Mongabay celebration and article

Com o aniversário de 18 anos da Alanes, a mais nova do Coletivo AfroRaiz, Rios de Encontro se tornou um projeto com coordenação adulta!

https://news.mongabay.com/2017/09/transformance-finding-common-ground-in-the-amazon-commentary/

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Fórum gera parcerias de bem viver


Gus Greenstein participe numa roda de cientistas, artistas, policias militares baianas e gestores da America Latina durante o fórum.

O último dos 50 convidados que comporem a intervenção cultural e pedagógica nacional e latino-americana do primeiro Fórum Bem Viver saiu do Pará na terça passada. Jovem pesquisador da Universidade de Oxford na Inglaterra, o Californiano Gus Greenstein de 25 anos, saiu de uma roda de formação em São João do Araguaia na sexta feira, se despediu do Hotel Imperial na Orla, e realizou entrevistas com a Polícia Militar e com gestores do projeto Rios de Encontro em Belém, e pegou um voo que aterrizou logo após o terremoto que derrubou o México na madrugada de quarta.

“Meu deus! Difícil aguentar tanto sofrimento e explicar tanta violência”, falou Gus por whatsup a Dan Baron, da coordenação do Rios de Encontro, ontem. “No primeiro momento”, disse Dan, “não sabia se estava respondendo ao caos trágico na Cidade de México, às crises pneumáticas infantis causadas pelas queimadas e a seca em Marabá, ou ao feminicídio da Eliane Souza que abalou todos os 50 convidados do Fórum que foram atendidos com tanto cuidado por ela, uma pessoa massacrada pela coragem de largar uma vida de violência em busca de bem viver.”

Polícia Militar da Bahia brinca com aluno do Plínip Pinheiro numa grande apresentação de dança afro e capoeira.

“As últimas duas rodas do Fórum com estudantes do Direito da Terra, diretores da escola, vereadores e bibliotecárias em São João do Araguaia e com ex-Chef Maior do Pará Coronel Costa Jr. e oficiais da inteligência da segurança pública no município de Marituba”, explica Dan Baron, “traçaram relações inesperadas entre a industrialização dos rios da Amazônia, a grande vulnerabilidade das mães e jovens negros na região com o aumento vertiginoso da pobreza e pessimismo, e o desequilíbrio ecossistêmico mundial. Tudo foi gravado e já está saindo em jornais no mundo.”

Gus apresenta sua pesquisa mundial para gestores em São João do Araguaia pós fórum.JPG

Em São João, Gus Greenstein compartilhou pesquisa acadêmica atual sobre as políticas de financiamento de hidrelétricas em 8 países nos quatro continentes da África, Ásia, Europa e as Américas. A partir de suas vivências com comunidades sofrendo e resistindo à mega-projetos hídricos, Gus demonstrou a inviabilidade econômica, política e desenvolvimentalista do mega-projeto industrial planejado para o Rio Tocantins. O jovem pesquisador concentrou, porém, sobre dois fatos chaves na formação de um movimento social.

“Minha pesquisa mostra que o próprio Banco Mundial não financia mais a construção de hidrelétricas por causa dos impactos socioambientais de Belo Monte em Altamira. E que a lei das Nações Unidas sobre ‘consulta prévia, livre e informada com todos que serão ou poderiam ser impactados’ faz parte de tratos assinados pelo Brasil e todo membro país no mundo, protege e relaciona direitos humanos com direitos ambientais.” Apoiado por Rios de Encontro, São João realizará um Festival Bem Viver em novembro de 2017, na beira do Rio Tocantins.

Gus Greenstein ficou impressionado com a consciência e inteligência socioambientais da PM em Belém. “Imagina”, escreveu Gus no whatsup ontem, “o comandante que ajudou formar o atual Comandante Roosevelt de Marabá, encerrando minha entrevista com as palavras ‘A segurança deve ser pedagogia de transformação e vida sustentável’.”

Numa entrevista que durou 3 horas, o Coronel Costa Jr. e seus dois colegas relacionaram explicitamente os megaprojetos em Altamira e Tucuruí com o aumento acelerado de prostituição infantil, tráfico de craque, depressão generalizada e violência doméstica.

“O comandante explicou que o projeto é anunciado antes da realização de estudos independentes sobre impactos socioambientais, consulta prévia e orçamento das condicionantes infra-estruturais sociais e sua manutenção. Isso é ilegal e prejudica a vida de todos. Mas fundamentou também como o corte de laços familiares e do acesso ao rio gera crise civilizatória no nível interpessoal. E explicou como o aumento de estrupo, feminicídio e dependência química manifesta a raiz da tragédia: descuido dos políticos e empresários sobre o bem viver.”


