza e corrupção derrubando Amazônia, e um feminicídio que o abalou, ele viu parcerias visionárias, emergindo, unidas pelo projeto permanente bem viver. Quando ele publica isso nos grandes jornais independentes no mundo, rios de intervenção solidária vão fluir.”

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