A PM de Marabá e da Bahia se retrata com pedagogas e lideranças ambientalistas pós fórum, na Galeria do Povo em Cabelo Seco.

Coronel Costa Jr. se comprometeu no final da entrevista realizar uma residência pedagógica e cultural em Marabá, no final de outubro para sensibilizar a Câmara dos Vereadores e motivar a sociedade civil elaborar projetos de segurança comunitária.

“Gus embarcou”, concluiu Dan Baron. “24 horas depois, no meio de um terramoto, ele recebeu notícias sobre Eliane Souza, a última Marabaense que desejou boa viagem a ele. Se desesperou. Mas Gus volta a universidade no mais alto ranking no mundo com esperança. Apesar das violências de seca, pobreza e corrupção derrubando Amazônia, e um feminicídio que o abalou, ele viu parcerias visionárias, emergindo, unidas pelo projeto permanente bem viver. Quando ele publica isso nos grandes jornais independentes no mundo, rios de intervenção solidária vão fluir.”

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Fórum Bem Viver tece redes de esperança e coragem

Convidados das Américas levam bem viver de Cabelo Seco ao mundo no início do Fórum Bem Viver.

O primeiro Fórum Bem Viver, comunitário-internacional, encerrou no Dia da Amazônia, com intervenções das Américas na Câmara dos Vereadores em Marabá e oficinas de dança e percussão ministradas pela Policia Militar da Bahia e por arte educadores da Colômbia e do Equador, em Cabelo Seco. O mês de rodas e oficinas pré fórum garantiu que as ideias e energias transformadoras dos 50 convidados do fórum alcançassem diretamente mais de 5.000 pessoas de cinco gerações, em Marabá, São João do Araguaia, Tauari (Itupiranga) e Belém, e centenas de milhares de pessoas através das mídias.

Ato coletivo no Rio Tocantins. Somos bem viver das Américas protegendo o Pedral do Lourenção!

De resultado duradouro, o Fórum Bem Viver inspirou uma rede de ações paralelas e contribuições virtuais em instituicoes solidárias em 42 países, e demonstrou em plena crise que maduras metodologias alternativas e inovadoras existem para construir democracia participativa e comunitária, e criou uma rede com 50 redes, esperançosa, ousada e comprometida com uma Amazônia sustentável.

Retrato dos convidados de Brasil, Canada, Colômbia, Equador, EUA e Galês se manifestam no Rio Tocantins em São João do Araguaia.

Residências pré fórum com arte educadores(as) Carlos Torrado (Uruguai), deputada do parlamento europeu Julie Ward (Inglaterra) e Ben Ross e Britt Neff (EUA), anunciaram a visão latina e inter-continental do fórum, liderado por uma nova geração. Inspiraram estudantes do Direito da Terra e da Antropologia (da Unifesspa) assumirem a gestão de convivências – escutas, diálogos e buscas de colaboração – em comunidades em São João do Araguaia e Tauari. Porém, rodas e oficinas com convidados experientes de Paraíba e Santa Catarina, gestionadas e coordenadas por redes de arte educadores e movimentos sociais em diversos locais, demostraram um fórum comprometido com a prática de confiança e experimentação, livre de formatos de controle ou preso em um só prédio.

“Fomos orientados de escutar, aprender com Amazônia, e plantar sementes de projetos possíveis de colaboração”, disse Eliane Lisboa, da Universidade Federal de Paraíba. “Aprendi tanto sobre esta região, trocando historias de vida com o grupo HistoriArt e colaborando com grupo de teatro do MST.”

Presidente da associação dos barqueiros afirma o fato que os convidados chegaram para escutar São João do Araguaia.

Bel Serrão de Santa Catarina entrou numa roda com crianças no Assentamento 26 de Março reinventando cidades, com crianças do NEI Deodoro de Mendonça em Cabelo Seco, e numa segunda roda com o comandante e soldados da Polícia Militar. Logo em seguida, foi convidada entrar na coordenação dos convidados no Hotel Imperial na Orla. “Já estava encantada com a vivência com crianças reinventando arquitetura urbana num assentamento na Amazônia”, contou Bel, “e com policiais se abrindo em busca de uma segurança comunitária. Me tirou completamente de minha zona de conforto. Mas fiquei ainda mais empolgada com a proposta de vivenciar o bem viver! Na primeira manhã, saímos do hotel em rabetas, e chegamos no encontro dos Rios Itacaiúnas e Tocantins à Casa dos Rios em Cabelo Seco, ao som dos tambores do AfroRaiz. A recepção pelos jovens artistas do Rios de Encontro foi inspiradora!”

Os convidados chegaram à Casa dos Rios de rabeta, no Rio Tocantins.

Os percussionistas do Coletivo AfroRaíz acolherem os convidados com tambores de alerta.

João Pereira do Instituto de Letras e Artes da Unifesspa refletiu sobre a abertura. “O mestre Zequinha cantou o hino de Cabelo Seco, poético e de raiz afro-indígena, e logo em seguida, Camylla, jovem dançarina e coordenadora da Cia AfroMundi apresentou o solo ‘Nascente em Chamas’. Nunca vi uma dança como palestra de abertura! Dramatiza a relação entre séculos de sequelas psico-emocionais das violações e ameaças socioambientais que marcam Amazônia afro-indígena contemporânea, acabando com a distinção entre arte e ciência.

Fórum abre com solo de dança ‘Nascente em Chamas’ na Casa dos Rios em Cabelo Seco.

Artistas, cientistas, enfermeiras, advogados, jornalistas, extrativistas, lideranças indígenas e dos movimentos sociais, professores na mesma plateia, vivenciaram seis provocações sobre o Rio Tocantins, de 2-3 minutos cada, pontuadas por cochichos, de Abraão Levy (Unifesspa), Elizabete Pires (UFPA), Iremar Ferreira (Movimento Rio Madeira Vivo), Ulisses Pompeu (jornalista), Dani Silva (Movimento Rio Xingu Vivo), e Alessandra Munduruku (Movimento Rio Tapajós Vivo).

A roda de provocadores(as) gerou um panorâmico socioeconômico, cultural e político para situar o fórum.

Sem perceber, estávamos trocando saberes, curtindo e cuidando de nossa grande diversidade. Na tarde, depois de uma leitura intercultural das mãos em dupla em silêncio, trocamos histórias de vida e projetos transformadores em pequenas rodas. Em um dia, construímos juntos uma teia de confiança e cultura de colaboração!”

No primeiro dia, foi construída uma teia de confiança e potencial colaborativa para tentar o impossível.

AfroRaíz acolheu os convidados na pracinha de Cabelo Seco.

Depois de uma noite cultural acolhedora na praça de Cabelo Seco e jantar com parceiro Kitutes Restaurante, o Fórum descansou cedo. No segundo dia, ao nascer do sol, o Fórum fortaleceu uma bicicletada ‘Contra Racismo’ e pelo ‘Bem Viver’ na beira do Rio Tocantins na Velha Marabá, organizada pela Escola parceira Plínio Pinheiro, e em colaboração com a PM de Marabá. “A eco-pedagogia da bicicletada”, explicou Manoela Souza, “sempre cultiva valores de comunidade, cooperação, solidariedade, cuidado e generosidade.

A bicicletada contra racismo, em busca de bem viver, liderada pela Polícia Militar de Marabá.

Nesta, com a presença dos 50 convidados, a maioria levando crianças na garupa, provocou diálogos inéditos! Culminou com uma hora de apresentações de dança-percussão com o Coletivo AfroRaiz (pelo projeto Rios de Encontro), de dança e Capoeira pela Polícia Militar da Bahia, diante um público de 400 alunos. A energia de bem viver contagiou todos!”.

AfroRaíz abriu a apresentação artística cultivando orgulho negro e celebração coletiva.

A Polícia Militar da Bahia encanta jovens da bicicletada e cultiva orgulho negro na Escola Plínio Pinheiro.

Polícia Militar da Bahia brinca com aluno do Plínip Pinheiro numa grande apresentação de dança afro e capoeira.

Na tarde, o fórum se dividiu, com 25 arte educadores ouvindo alunos e professores nas escolas Walkise da Silveira Vianna (São Felix) e Dr. Gabriel Sales Pimenta (Morada Nova), através de rodas e oficinas. Paralelamente, 25 gestores, cientistas e pedagogos receberem 08 diretores de escolas na rede pública e gestoras da Semed na Casa dos Rios, e os escutaram explicando a situação grave de educação pública após os recentes cortes dos salários. Depois de trocar experiências de eco-pedagogia, a grande roda de gestores gerou propostas de colaboração inter-estadual antes de se deslocar para continuar a conversa organizada por professores e estudantes de engenheira florestal e pedagogia, em busca de energias alternativas de bem viver, na UEPA. “Aprendi tanto sobre Amazônia “, afirmou Marcos Abreu, liderança em defesa da Soberania Alimentar e jovem vereador de Florianópolis, SC. “Já começamos agendar projetos colaborativos pós fórum. A aproximação do norte e sul gerou a esperança que um país renovado de bem viver, pós golpe, retrocesso e crise institucional, é possível.”

Os convidados se entregam numa dança da terra, rios e floresta na construção de uma pauta coletiva.

As rabetas entregaram os 50 convidados no terceiro dia na Casa dos Rios para entrar numa roda de dança da terra, floresta e rios. “Nunca me imaginei dançando uma pauta!”, disse Célio Turino, arquiteto do programa Pontos de Cultura. Além da sensibilização e integração, a dança criou uma base íntima para refletir sobre os primeiros dias de escuta e idealizar em pequenas rodas primeiras propostas de ação comunicativa criativa. A diversidade de cada roda gerou propostas inovadoras e sustentáveis que se aprofundaram no almoço em Kitutes, antes de viajar para São João do Araguaia, a cidade que ficará submersa, debaixo d’água, caso a hidroelétrica seja construída.

Em pequenas rodas, os convidados trocam projetos e ações criativas para gerar colaborações possíveis.

A primeira roda numa das cidades mais antigas no Pará transpareceu a unanimidade contra a hidrelétrica, fortalecida por depoimentos da Dani Silva do Movimento Xingu Vivo e da Alessandra Munduruku, cujo povo conseguiu barrar a hidrelétrica projetada para o Rio Tapajós em 2016. Os 50 convidados se dividiram para escutar agricultores e conhecer projetos agroecológicos no Assentamento 01 de Março e ouvir historias de vida dos antigos moradores no vilarejo Apinajés. “Trocas autênticas e generosas”, explicou Leonardo Santana, jovem vereador de São João, “aconteceram porque o Fórum chegou para escutar e fortalecer. Fomos ouvidos primeira vez em nossa história!”

Os moradores/as de São João do Araguaia escutam depoimentos de Dani Silva do Movimento Xingu Vivo para Sempre e Alessandra Munduruku do Movimento Tapajós Vivo para Sempre para vislumbrar seu futuro e tomar decisões informadas sobre opções energéticas.

Alessandra Munduruku é pequena, mas tem coragem imensa e clareza inspiradora.

Os convidados trocaram reflexões sobre suas experiências do fórum enquanto que se deliciaram no final da tarde, no Rio Tocantins. “Rodas abriram, se espalharam, se misturaram e mudaram, no por do sol”, disse Gus Greenstein, jovem pesquisador em desenvolvimento sustentável na Universidade de Oxford, nativo da Califórnia-México. O dia encerrou com um grande jantar bem viver de cari, tucunaré, galinha caipira e porco orgânico, doada pelo assentamento, e uma noite cultural na praça diante 500 moradores, aberta com o mestre Zequinha e AfroRaiz de Cabelo Seco.

Leonardo Santana apresentou comida típica bem viver, doada ao fórum.

“Ninguém pode dimensionar o impacto da visita do fórum aqui em São João”, sorriu morador-organizador Emanoel Rosa do Direito da Terra (Unifesspa). “Agora temos a coragem de resistir e lutar pelo bem viver, não a indenização!”

AfroRaíz abre a noite cultural em São João do Araguaia.

Iremar do Movimento Rio Madeira Vivo para Sempre cantou na noite, apoiado por uma bandeira segurada por crianças locais.

Milena da PM-Bahia encantou o público com sua raíz afro-brasileira.

Cláudia, dança educadora colombiana, destacou a raíz latina na sua apresentação.

O mesmo impacto surgiu no último dia numa escuta e conversa com moradores no vilarejo de Tauari, na beira dos Pedrais do Lourenção. Logo em seguida, os 50 convidados improvisaram uma ação criativa cantada num dos pedrais, filmada com drone pelo cineasta Todd Southgate (diretor canadense do premiado documentário ‘Belo Monte: Depois das Inundações’), e o fórum almoçou Tucunaré. Ana Luisa Rocha levou sua neta, Indiara, participante do projeto Rios de Encontro desde 2011, para vivenciar o bem viver. “Cantando no pedral foi bacana!”, disse Ana Luisa, gestora de saúde indígena e integrante do projeto desde 2009. “Foi importante para nos todos ouvir os depoimentos de jovens lideranças das lutas para proteger os Rios Xingu e Tapajós. Marabá pode aprender muito com estas histórias comunitárias!”.

Participantes da Américas afirmam bem viver em defesa dos rios da Amazônia num Pedral do Lourenção.

Na volta à Marabá, depois de uma troca de sabores oferecidos de cada região do Brasil e das Américas, o fórum reuniu os 50 convidados na tardinha em pequenas rodas finais de reflexão e propostas de próximos passos. Esta segunda e última plenária somou e aprovou tudo em um calendário integral, antes de uma serie de despedidas artísticas improvisadas que estendeu por 90 minutos. “Ninguém quis sair!”, riu a arte educadora Cláudia Giraldo da Colômbia. “Ninguém quis largar um verdadeiro território de bem viver”, afirmou o psicólogo indígena Oscar Paredes de Equador.

O fórum volta de suas escutas para refletir e projetar os próximos passos.

“Vivenciamos bem viver, sem discurso”, celebrou Dan Baron, da coordenação do projeto Rios de Encontro e co-idealizador do fórum com a Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA), “Assim, evitamos um encontro abstrato e cansativo, e qualificamos todos à defender Amazônia a partir de uma vivência de sua beleza e riqueza, suas raízes, seus saberes e sabores.

A vivência da beleza amazônica enraizará sua defesa em um compromisso duradouro.

A PM-Marabá aprende sobre a importância de integrar as artes na formação e prática de uma segurança comunitária, enraizada em cultura popular e alfabetização cultural.

A mesma formação e transformação aconteceram, no Pós Fórum. Nossa grande parceira, a PM-Bahia, encantou a PM de Marabá. Depois, inspirou jovens dançarinas e percussionistas de Cabelo Seco na Casa dos Rios, a partir de teatro, dança e percussão populares, demonstrando igualdade de raça e gênero, e sua dedicação à justiça social e à libertação dos jovens afro-indígenas e de todos e todas no Brasil. Sobretudo, demonstrou que o Projeto Bem Viver, envolvente, humano e democratizador, é bem vivo e viável!”

Retrato de unidade de projeto entre a PM da Bahia e de Marabá, na praça de Cabelo Seco.

No dia da Amazônia, as vozes das Américas no fórum se juntaram com os jovens artistas de AfroRaiz à tribuna na Câmara dos Vereadores.

AfroRaíz abre a contribuição à tribuna na Câmara dos Vereadores em Marabá.

Cláudia Giraldo da Colômbia cita erros graves cometidos com a implantação de hidrelétricas na sua região para sensibilizar vereadores sobre as opções energéticas enfrentando Amâzonia.

Após os tambores de Cabelo Seco, 30 minutos de depoimentos humanos e científicos da Colômbia, Equador, México, Índia, China, Moçambique, Lesoto, África do Sul e EUA sensibilizaram os vereadores e a plenária sobre o consenso científico mundial sobre a destrutividade sócio-ambiental e inviabilidade econômica da energia hídrica. Citaram Altamira, que se tornou a cidade mais violenta no país depois da construção da Belo Monte, e os rios mortos no mundo inteiro, forneceram argumentos socioeconômicos e culturais sobre porque investir em energia solar comunitária e cooperativa.

A contribuição coletiva do fórum no Dia da Amazônia integrou pesquisa cientifica, beleza cultural e depoimentos de cinco países sobre a inviabilidade e destrutividade de energia hídrica.

“Semed já está comprometido com o desenvolvimento municipal de um projeto político eco-pedagógico”, disse Dan Baron. Apelando aos vereadores, Dan finalizou: “O Comandante da PM, o Reitor da Unifesspa, os Secretários de Educação, Cultura e Meio Ambiente, diretoras das escolas, médicos, arquitetos, enfermeiras, pescadores e comunidades indicam energia solar. Porque não trabalhar juntos para transformar Marabá da décima e uma cidade mais violenta no Brasil em liderança e referência mundial de bem viver, abastecido por energia solar, solidária com as gerações do futuro?

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Festival de Verão encerra afirmando justiça social e climática rumo Fórum Bem Viver

Deputada europeia Julie Ward (Inglaterra NW) se despede da coordenação do Rios de Encontro (o Coletivo AfroRaíz), e o diretor de teatro comunitário uruguaio, Carlos Torrado, amplia a colaboração.

A segunda semana do Festival de Verão encerrou a quarta residência internacional do festival, de Carlos Torrado, professor universitário de teatro comunitário, e uma grande festa de artes com açaí. Integrou a Unifesspa, movimentos sociais e a comunidade LGBT e se ampliou para São João do Araguaia e povos indígenas da região de Parauapebas e Canaã dos Carajás, numa grande afirmação de direitos humanos e justiça climática.

Duas gerações de Rios de Encontro celebram dança afro na Festa das Artes e Açaí.

eatro Folhas da Vida dramatiza a preocupação comunitária sobre o Rio Tocantins na Festa das Artes e Açaí.

“Nunca vi uma grande festa das artes gestionada, produzida e realizada por jovens artistas com tanta confiança, qualidade e alegria!”, disse Carlos Torrado, teatrólogo, da Universidad de la República de Uruguai. “Virou uma celebração inclusiva de 250 pessoas, incluindo estudantes da graduação Direito da Terra, gestores e crianças, pulsando com dança e percussão de raiz, teatro solidário com o rio, produção audiovisual excelente e o sabor de açaí! Levarei para sempre artistas infantis, formados por artistas jovens, na frente de sua própria comunidade, defendendo Amazônia com sua beleza!”

Carlos ministra sua oficina de teatro de autodeterminação na Unifesspa.

“Foi uma semana inspiradora! A comunidade LGBT na Unifesspa”, continuou Carlos, “me impressionou com sua ética excepcional, se tratando com respeito, cuidado e consciência social ampla. As visitas para idealizar o Fórum de Bem Viver, e também para conhecer a vida do Povo Xikrin e do futuro de São João do Araguaia, ambos ameaçados pela industrialização da Amazônia, me impressionou! E a roda com a turma de Direito da Terra sobre a construção de justiça social para todos foi extremamente analítica, informada pela ditadura de austeridade no Brasil. Minha universidade em Montevidéu oferece estudos gratuitos para América Latina, e pretendo convidar Marabá colaborar!”

Carlos (dir.frente) e a turma do Direito da Terra encerram uma conversa sobre justiça social na América Latina na Unifesspa.

“A deputada europeia Julie, e o teatrólogo Carlos, deixaram grandes contribuições bem distintas”, disse Dan Baron, da coordenação do Rios de Encontro, “tanto para a comunidade Cabelo Seco e Unifesspa, quanto para os povos Parketêjê e Xikrin, e os movimentos sociais. Vivenciaram muito em pouco tempo, da emergência nas áreas de direitos humanos, questões socioambientais que Amazônia está sofrendo. Mas também vivenciaram a beleza amazônica, saboreando Tucunaré, águas mornas do Araguaia e Tocantins, e a generosidade de Cabelo Seco! Neste sentido, nos ajudaram muito em entender como construir nosso Fórum Bem Viver (31 de agosto-04 de setembro), cujos 80 convidados nacionais e regionais vão inspirar e fortalecer Marabá.”

Julie Ward e Carlos Torrado ouvirem relatos do Povo Xikrin sobre a violação de seus direitos culturais e territoriais, e do meio ambiente pela mineradora Vale, que os marcaram profundamente.

“O Fórum Bem Viver convida projetos de cada setor da sociedade civil, escolas e movimentos sociais entrar em contato comigo”, disse Mano Souza, “se quiser organizar uma conversa pública com os convidados nacionais (gestores, arte educadores e cientistas), ou sediar um mini-curso de formação na sua escola ou entidade. Convidamos movimentos sociais e ONGs também indicar um(a) representante para participar nos quatro dias do fórum. E convidamos a sociedade inteira de Marabá participar na bicicletada no tarde do dia 01 de setembro, na mostra artística na noite do dia 01, e na audiência pública, no dia 05 de setembro.”

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Primeira semana do festival de verão inspira mas assusta!

Deputada Julie Ward presencia a mina N4 em Parauapebas em preparação de uma intervenção no Parlamento Europeu (22 julho)

Depois de realizar oficinas artísticas e ações culturais comunitárias e de participar em atos solidários com movimentos sociais na região do Sul e Sudeste do Pará, Rios de Encontro encerrou a primeira semana do V Festival de Verão com visitas dos jovens cineastas dos EUA (Ben Ross e Britt Neff) e da deputada europeia, Julie Ward, às minas da Floresta Nacional de Carajás e a cidade São João de Araguaia. A segunda semana de convivência “Somos Amazônia” levará Julie Ward como participante de dança afro e da biblioteca Folhas da Vida no PAC e numa festa das artes com açaí nesta sexta feira, na Casa dos Rios.

Foto 2: Jovens cineastas Ben Ross e Britt Neff convivem no festival da pipa na orla (21 julho)

“Vamos compartilhar no mundo as múltiplas violências que testemunhamos na nossa convivência aqui”, afirmou Britt Neff (26 anos), emocionada por relatos da violação de direitos humanos pelo Povo Parkatejê e pelos moradores dos acampamentos Hugo Chaves e Frei Henri. “Depois de visitar o acampamento Frei Henri e a mina N4, entendemos claramente como sensibilizar jovens em Los Angeles e nos Estados Unidos sobre a vulnerabilidade e resiliência da Amazônia. Nossos documentários de realidade virtual captarão as extraordinárias intervenções artísticas e comunitárias do Rios de Encontro.

O III festival da pipa reuniu 90 crianças, jovens e pais que lançaram mais de 80 pipas (21 julho)

“O festival da pipa me assustou no primeiro momento”, disse Ben Ross (26 anos), “testemunhando dezenas de crianças e adolescentes tão concentrados num processo de criação e produção, sem a supervisão de professores ou adultos, coordenados completamente pelos jovens artistas de Rios de Encontro. Nunca vi tanta cooperação, cuidado e colaboração entre gerações, na criação de uma tecnologia baseada em conhecimento ambiental! Vi na orla quanto esta comunidade consegue ler o vento, uma alfabetização ecológica que ainda não tem valor académico na educação formal, mas já permeia as coreografias e batucadas de AfroMundi e Tambores da Liberdade, nos ensaios e oficinas inspiradores que participamos.”

Deputada Julie Ward participe num debate sobre direitos humanos e sustentabilidade numa aula de Direito da Terra na Unifesspa

A deputada Julie Ward participou em diversas rodas de duas horas com a coordenação do Cursinho Emancipe e com a turma de Direito da Terra na Unifesspa que criaram laços solidários e idealizaram parcerias eco-pedagógicas entre Europa e Amazônia. “Estou aqui para aprender com Amazônia e participar em trocas de reflexão e projetos, num momento de crise mundial”, explicou Julie Ward. “Fiquei impressionada com a violência extrema – militar, política, sociocultural e ecológica – e a impunidade no Pará. Pretendo usar minhas intervenções políticas e capacidade gestora internacional para fortalecer o projeto de transformar Marabá de vitima de exploração e sobrevivência em uma cidade inteligente e sustentável exemplar do futuro.”

Deputada Julie Ward conversa com Évany Valente, uma coordenadora do festival da pipa, sobre a simbologia ecológica da pipa (21 julho)

“Convido todos e todas de Marabá participarem na ‘festa das artes’ nesta sexta feira agora em Cabelo Seco”, disse Julie, “que vai celebrar a riqueza criativa desta região. Dancei, ontem, e presenciei uma coragem juvenil aqui que tem capacidade de sensibilizar cada continente entender porque uma Amazônia viva e inteira precisa se tornar o projeto pessoal de cada ser no mundo. Aqui, sinto que tem esperança. Tem sementes de um futuro de democracia comunitária participativa!”

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Colaboração artística amazônica antecipa Fórum de Bem Viver

A Colombiana Cláudia e Equatoriano Oscar localizam seus países no início de uma tarde impar para alunos e professores em Marabá.

A terceira colaboração internacional realizada na semana passada pelo projeto Rios de Encontro em Cabelo Seco possibilitou experiências inéditas para alunos e crianças da comunidade e de Marabá. Culminou em um convite à dançarina colombiana, Claudia Giraldo, e ao músico-psicólogo equatoriano Oscar Paredes, voltarem para participar no primeiro Fórum de Bem Viver, a ser realizado no final de agosto.

Oscar e Cláudia apresentam sua história de viagem com pedagogia criativa para estudar a geografia, história, sociologia, ética, estudos amazônicos e debates contemporâneos, derrubando preconceitos contra sua própria história indígena.

“Que tarde fascinante!”, disse a Professora Doelde Ferreira, depois da roda de conversa e oficina de dança na sua Escola Irmã Theodora, no bairro Liberdade, na quinta feira passada. “Nossa escola teve a honra de receber a gestora cultural, Manoela Souza, e a jovem percussionista Elisa Neves, do projeto Rios de Encontrou que trouxe dois artistas, Cláudia e Oscar. A conexão Brasil-Colômbia-Equador foi uma experiência ímpar para nossos alunos e professores que tiveram a oportunidade de conhecer a cultura de outros países de forma divertida, alegre, musical e dançante.”

Cláudia e Oscar ministram uma oficina de dança folclórica colombiana na escola irmã Theodora.

Professora Doelde continuou: “Claudia e Oscar também falaram da importância de preservar a Amazônia, da valorização cultural dos povos e de seu modo de viver, andando pelos países da America Latina, com as mochilas carregadas de sonhos por um mundo melhor, onde as pessoas compreendam a importância de SER, em vez de TER, onde “ter” torna os seres humanos prisioneiros de si.”

AfroRaiz realiza uma roda de formação através da narrativa de sua viagem na Amazônia, na Universidade Comunitária dos Rios, com Cláudia, Oscar, Mano e Dan

Na sexta feira, a coordenação juvenil do Rios de Encontro teve uma roda de formação inesquecível na sua Universidade Comunitária dos Rios, escutando a narrativa dos últimos seis meses dos arte educadores amazônicos, viajando sem dinheiro e com uma muda de roupas, cada um. “Estamos vivenciando uma vida baseada em generosidade e troca de conhecimentos, em vez de dinheiro, que reduza tudo em produto, consumo, e alienação de si”, disse Cláudia, que já deu aula de dança e artes visuais na escola, em Cali, Colômbia, durante sete anos. “Fiquei impressionada pelos valores humanos do Rios de Encontro, um projeto com uma visão profundamente cooperativa e libertadora de bem viver!”

AfroRaiz abre o Cine Coruja internacional com tambores africanos de bem vindos.

“O Cine Coruja me alegrou muito”, disse Oscar Paredes, jovem indígena do Povo Quitocara de Equador. “Encontrei um verdadeiro cinema popular, completamente produzido por jovens do projeto. Adorei apresentar dança folclórica da Colômbia, embelezada pela dança equatoriana. Vi nos olhos de dezenas de crianças uma empatia popular e latina. E que traços indígenas lindos que encontramos em Marabá! Este projeto já plantou tantas sementes de consciência ambiental, que me fortalece, somente sabendo que o futuro tem gestores da próxima geração! Imagina como a jovem coordenação vai desenvolver tudo que já passou!”

Cláudia e Oscar dançam para uma grande platéia infantil na Casa dos Rios.

Flávia Cortez e Gabriel Martinho, ministrantes das oficinas de Texto Jornalístico/Fanzine e de Audiovisual, visitaram a nova Casa dos Rios duas vezes, durante e depois do Projeto Biizu, realizado pelo Secom, na mesma semana. “Nunca encontrei um projeto comunitário com uma visão tão integral e prática cotidiana de tanto cuidado coletivo e criatividade. Estão presentes em cada detalhe, até nas janelas e portas que são obras plásticas contemporâneas”, exclamou Gabriel. “Tivemos de visitar”, brincou Flávia, “quando Rios de Encontro virou o tema comum nas duas oficinas. Quem teria imaginado um cine infantil iniciando com tambores africanos e dança colombiana?”

Alunos da Escola Judith Gomes Leitão realiza uma entrevista coletiva com coordenadora Mano Souza, registrado por Rerivaldo Mendes. Vão participar no Festival de Verão!

Na semana que vem, o coletivo de percussionistas e dançarinas, AfroRaiz divulgará o terceiro Festival de Verão, que destaca este ano cursos de dança afro para mães e avós, teatro infantil, produção audiovisual adolescente e o quarto Festival de Pipa. “Este ano, as pipas vão carregar ‘cartas de amor da Amazônia’,” disse Dan Baron, coordenador do Rios de Encontro. “Estou indo a Évora, Portugal, para convidar arte-educadores de 30 países e lideranças da UNESCO, entrar na ‘pororoca mundial solidária’ com os Pedrais do Lourenção e a defesa da Amazônia. Vamos motivar Marabá participar na sua própria auto-defesa e optar em bem viver!”.

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Nosso Cine Coruja ocupa seu novo espaço!

Cine Coruja ultrapassa 100 participantes no dia 16 de junho!

Cine Coruja, nosso cinema gratuito comunitário de Cabelo Seco alcançou sua primeira platéia de 100+ ontem a noite, na Casa dos Rios, na beira do Rio Tocantins! Sentadas 3 na cadeira, crianças assistirem Moana: Mar de Adventuras, celebrando raizes indígenas, liderança feminina e uma Amazônia preservada. Junta-se conosco para criar uma pororoca de solidariedade com o futuro!

http://www.riosdecriatividade.com

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